{"id":1529,"date":"2008-10-05T05:17:11","date_gmt":"2008-10-05T07:17:11","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1529"},"modified":"2008-10-05T05:17:11","modified_gmt":"2008-10-05T07:17:11","slug":"expresso-para-bordeaux-jean-pierre-melville-1972","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/10\/05\/expresso-para-bordeaux-jean-pierre-melville-1972\/","title":{"rendered":"Expresso Para Bordeaux (Jean-Pierre Melville, 1972)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/img361.imageshack.us\/img361\/1481\/unflic7ev2.png\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"258\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A dor, pra Melville, n\u00e3o tem cheiro, n\u00e3o tem textura, n\u00e3o tem express\u00e3o; n\u00e3o se manifesta no n\u00edvel emocional da superf\u00edcie, capaz de ser captado pelos sentidos humanos. \u00c9 muda, subterr\u00e2nea e deixa no seu rastro apenas e nada mais que uma \u00fanica cor: o azul. Porque \u00e9 o que acontece com o film noir quando passa pelo filtro de Jean-Pierre Melville, e pelos olhos de Alain Delon.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Expresso Para Bordeaux \u00e9 antes de mais nada um dos filmes mais bonitos do mundo. Visualmente mesmo, na tela, e tem aquele mesmo car\u00e1ter frio e limpo de O Samurai, com homens polidos ao inv\u00e9s de filmados, e que d\u00e3o sempre a impress\u00e3o de serem incapazes de transpirar, de sangrar e de sorrir. E apesar de os paralelos com a obra-prima de 67 serem quase inevit\u00e1veis, Expresso potencializa aquela mec\u00e2nica da simetria (cultuada religiosamente at\u00e9 o final para ser estilha\u00e7ada nos \u00faltimos cinco segundos) e vai al\u00e9m, porque ao contr\u00e1rio de O Samurai, apesar da semelhan\u00e7a dos destinos, Melville mant\u00e9m a estrutura laminada e inquebrant\u00e1vel que alicer\u00e7a seu filme, seus personagens e as ruas nebulosas de Paris, elementos que sob a lente do franc\u00eas s\u00e3o irreversivelmente nivelados no timbre af\u00f4nico da dor e do remorso, porque os homens de Melville s\u00e3o profissionais, acima de tudo, e \u00e9 por isso que parecem inexistir como seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os sentimentos est\u00e3o extintos nesta Paris azulada de 72. Eles n\u00e3o aparecem, nunca, ao longo dos 98 minutos de filme, mas acredite (ou n\u00e3o): est\u00e3o todos ali. E o \u00faltimo plano \u00e9 um exemplo brilhante de como se mostra algo sem nem sugerir mostrar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Obra-Prima, e ainda que n\u00e3o seja maior que O Samurai, sust\u00e9m a mesma linha de hipnotismo visual por aquela forma met\u00f3dica e detalhista no limiar da compuls\u00e3o com que Melville filma e reconstr\u00f3i cen\u00e1rios, ruas, paisagens e pessoas ao passarem pela lente da c\u00e2mera e ca\u00edrem no mundo de metal inventado pelo diretor. Porque \u00e9 esta a identidade do noir europeu pro franc\u00eas, escrita em Expresso Para Bordeaux atrav\u00e9s de tr\u00eas personagens, dois olhos e uma cor. Film bleu.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dor, pra Melville, n\u00e3o tem cheiro, n\u00e3o tem textura, n\u00e3o tem express\u00e3o; n\u00e3o se manifesta no n\u00edvel emocional da superf\u00edcie, capaz de ser captado pelos sentidos humanos. \u00c9 muda, subterr\u00e2nea e deixa no seu rastro apenas e nada mais &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/10\/05\/expresso-para-bordeaux-jean-pierre-melville-1972\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[139,449,2526,513,686,691,821,870,875,1168,1309,1456,1591,1698,2414],"class_list":["post-1529","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-alain-delon","tag-catherine-deneuve","tag-cinema","tag-cinema-frances","tag-dinheiro-sujo","tag-dirty-money","tag-expresso-para-bordeaux","tag-film-noir","tag-filmes","tag-jean-pierre-melville","tag-le-samourai","tag-melville","tag-noir","tag-o-samurai","tag-un-flic"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1529\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}