{"id":2340,"date":"2008-12-06T12:37:36","date_gmt":"2008-12-06T14:37:36","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=2340"},"modified":"2008-12-06T12:37:36","modified_gmt":"2008-12-06T14:37:36","slug":"ritual-dos-sadicos-jose-mojica-marins-1970","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/12\/06\/ritual-dos-sadicos-jose-mojica-marins-1970\/","title":{"rendered":"Ritual dos S\u00e1dicos (Jos\u00e9 Mojica Marins, 1970)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img370.imageshack.us\/img370\/2348\/ritual01lg5.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img238.imageshack.us\/img238\/2114\/ritual03lh3.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img238.imageshack.us\/img238\/3596\/ritual02hg9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se temos um diretor brasileiro que pode ser chamado de maldito, esse \u00e9 Z\u00e9 do Caix\u00e3o. A maioria das pessoas conhece apenas a sua persona e, por isso, muitos a acham no m\u00ednimo inusitada, para n\u00e3o dizer rid\u00edcula. Mas poucos o conhecem como diretor, como ator e, sobretudo, como realizador de obras no m\u00ednimo interessantes, ainda mais se lembrarmos que ele \u00e9 o \u00fanico &#8220;bandeirante brasileiro&#8221; do terror, e que, na imensa maioria dos seus filmes, contava com recursos \u00ednfimos, tendo que abusar e muito da sua criatividade e talento em contar hist\u00f3rias macabras. Das suas obras, &#8220;Ritual dos S\u00e1dicos\/O Despertar da Besta&#8221; \u00e9 a mais maldita e a mais genial.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para quem desconhece, o filme, sob o nome de &#8220;Ritual dos S\u00e1dicos&#8221;, teve sua exibi\u00e7\u00e3o proibida pela censura do governo militar, que n\u00e3o satisfeita, tentou ainda destruir todas as c\u00f3pias e negativos. Mojica ainda tentou relan\u00e7\u00e1-lo tr\u00eas anos depois, com alguas pequenas mudan\u00e7as, sob o nome &#8220;O Despertar da Besta&#8221;, novamente sem sucesso. E assim, o filme ficou anos e anos nas duras e grotescas m\u00e3os da ditadura militar, at\u00e9 que, j\u00e1 na d\u00e9cada de 80, com o fim do Regime, ele foi liberado e assim participou de v\u00e1rios festivais ao redor do Brasil. Entretanto,\u00a0Ritual dos S\u00e1dicos\u00a0acabou n\u00e3o entrando em circuito nacional, permanecendo at\u00e9 hoje in\u00e9dito nos cinemas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assistindo ao filme, compreendemos o porqu\u00ea dele ter sido proibido com tanta veem\u00eancia pelos sisudos homens de farda. Merecedor do t\u00edtulo de ousado e pol\u00eamico, o\u00a0Ritual abordava diretamente, pela primeira vez no cinema brasileiro e em pleno auge da repress\u00e3o militar, o uso de drogas como maconha, coca\u00edna e LSD. N\u00e3o apenas abordava, mas mostrava os personagens consumindo \u201ct\u00f3xicos\u201d (assim eram referidos os entorpecentes no filme) antes de sess\u00f5es coletivas de coprofilia, sadismo, zoofilia, misoginia e outras \u201cpervers\u00f5es\u201d. Tanto material n\u00e3o passaria em brancas nuvens por eles.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, toda essa amostra de pr\u00e1ticas nefastas e conden\u00e1veis pela maioria das pessoas n\u00e3o foi colocada apenas para chocar. Mojica consegue mostrar uma obra memor\u00e1vel, recheada de cita\u00e7\u00f5es metalingu\u00edsticas das mais variadas fontes, desde da sua pr\u00f3pria persona (que muitas vezes \u00e9 confundida com o diretor, fato esse abordado no filme), com a sua fama de maldito (ao inserir uma apresenta\u00e7\u00e3o de um programa televisivo de grande audi\u00eancia na \u00e9poca, chamado \u201cQuem tem medo da verdade?\u201d, onde ele era julgado por v\u00e1rios artistas), e com o pr\u00f3prio cinema (no espetacular plano final). Aqui tamb\u00e9m Mojica se utiliza do art\u00edf\u00edcio de pincelar a cena-chave do seu filme com cores, constratando com a sua forma documental preto-e-branco habitual. O resultado, al\u00e9m de est\u00e9ticamente ser fenomenal, ainda carrega em suas entranhas e nas cores escolhidas uma import\u00e2ncia fundamental para a trama.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como resultado de todas essas refer\u00eancias, temos uma obra inovadora, que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muito a frente do seu tempo, mas tamb\u00e9m confronta o telespectador, convidando-o a caminhar durante os 90 minutos no mundo bizarro e espetacular de Z\u00e9 do Caix\u00e3o, que \u00e9 nada mais do que a representa\u00e7\u00e3o de muitas das nossas bizarrices, que carregamos no nosso \u00edntimo, mas que fazemos o poss\u00edvel para que as pessoas n\u00e3o a conhe\u00e7am. Nas palavras do pr\u00f3prio: \u201cO meu mundo \u00e9 estranho, mas digno de todos que o queiram aceitar. E nunca corrupto como querem faz\u00ea-lo. Pois \u00e9 composto, meu amigo, de pessoas estranhas, mas n\u00e3o mais estranhas que VOC\u00ca!!!!\u201d E, com isso, temos, por fim, uma obra genial, n\u00e3o s\u00f3 do cinema brasileiro, mas do cinema em geral, feito por uma pessoa que, apesar de sempre se autodeclarar um ignorante, um semi-analfabeto, tem uma grande sensibilidade e uma vis\u00e3o do ser humano (e de suas aberra\u00e7\u00f5es) fora do comum.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E n\u00f3s cin\u00e9filos devemos dar gra\u00e7as a Deus que ele resolveu mostrar essa vis\u00e3o em forma de filmes.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Adney Silva<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se temos um diretor brasileiro que pode ser chamado de maldito, esse \u00e9 Z\u00e9 do Caix\u00e3o. A maioria das pessoas conhece apenas a sua persona e, por isso, muitos a acham no m\u00ednimo inusitada, para n\u00e3o dizer rid\u00edcula. 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