{"id":207,"date":"2008-05-17T13:06:03","date_gmt":"2008-05-17T15:06:03","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=207"},"modified":"2008-05-17T13:06:03","modified_gmt":"2008-05-17T15:06:03","slug":"pat-garret-billy-the-kid-sam-peckinpah-1973","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/17\/pat-garret-billy-the-kid-sam-peckinpah-1973\/","title":{"rendered":"Pat Garrett &#038; Billy the Kid (Sam Peckinpah, 1973)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:black 2px solid;\" src=\"http:\/\/www.mindjack.com\/film\/images\/peckinpah400.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"169\" \/><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mama, take this badge off of me<br \/>\nI can&#8217;t use it anymore.<br \/>\nIt&#8217;s gettin&#8217; dark, too dark for me to see<br \/>\nI feel like I&#8217;m knockin&#8217; on heaven&#8217;s door.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Knock, knock, knockin&#8217; on heaven&#8217;s<br \/>\ndoor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mama, put my guns in the ground<br \/>\nI can&#8217;t shoot them anymore.<br \/>\nThat long black cloud is comin&#8217; down<br \/>\nI feel like I&#8217;m knockin&#8217; on heaven&#8217;s door.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Antes de produzir Pat Garret &amp; Billy the Kid, Peckinpah j\u00e1 havia decretado o fim da era western no cinema, mas nunca de forma t\u00e3o rom\u00e2ntica e aleg\u00f3rica quanto neste monumento erguido \u00e0 passagem do tempo \u2013 que muito bem pode ser encaixado como \u00faltimo cap\u00edtulo do ep\u00edlogo de um g\u00eanero. Ali\u00e1s, tem um \u00fanico plano, sutilmente posicionado no princ\u00edpio da fuga que estabelece a caminhada final de Pat e Billy rumo \u00e0 morte, que mais ou menos representa o pr\u00f3prio filme, em tom e subst\u00e2ncia: um take em contraluz que mostra a silhueta de um dos protagonistas enquanto anda a cavalo \u00e0s margens de um lago, no per\u00edodo crepuscular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 talvez o plano mais representativo de todo o velho-oeste; n\u00e3o este do filme de Peckinpah, mas a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio de se fotografar o cowboy em passos lentos rumando em dire\u00e7\u00e3o a qualquer lugar, com o horizonte ao fundo, abusando de uma atmosfera rom\u00e2ntica e, porque n\u00e3o, completamente \u00e9pica. Mas Peckinpah filma tudo ao contr\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 no horizonte que se forma a silhueta &#8211; ele est\u00e1 encoberto por tantos outros contornos pretos que comp\u00f5em a paisagem arbor\u00edstica da loca\u00e7\u00e3o. O que vemos \u00e9 o reflexo invertido nas \u00e1guas do lago, sempre tremulas, deixando o cowboy desfigurado, torto, com linhas balan\u00e7antes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que encontramos neste Peckinpah n\u00e3o \u00e9 o nosso velho-oeste, aquele que tanto adoramos; vigoroso, embrutecido, musicado pelo tilintar das esporas e recheado com a macheza e viol\u00eancia corriqueiras. Pat Garret &amp; Billy the Kid \u00e9 a distor\u00e7\u00e3o, o fim definitivo de tudo isso, mais do que qualquer outro ensaiado anteriormente \u2013 n\u00e3o simplesmente o desencaixe do velho c\u00f3digo de honra, mas a puni\u00e7\u00e3o a quem ainda n\u00e3o havia se entregado aos novos costumes, atrav\u00e9s dos quais a lei finalmente tomava o posto de maestro social, numa forma de tentar coibir a viol\u00eancia e encobrindo, automaticamente, a justi\u00e7a aut\u00f4noma, pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Garret e Kid, sendo assim, representam dois lados de uma mesma moeda. Ambos s\u00e3o homens \u00e0 moda antiga, velhos amigos, mas que acabam desenvolvendo uma diferen\u00e7a determinante: enquanto Pat se rende ao novo modelo social, Billy nega a adapta\u00e7\u00e3o. O fato que os coloca em lados opostos de uma mesma batalha \u2013 enquanto um permanece como ca\u00e7a, o outro se transforma em ca\u00e7ador \u2013 tamb\u00e9m motiva a melancolia que tanto as imagens, sempre crepusculares em sua anti-epicidade e n\u00e3o raramente representantes de uma antologia totalmente contr\u00e1ria \u00e0 mitologia do western, quanto \u00e0 trilha-sonora de Dylan constroem atrav\u00e9s de cada seq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por sinal, o momento-chave do filme, quando Pat finalmente encontra e assassina Billy the Kid, pode ser visto facilmente como o \u00faltimo suspiro do faroeste. Porque todos sentiam o contragosto sempre expl\u00edcito pelo amargor irrefut\u00e1vel com o qual o personagem de James Coburn mantinha arduamente sua persegui\u00e7\u00e3o a Bill-, n\u00e3o por estar realizando um trabalho do qual n\u00e3o se orgulha, mas por saber que, matando Billy the Kid, estaria fatalmente assassinando a si pr\u00f3prio. E poucas coisas s\u00e3o t\u00e3o dolorosas quanto ver o homem, plenamente iluminado pela claridade solar, trilhar rumo ao horizonte passos mortos que celebram o fim de toda uma era.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diferente de tudo o que voc\u00ea j\u00e1 viu no g\u00eanero &#8211; e na retrata\u00e7\u00e3o de um mito, coisa feita sem nenhum brilho, sem nada de \u00e9pico -, talvez por ser o maior anti-western do mundo. Devastador.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/12\/03\/pat-garrett-e-billy-the-kid-sam-peckinpah-1973\/\">Pat Garrett &amp; Billy the Kid<\/a> (Sam Peckinpah, 1973) &#8211; Pedro Kerr &#8211; 4\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mama, take this badge off of me I can&#8217;t use it anymore. 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