{"id":283,"date":"2008-06-16T19:31:36","date_gmt":"2008-06-16T21:31:36","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=283"},"modified":"2008-06-16T19:31:36","modified_gmt":"2008-06-16T21:31:36","slug":"olhos-abertos-m-night-shyamalan-1998","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/06\/16\/olhos-abertos-m-night-shyamalan-1998\/","title":{"rendered":"Olhos Abertos (M. Night Shyamalan, 1998)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.uniblog.com.br\/img\/posts\/imagem13\/136248.jpg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pouco antes de obter o sucesso definitivo com o seu melhor exemplar, O Sexto Sentido, Shyamalan lan\u00e7ou o, ainda obscuro, Olhos Abertos, em 1998. O filme \u00e9 mais do que meramente subestimado (at\u00e9 porque, acho, estou come\u00e7ando a vulgarizar demais essa expres\u00e3o) pelo fato de seu conhecimento passar alheio; \u00e9 um filme que simboliza praticamente todos os temas abordados por ele, em especial a cren\u00e7a e a f\u00e9, nos seus outro cinco filmes lan\u00e7ados. O roteiro come\u00e7a guiando a vida de um menino, Joshua, que estuda num col\u00e9gio cat\u00f3lico, estritamente separando o lado feminino do masculino (j\u00e1 aqui entra uma rela\u00e7\u00e3o direta com A Vila), por\u00e9m com mais tons humor\u00edsticos e sem muito suspense. A bem da verdade, a trilha sonora refor\u00e7a o clima de aproxima\u00e7\u00e3o a um conto infantil, e Shyamalan jamais se embrenha pelo suspense que o consagraria dali em diante como o \u201cnovo Alfred Hitch\u201d &#8211; algo que, para mim, jamais existir\u00e1, \u00e9 um conceito estapaf\u00fardio, tanto pela liga\u00e7\u00e3o a Hitch, quanto ao estilo de cada diretor (e Shy especificamente, pela cobran\u00e7a tal que parece ter sido feita diante dele) -, tornando-se dif\u00edcil a pr\u00f3pria cren\u00e7a de extra\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria convincente a partir dali, com um efeito sess\u00e3o-da-tarde, e essa \u00e9 uma das liga\u00e7\u00f5es que vejo a A Dama Na \u00c1gua: trazer o p\u00fablico para um esp\u00edrito mais pueril, dubit\u00e1vel at\u00e9, mas valoroso sensorialmente para quem persistir. \u00c9 quando Shyamalan, com muita perspic\u00e1cia para o que viria a seguir, sem cobrar ou mudar o tom de seu protagonista, insere a grande caminhada do filme: a procura de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na paix\u00e3o que ele trouxera do av\u00f4 falecido, que sempre se sustentara sobre a f\u00e9 e o futebol americano, e motivado pelo c\u00edrculo religioso ao seu redor, Joshua, ap\u00f3s a fracassada tentativa de se aproximar ao antepassado pelo esporte, come\u00e7a a sua miss\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 menos poss\u00edvel que a pr\u00f3pria exist\u00eancia d\u2019Ele. Shyamalan n\u00e3o assume um discurso partid\u00e1rio quanto ao parentesco e ao meio que rodeia o garoto (tanto os pais, quanto a insitui\u00e7\u00e3o religiosa), n\u00e3o s\u00e3o fontes de 100% de aprova\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o signifcam dor (a import\u00e2ncia do in\u00edcio do filme \u00e9 clara agora: \u201cmeu pai \u00e9 um \u00f3timo homem, mas vive repetindo as coisas para mim\u201d; e as variadas frases sobre \u201ccol\u00e9gios cat\u00f3licos\u201d), apenas deixando-os ali, secundariamente, como pequenos moldes n\u00e3o-definitivos que tra\u00e7ariam o destino de seu protagonista, mais movido pela f\u00e9 inicial em sua jornada. H\u00e1 o grande flerte com as d\u00favidas que a f\u00e9 lhe imp\u00f5em e, coincidentemente ou n\u00e3o, o cap\u00edtulo deste momento do filme chama-se Sinais, quando, ap\u00f3s tanto esfor\u00e7o v\u00e3o (o garoto jejua, tenta rituais mu\u00e7ulmanos, judeus, al\u00e9m da pr\u00f3pria presen\u00e7a cat\u00f3lica e o pedido de aux\u00edlio a um cardeal), ele se depara com o pedido de desist\u00eancia diante de um padre &#8211; entretanto, este, confessando ao inv\u00e9s de acolher o confesso do menino, diz que se deve persistir mesmo diante das d\u00favidas. E Joshua ap\u00f3ia-se nas lembran\u00e7as do av\u00f4, para uma mudan\u00e7a, mais not\u00e1vel, de ocorr\u00eancias ao seu redor. Escorando-se em seus coadjuvantes, Shyamalan tece perfeitamente a mudan\u00e7a de atitude n\u00e3o daqueles que nos cercam, mas sim da forma com a qual os encaramos. \u00c9 compreens\u00edvel o gesto d\u00e9bil de um garoto bizarro, e Joshua ap\u00f3ia seu colega gordo, t\u00e3o desprezado, visto como uma in\u00fatil e insatisfat\u00f3ria presen\u00e7a-cobran\u00e7a de suas brincadeiras. O pr\u00f3prio amor (\u201drea\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica\u201d) dele pela garota ganha e d\u00e1 for\u00e7a quando ela mostra confian\u00e7a nele, e ele se v\u00ea confiante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O milagre acontece ao salvar seu melhor amigo, epil\u00e9ptico, de uma morte fatal e, ao fim do ano letivo, eis que Deus se faz presente diante dele. O outro menino loiro, que Joshua sempre via rondando os corredores e aparecendo em momentos em que cometia atitudes \u201cerradas\u201d para tentar se ajudar ou ajudar ao pr\u00f3ximo. Deus est\u00e1 diante de n\u00f3s, diz Shyamalan, Deus comunica-se com n\u00f3s. Por\u00e9m, poucos verdadeiramente o ouvem e o procuram e o inocente Joshua \u00e9 quem pode trocar uma palavra com ele, n\u00e3o por ser dotado de algum poder ou ter salvado meio-mundo. Como em A \u00daltima Tenta\u00e7\u00e3o de Cristo, em que Scorsese coloca o ser divino como um humano, Shyamalan reitera essa aproxima\u00e7\u00e3o, desta vez n\u00e3o pela pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o, mas pela \u201cdescoberta\u201d divina. Foi assim que passou a olhar ao redor e enxegar import\u00e2ncia nos seus colegas, que Joshua o descobriu. Talvez sem querer, por\u00e9m com a grande for\u00e7a exercida pela sua f\u00e9 e pela sua cren\u00e7a, resistentes a todas as d\u00favidas do caminho. Esta, portanto, \u00e9 uma mensagem de tanto valor quanto a procura pela reconcilia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de Bruce Willis em O Sexto Sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Cassius Abreu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco antes de obter o sucesso definitivo com o seu melhor exemplar, O Sexto Sentido, Shyamalan lan\u00e7ou o, ainda obscuro, Olhos Abertos, em 1998. 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