{"id":164,"date":"2008-05-15T18:08:41","date_gmt":"2008-05-15T20:08:41","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=164"},"modified":"2008-05-15T18:08:41","modified_gmt":"2008-05-15T20:08:41","slug":"o-beijo-amargo-samuel-fuller-1964","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/15\/o-beijo-amargo-samuel-fuller-1964\/","title":{"rendered":"O Beijo Amargo (Samuel Fuller, 1964)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/godvsgodard.files.wordpress.com\/2009\/06\/the_naked_kiss.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Grantville parecia ser a cidadezinha perfeita para um ex-prostituta tentar a sorte de conseguir embeber sua vida soturna em um pouco de banalidade. M\u00e3es passeiam com crian\u00e7as pelos parques; homens cordiais encontram-se em esquinas para jogar conversa fora; as ruas parecem limpas, cristalinas, sim\u00e9tricas, ao contr\u00e1rio da sujeira e da podrid\u00e3o inesgot\u00e1veis de uma grande metr\u00f3pole.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um nome determinante, por\u00e9m, faz o sonho despencar imediatamente aos olhos do mais cr\u00e9dulo dos fi\u00e9is: Samuel Fuller, diretor s\u00edmbolo de aud\u00e1cia e transgress\u00e3o (respons\u00e1vel por alguns \u00f3timos trabalhos como o documento-de-recortes Agonia e Gl\u00f3ria). A exemplo do que Lynch arquiteta em sua grande obra-prima, Veludo Azul, Fuller carrega de esperan\u00e7as o universo pacato do interior dos Estados Unidos para, posteriormente, arremessar a lama quente e fedida a merda por todos os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Beijo Amargo pode at\u00e9 ser considerado um t\u00edpico representante do cinema noir, mas no fim acaba sendo uma experi\u00eancia suja, amoral, escandalosa e corruptuosa demais inclusive para o g\u00eanero \u2013 mesmo sendo exatamente estas as caracter\u00edsticas principais do estilo, o que cria um paradoxo bastante interessante. \u00c9, na realidade, um melodrama rasgado por uma ironia muito distante de ser sutil, que consegue encontrar semelhan\u00e7as, talvez, apenas no atual cinema de Lars Von Trier.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ali\u00e1s, \u00e9 curiosa a rela\u00e7\u00e3o que possui com aquela que talvez seja o mais virtuoso exemplo do cinema do dinamarqu\u00eas, Dan\u00e7ando no Escuro. Porque, tanto em um quanto no outro, \u00e9 not\u00e1vel a manipula\u00e7\u00e3o amoral de cada frame do filme para a acentua\u00e7\u00e3o e a fundamenta\u00e7\u00e3o do discurso final &#8211; mas ao contr\u00e1rio do que pode parecer, no fim acaba sendo o mais imprescind\u00edvel elemento para transformar o filme naquilo que ele realmente \u00e9, e n\u00e3o uma sacanagem desastrosa \u2013 talvez o grande exemplo disso seja o manique\u00edsmo das imagens<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Porque a odiss\u00e9ia de mergulho em um mar cada vez mais preenchido de desgra\u00e7a, que leva a protagonista a uma desilus\u00e3o incontrol\u00e1vel com a sociedade na qual est\u00e1 inserida \u2013 mesmo que o fato n\u00e3o seja expl\u00edcito, tanto quanto seus sentimentos, expressados apenas pela inaptid\u00e3o de seu semblante de amargor quase indestrut\u00edvel antes da explos\u00e3o derradeira -, nada mais \u00e9 do que Fuller cravando o dedo nas principais feridas da Am\u00e9rica para comprovar sua tese de que o sonho americano, na realidade, \u00e9 a mais pura utopia, e que o sonho est\u00e1 distante de ser alcan\u00e7ado \u2013 principalmente diante de toda a perversidade que d\u00e1 subs\u00eddio para a ilus\u00e3o do American Way of Life.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grantville parecia ser a cidadezinha perfeita para um ex-prostituta tentar a sorte de conseguir embeber sua vida soturna em um pouco de banalidade. M\u00e3es passeiam com crian\u00e7as pelos parques; homens cordiais encontram-se em esquinas para jogar conversa fora; as ruas &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/15\/o-beijo-amargo-samuel-fuller-1964\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[182,254,1591,1614,1888,2042,2149,2155,2294],"class_list":["post-164","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-american-way-of-life","tag-assassinato","tag-noir","tag-o-beijo-amargo","tag-prostituta","tag-samuel-fuller","tag-sociedade","tag-sonho","tag-the-naked-kiss"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}