{"id":220,"date":"2008-05-23T16:39:46","date_gmt":"2008-05-23T18:39:46","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=220"},"modified":"2008-05-23T16:39:46","modified_gmt":"2008-05-23T18:39:46","slug":"indiana-jones-e-o-reino-da-caveira-de-cristal-steven-spielberg-2008","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/23\/indiana-jones-e-o-reino-da-caveira-de-cristal-steven-spielberg-2008\/","title":{"rendered":"Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Steven Spielberg, 2008)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/snarkerati.com\/movie-news\/files\/2007\/12\/indiana-jones-crystal-skull-teaser.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pense naquele seu av\u00f4, ou qualquer outro parente\/amigo, que morava numa cidadezinha no interior e que jurava ou tinha um conhecido que jurava ter visto um grupo de luzes estranhas no c\u00e9u, naquela madrugada de ver\u00e3o h\u00e1 doze anos atr\u00e1s. Aproveitando que voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 na internet mesmo, abra outra aba do navegador e procure a\u00ed por \u201ccaso roswell\u201d ou \u201croswell case\u201d no Google; a primeira op\u00e7\u00e3o vai retornar por volta de 151 mil resultados \u2014 e s\u00e3o praticamente s\u00f3 p\u00e1ginas em portugu\u00eas. Se tentar o segundo, 471 mil. Voc\u00ea pode, como eu, achar todas essas hist\u00f3rias de extraterrestres e discos voadores uma grande besteira, nada mais que uma leitura para se distrair num dia tedioso. Mas essa abund\u00e2ncia de p\u00e1ginas apenas sobre um dos casos do g\u00eanero serve para provar o que todo mundo j\u00e1 sabe: esse tipo de coisa exerce um fasc\u00ednio que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de entender; o gosto humano pelo que \u00e9 desconhecido ou inexplic\u00e1vel, afinal, \u00e9 at\u00e9 hoje um dos pilares do cinema-magia, do cinema como f\u00e1brica de sonhos, da era de ouro de Hollywood \u2014 e, mais que isso, \u00e9 o pilar de todas as grandes hist\u00f3rias que sobrevivem ao tempo. E outra coisa ineg\u00e1vel \u00e9 que esse fasc\u00ednio est\u00e1 longe de funcionar s\u00f3 com quem acredita. Quem, afinal, nunca perdeu l\u00e1 seus minutos lendo alguma coisa sobre OVNIs na internet, ou parou de trocar de canais ao deparar com um programa bom ou ruim sobre o tema?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, o aguardado retorno do arque\u00f3logo \u00e0s telas ap\u00f3s um longo hiato de dezenove anos, \u00e9 um mergulho nesse caldeir\u00e3o de refer\u00eancias, mitos, hist\u00f3rias, lendas e tudo o mais ligado a um tema t\u00e3o profundamente enraizado na cultura popular (e nisso h\u00e1 tamb\u00e9m a m\u00e3o de Spielberg, com E.T. e, principalmente, Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Sim, isso significa que o filme \u00e9 atolado de clich\u00eas, que voc\u00ea n\u00e3o vai achar muita coisa nova, que ele se ap\u00f3ia quase totalmente nos \u00edcones que est\u00e3o l\u00e1 na mem\u00f3ria coletiva \u2014 est\u00e1 tudo aqui, a civiliza\u00e7\u00e3o perdida, a suposta intelig\u00eancia superior que ajudou o povo em quest\u00e3o a alcan\u00e7ar uma evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica inimagin\u00e1vel at\u00e9 na nossa \u00e9poca, as promessas de poder absoluto a quem descobrir esse segredo, os monumentos misteriosos ao redor do mundo, e tudo cercado por aquela aura de h\u00e1-algo-realmente-grande-aqui que Spielberg \u00e9 mestre em criar. Quase duas d\u00e9cadas passaram entre a produ\u00e7\u00e3o do terceiro e do quarto filme, quase duas d\u00e9cadas se passaram para Indy, quase duas d\u00e9cadas se passaram para o tipo de narrativa e cinema que \u00e9 alvo da homenagem da vez: saem os grandes contos de aventura do in\u00edcio do s\u00e9culo, as hist\u00f3rias escritas por Rudyard Kipling, as aventuras de Allan Quatermain, permanecem os filmes que se permitiam crer em mist\u00e9rios grandiosos ocultos nas selvas de um mundo ainda parcialmente inexplorado, e entram as hist\u00f3rias que misturam fantasia e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, os contos da Amazing Stories, os livros de bolso pulp impressos num papel de p\u00e9ssima qualidade e vendidos a 25 cents numa banca de jornal qualquer no meio dos anos 50 \u2014 livros dos quais O Reino da Caveira de Cristal parece ter sa\u00eddo, pulando direto para a tela. Estamos na \u00e9poca da Guerra Fria: os nazistas somem, e os sovi\u00e9ticos comunistas tomam o lugar. Essa mudan\u00e7a de cinema homenageado (que n\u00e3o muda em nada a ess\u00eancia, \u00e9 bom ressaltar) chega a ganhar ares de crossover em alguns momentos \u2014 lembra daquele seu her\u00f3i preferido da inf\u00e2ncia, e como voc\u00ea sempre tinha uma hist\u00f3ria em que queria v\u00ea-lo participando? Pois \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E nem um \u00fanico dia passou para o esp\u00edrito da s\u00e9rie, o que \u00e9 o melhor de tudo. N\u00e3o que isso signifique que Spielberg ignora o tempo que passou e o status ic\u00f4nico alcan\u00e7ado por tudo relacionado a Indiana Jones (\u00e9 s\u00f3 ver a cuidadosa prepara\u00e7\u00e3o para a primeira entrada do personagem em cena, ou a aten\u00e7\u00e3o a aspectos marcantes como o j\u00e1 m\u00edtico chap\u00e9u \u2014 Indy n\u00e3o o perde nem ap\u00f3s ter que enfrentar enormes cachoeiras), mas o filme \u00e9 bem menos auto-referencial do que se pode imaginar, e nunca soa como uma esp\u00e9cie de especial ou coisa parecida. \u00c9 mais um epis\u00f3dio da s\u00e9rie e \u00e9 tratado assim.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O epis\u00f3dio que mais euforicamente d\u00e1 um chute na bunda do realismo, diga-se. O n\u00edvel aqui \u00e9 de ponte sendo cortada ao meio em O Templo da Perdi\u00e7\u00e3o para cima, o que \u00e9 muito bom, dado a aura pulp que o filme assume. Garantia de narizes torcidos por a\u00ed, mas \u00e9 \u00f3timo que ainda temos Spielberg \u2014 e n\u00e3o s\u00f3 ele \u2014 mandando \u00e0s favas essa praga que vem contaminando espectadores e realizadores, chegando ao ponto de termos coisas como Batman Begins e gente que vai ver filmes de aventura ou a\u00e7\u00e3o e sai reclamando de passagens ditas for\u00e7adas. O Reino da Caveira de Cristal abra\u00e7a sem remorsos o irrealismo completo, chegando ao seu \u00e1pice na incr\u00edvel e hil\u00e1ria conclus\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o envolvendo os jipes na floresta (cena que j\u00e1 entra sem sustos para a lista que inclui os caminh\u00f5es nazistas, a mina e a luta no tanque de guerra); e trazendo um Indiana Jones na casa dos cinq\u00fcenta ou sessenta anos e fazendo tudo que fazia nos filmes anteriores, com uma ou outra piada ocasional sobre n\u00e3o ser t\u00e3o f\u00e1cil quanto antes \u2014 mas ele ainda consegue, apesar do aparente esfor\u00e7o maior.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E assim chegamos ao protagonista, que continua carism\u00e1tico e ir\u00f4nico como sempre, num trabalho fant\u00e1stico de Harrison Ford, definitivamente nascido para o papel, ou o contr\u00e1rio. E que vem cercado por um elenco na maior parte muito bom, incluindo Cate Blanchett, caricatural ao extremo \u2014 ponto positivo, sim \u2014 como a vil\u00e3 Irina Spalko, Karen Allen, que, junto com Ford, traz de volta, e ainda funcionando muito bem, a rela\u00e7\u00e3o explosiva entre o arque\u00f3logo e Marion Ravenwood, e Shia LaBeouf, no papel que gerou mais temores entre os f\u00e3s do filme, o jovem Mutt Williams, que procura o aux\u00edlio de Indy ao receber uma carta enigm\u00e1tica de sua m\u00e3e citando a caveira de cristal do t\u00edtulo. Mas n\u00e3o h\u00e1 com o que se preocupar: ele est\u00e1 muito longe de ser uma vers\u00e3o IJ do Scooby-Loo; pelo contr\u00e1rio, faz bem ao filme e \u00e9 quando ele entra em cena que a coisa engata de vez \u2014 e melhora depois da passagem da areia movedi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Reino da Caveira de Cristal \u00e9, enfim, uma bem-sucedida retomada de um personagem que marcou a inf\u00e2ncia de toda uma gera\u00e7\u00e3o que o viu no cinema, e ainda de uma outra gera\u00e7\u00e3o que o acompanhou na nost\u00e1lgica Sess\u00e3o da Tarde. E \u00e9 talvez para esse segundo grupo que a experi\u00eancia tenha um significado maior: ouvir a cl\u00e1ssica m\u00fasica de John Williams (que teve uma sacada genial ao compor o tema da caveira) numa sala de cinema, ao mesmo tempo em que vemos a sombra do homem do chap\u00e9u na lateral de um carro, \u00e9 para lembrar por muito tempo. Um filme que n\u00e3o tem medo de se assumir feito por uma crian\u00e7a cheia de imagina\u00e7\u00e3o para outras. Como, ali\u00e1s, sempre s\u00e3o, quando querem, embora com diferentes graus de \u00eaxito, as obras desse herdeiro dos grandes contadores de hist\u00f3rias que \u00e9 Steven Spielberg.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Robson Galluci<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pense naquele seu av\u00f4, ou qualquer outro parente\/amigo, que morava numa cidadezinha no interior e que jurava ou tinha um conhecido que jurava ter visto um grupo de luzes estranhas no c\u00e9u, naquela madrugada de ver\u00e3o h\u00e1 doze anos atr\u00e1s. &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/23\/indiana-jones-e-o-reino-da-caveira-de-cristal-steven-spielberg-2008\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[448,933,997,1090,1091,1247,1696,1900,2111,2183,2285],"class_list":["post-220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-cate-blanchett","tag-george-lucas","tag-harrison-ford","tag-indiana-jones","tag-indiana-jones-4","tag-karen-allen","tag-o-reino-da-caveira-de-cristal","tag-pulp-fiction","tag-shia-labeouf","tag-steven-spielberg","tag-the-kingdom-of-the-crystall-skull"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}