{"id":265,"date":"2008-06-11T16:58:16","date_gmt":"2008-06-11T18:58:16","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=265"},"modified":"2008-06-11T16:58:16","modified_gmt":"2008-06-11T18:58:16","slug":"a-hora-do-lobo-ingmar-bergman-1968-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/06\/11\/a-hora-do-lobo-ingmar-bergman-1968-2\/","title":{"rendered":"A Hora do Lobo (Ingmar Bergman, 1968)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/06\/a-hora-do-lobo.jpg\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.bergmanorama.com\/gallery4\/hour-17.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"349\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A perspectiva em qualquer situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para nos advertir em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis contrariedades ao mundo racional. Ao adentrar o mundo de uma personagem, tamb\u00e9m nos comprometemos a vislumbrar suas caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas (que, obviamente nunca encontram reflexo na unidade l\u00f3gica somente) e, portanto, a partilhar de sua composi\u00e7\u00e3o cin\u00e9rea, jamais composta da alvura de uma alma l\u00edmpida ou da escurid\u00e3o de um ser possesso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E quanto mais desnudamos a alma de um indiv\u00edduo qualquer, mais somos influenciados a compor uma realidade intermedi\u00e1ria, um misto inconsciente (mesmo que de forma transit\u00f3ria) de id\u00e9ias que envolvem elementos das personalidades de ambos (nossa e do ser analisado), bem como as experi\u00eancias conjuntas e forma\u00e7\u00f5es individuais. As conclus\u00f5es as quais chegamos, o processo dedutivo de conhecimento do objeto alvo, n\u00e3o podem ser analisados somente sob a \u00f3tica de um sujeito. A partir do momento em que nos comprometemos a realizar tal an\u00e1lise, alteramos todos os detalhes automaticamente. Grosseiramente, \u00e9 como observar um delicado vaso de flores diante de um olhar de uma dama encantada com a formosura das p\u00e9talas expostas ou de um inseto em sua eterna luta pela sobreviv\u00eancia em busca de alimento no mesmo microambiente. As duas coisas s\u00e3o observ\u00e1veis, mas os pontos de vista s\u00e3o muito distintos. Naturalmente, entretanto, quanto mais ela estuda os insetos que ali vivem, mais sua perspectiva se torna abrangente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A Hora do Lobo \u00e9 um daqueles filmes que, ao nos depararmos com a melodia que anuncia o t\u00e9rmino da proje\u00e7\u00e3o e o iniciar dos cr\u00e9ditos finais, leva a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o conhecemos&#8230; e n\u00e3o importa o qu\u00ea, simplesmente n\u00e3o conhecemos. E como \u00e9 lindo perceber isso atrav\u00e9s de uma obra prima como a que Bergman nos presenteia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Cont\u00e9m spoilers:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A princ\u00edpio, os enigm\u00e1ticos personagens desfilam mediante palcos distintos. Um \u00e9 exposto para conferir voz ao outro e compor uma sinistra melodia conjunta, orquestrada sob a \u00e9gide da fronteira entre o racional e o irracional.<br \/>\nO semblante enfastiado de Alma introduz o prel\u00fadio da perturbadora s\u00e9rie de eventos que resultariam no desaparecimento misterioso do marido. As duas realidades se desencontraram no decorrer do tempo. A cronologia posterior ser\u00e1 fundamental na aniquila\u00e7\u00e3o dessa perspectiva. E algumas simples letras mudam simplesmente tudo: falamos em fus\u00e3o (subitamente nos vemos inclusive embebidos em seus len\u00e7\u00f3is obscuros) e n\u00e3o em fiss\u00e3o de pontos de vista.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desse modo ocorre a delinea\u00e7\u00e3o da est\u00f3ria. Na encruzilhada dos diversos cen\u00e1rios interpretativos, contemplamos um mundo analisado de um referencial externo a qual permite detectar um universo repleto de seres &#8220;desumanizados&#8221; e cru\u00e9is, representativos de \u00e9pocas passadas de grande valor para os personagens, a\u00e7\u00f5es e eventos simb\u00f3licos e febris perante um processo de insanidade latente&#8230;bem como outro, paralelo e paradoxal, sob a forma de uma concep\u00e7\u00e3o segmentada, imersa na racionalidade question\u00e1vel do mundo interno ao filme, contemplada pelos olhares e palavras de Alma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No entanto, considero que A Hora do Lobo atingira seu objetivo de forma espetacular, seja atrav\u00e9s da reflex\u00e3o produzida pela protagonista no trecho final (que nada mais \u00e9 que o cl\u00edmax da tens\u00e3o quase insuport\u00e1vel desenvolvida por Bergman em toda proje\u00e7\u00e3o), seja pelo desvendar inquieto de uma realidade t\u00f3rrida relativa \u00e0s diversas faces da complexa cadeia de eventos abordados em mais uma obra prima deste magn\u00edfico diretor. N\u00e3o h\u00e1 respostas simples para a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>S\u00edlvio Tavares<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/19\/a-hora-do-lobo-ingmar-bergman-1968\/\"><span style=\"color:#000000;\">Hora do Lobo, A<\/span><\/a> (Ingmar Bergman, 1968) &#8211; Luis Henrique Boaventura &#8211; 4\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perspectiva em qualquer situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para nos advertir em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis contrariedades ao mundo racional. 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