{"id":166,"date":"2008-05-15T18:18:37","date_gmt":"2008-05-15T20:18:37","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=166"},"modified":"2008-05-15T18:18:37","modified_gmt":"2008-05-15T20:18:37","slug":"almas-perversas-fritz-lang-1945","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/15\/almas-perversas-fritz-lang-1945\/","title":{"rendered":"Almas Perversas (Fritz Lang, 1945)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/www.trhonline.com\/Scarletstreet.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"256\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Algo de muito estranho permeia esta magn\u00edfica obra de Fritz Lang. Uma ambig\u00fcidade turva, talvez por ser demasiadamente clara. Uma densidade de superf\u00edcie, talvez por ser demasiadamente profunda \u2013 n\u00e3o saberia distinguir exatamente o qu\u00ea. O que fica expl\u00edcito, por\u00e9m, \u00e9 o senso de ironia incongruentemente borrifado em cada seq\u00fc\u00eancia deste preciosista jogo de canastrices intermin\u00e1veis, atrav\u00e9s do qual Lang apresenta sua vis\u00e3o amarga da moral que rege a sociedade moderna \u2013 que nada mais \u00e9 do que a bab\u00e1 perversa das rela\u00e7\u00f5es humanas, a imoralidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E nada melhor do que situar este seu minucioso olhar sobre a corros\u00e3o da vergonha facial no ambiente mais prop\u00edcio \u00e0 impiedade e ao controle de marionetes dramat\u00fargicas, o noir \u2013 tamb\u00e9m conhecido como o melhor g\u00eanero do cinema. Atrav\u00e9s da obsess\u00e3o de um banc\u00e1rio falido por uma mulher sedutora \u2013 e ainda mais falida -, Lang ultrapassa as barreiras do perfil cl\u00e1ssico do estilo para construir, com toda a sua pompa e senso est\u00e9tico habituais, um delicioso e gradativo afogamento das personagens no mar de conseq\u00fc\u00eancias que brotam de seus pr\u00f3prios excessos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o mais interessante, acima de tudo, \u00e9 a forma com a qual Lang desenvolve as rela\u00e7\u00f5es pessoais deste seu pequeno rebanho de protagonistas. Ningu\u00e9m \u00e9 poupado dos contornos obscuros que acentuam toda a mordacidade existente nas ruas sujas e escuras da velha Nova York. Nem mesmo o \u201cher\u00f3i\u201d \u2013 que fica muito longe de se encaixar em uma defini\u00e7\u00e3o como esta, devido \u00e0 sua mediocridade -, escapa da dubiedade ao se portar, em certos momentos, da mesma forma como seus algozes \u2013 embora, em grande parte do filme, seja um med\u00edocre mesmo (no qual, inclusive, podem-se enxergar fortes influencias sobre o protagonista de O Homem Que N\u00e3o Estava L\u00e1, dos Irm\u00e3os Coen).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E mesmo quando Lang come\u00e7a a ensaiar uma exagerada onda de puni\u00e7\u00e3o sobre seus personagens, consegue driblar o equ\u00edvoco de uma decis\u00e3o como esta (afinal, construir o filme todo acerca da inescrupulosidade descabida e querer julgar tudo depois seria uma grande bobagem) ao retirar uma grande e essencial carta da manga: concentrar seus esfor\u00e7os unicamente na degrada\u00e7\u00e3o do protagonista, que se fodeu o filme todo e a culpa disso tudo foi sua e de ningu\u00e9m mais. E \u00e9 neste ato que Edward G. Robinson nos comprova o porqu\u00ea de ter sido um dos maiores atores de todos, comunicando toda a loucura e a dana\u00e7\u00e3o sem precisar de nenhum outro artif\u00edcio que n\u00e3o seja sua express\u00e3o facial.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Almas Perversas \u00e9 um dos representantes mais genu\u00ednos e complexos do cinema noir, al\u00e9m de um dos melhores filmes a abordar a descida ao inferno promovida pela pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia humana. O jogo de verdades e mentiras desenhado atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o de uma femme fatale no cotidiano de um cidad\u00e3o comum, ali\u00e1s, n\u00e3o apenas vive para ocupar uma das principais posi\u00e7\u00f5es da lista de grandes filmes do cinema noir. Tamb\u00e9m \u00e9, mesmo com a exist\u00eancia de \u00f3timos\/excelentes trabalhos, como Os Corruptos, M, e O Diabo Feito Mulher, o principal trabalho de Lang no cinema \u2013 dentro daquilo que tive oportunidade de ver at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algo de muito estranho permeia esta magn\u00edfica obra de Fritz Lang. Uma ambig\u00fcidade turva, talvez por ser demasiadamente clara. Uma densidade de superf\u00edcie, talvez por ser demasiadamente profunda \u2013 n\u00e3o saberia distinguir exatamente o qu\u00ea. O que fica expl\u00edcito, por\u00e9m, &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/15\/almas-perversas-fritz-lang-1945\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[167,598,852,908,1096,1356,1591,2065,2366,2373],"class_list":["post-166","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-almas-perversas","tag-danacao","tag-femme-fatalle","tag-fritz-lang","tag-inescrupulosidade","tag-loucura","tag-noir","tag-scarlet-street","tag-trauma","tag-triangulo-amoroso"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}