{"id":284,"date":"2008-06-16T19:37:30","date_gmt":"2008-06-16T21:37:30","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=284"},"modified":"2008-06-16T19:37:30","modified_gmt":"2008-06-16T21:37:30","slug":"o-sexto-sentido-m-night-shyamalan-1999","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/06\/16\/o-sexto-sentido-m-night-shyamalan-1999\/","title":{"rendered":"O Sexto Sentido (M. Night Shyamalan, 1999)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.mnight.com\/images\/movies\/sixthsense\/malcolm1.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"353\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao que parece, M. Night Shyamalan veio ao mundo com o cinema j\u00e1 correndo em suas veias. Nascido em Madras, na \u00cdndia, e criado na Filad\u00e9lfia, EUA, chegou a realizar dezenas de filmes caseiros antes de se matricular na Tisch School of the Arts de Nova York. Uma vez formado em Cinema, Shyamalan escreveu e dirigiu dois longas: Praying With Anger (1992), que nunca chegou a ser distribu\u00eddo comercialmente, e Olhos Abertos (Wide Awake, 1998), cujo mote consiste na dificuldade de um garoto em aceitar a finitude da vida ap\u00f3s testemunhar a morte de seu pr\u00f3prio av\u00f4. Esse embate entre o mundo interior e o mundo exterior, entre o que se gostaria que fosse e o que, de fato, \u00e9, marcar\u00e1 toda a filmografia do diretor e alcan\u00e7ar\u00e1 seu \u00e1pice em O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), um sucesso estrondoso de p\u00fablico e o primeiro filme de Shyamalan a ser recebido favoravelmente pela m\u00eddia especializada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Todas as aten\u00e7\u00f5es est\u00e3o voltadas, como no longa anterior, na inf\u00e2ncia. Cole (Haley Joel Osment) \u00e9 um garoto criado por uma m\u00e3e solteira, Lynn (Toni Colette), que tem diversos problemas de comportamento e de aprendizagem na escola. Ele \u00e9 o mais novo paciente do psic\u00f3logo infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis), a quem revela, numa cena que vem a ser o \u00e1pice do filme em todos os aspectos, que ele v\u00ea pessoas mortas. \u201cI see dead people\u201d, a frase proferida por Cole que se tornou a sensa\u00e7\u00e3o da temporada cinematogr\u00e1fica norte-americana do final da D\u00e9cada de 90, \u00e9 a s\u00edntese de todos os dramas que afligem o protagonista e, por tabela, o espectador; \u00e9 o dom que ele n\u00e3o gostaria de ter e que corr\u00f3i sua alma de tal maneira que o garoto sempre se sente sozinho, por mais rodeado de gente que ele esteja.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os personagens de O Sexto Sentido s\u00e3o ilhas de dor e desesperan\u00e7a, cada um \u00e0 sua maneira, e isso aterroriza mais o espectador do que qualquer das apari\u00e7\u00f5es fantasmag\u00f3ricas que periodicamente assolam a tela acompanhadas de oportunistas, por\u00e9m eficazes, edi\u00e7\u00f5es de som. Lynn sofre pelo filho e pelo fato de n\u00e3o conseguir proteg\u00ea-lo quando ele mais precisa; Cole sofre por n\u00e3o saber conviver com sua habilidade e pela maneira intrusiva, amea\u00e7adora mesmo, pela qual os mortos interagem com ele por perceber que o garoto pode v\u00ea-los; Malcolm sofre por n\u00e3o mais conseguir se relacionar satisfatoriamente com sua esposa e por n\u00e3o conseguir ajudar de fato seu paciente. Tr\u00eas pessoas cujos la\u00e7os afetivos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para gerar a comunica\u00e7\u00e3o que se faz necess\u00e1ria e que precisam de um choque, uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica de conceitos e de preconceitos. Cada um deles passar\u00e1 pela dor aguda e maior que, talvez, cure a dor cr\u00f4nica e menor, com conseq\u00fc\u00eancias distintas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Muito se falou (e tamb\u00e9m n\u00e3o se falou, a pedido dos produtores) do \u201ctwist ending\u201d de O Sexto Sentido, mas a realidade \u00e9 que esse \u00e9 o menor dos componentes estruturais de um roteiro absolutamente brilhante. Shyamalan n\u00e3o minimiza os problemas de Cole, muito pelo contr\u00e1rio: afirma que elas, as crian\u00e7as, podem sofrer tanto quanto os adultos, malgrado seu tamanho diminuto e sua inser\u00e7\u00e3o em c\u00edrculos sociais mais reduzidos, por\u00e9m n\u00e3o menos complexos, que aqueles nos quais vivem os adultos. Essa transposi\u00e7\u00e3o da realidade e da irrealidade infantil n\u00e3o teria sido t\u00e3o bem-sucedida n\u00e3o fosse a atua\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de Haley Joel Osment, criador de express\u00f5es t\u00e3o poderosas que parecem conter todo o sofrimento do mundo. Mais importante ainda \u00e9 o fato de que a ang\u00fastia dos fantasmas e as marcas f\u00edsicas que eles trazem, resultado das agress\u00f5es que ocasionaram sua morte, urgem para que Cole, Lynn e Malcom resolvam suas pend\u00eancias e suas frustra\u00e7\u00f5es ainda em vida. Uma vez passando para o outro lado o acerto de contas e a obten\u00e7\u00e3o da paz de esp\u00edrito se tornam bem mais dif\u00edceis, e isso \u00e9 algo aterrorizante de se especular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Am\u00edlcar Figueredo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao que parece, M. 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