{"id":1471,"date":"2008-09-29T16:23:26","date_gmt":"2008-09-29T18:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1471"},"modified":"2008-09-29T16:23:26","modified_gmt":"2008-09-29T18:23:26","slug":"decada-de-50-especial-james-dean","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/09\/29\/decada-de-50-especial-james-dean\/","title":{"rendered":"D\u00e9cada de 50 (Especial James Dean)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Ao som do rock and roll, a nova m\u00fasica que surgia nos 50, a juventude norte-americana buscava sua pr\u00f3pria moda. Assim, apareceu a moda colegial, que teve origem no sportswear. As mo\u00e7as agora usavam, al\u00e9m das saias rodadas, cal\u00e7as cigarrete at\u00e9 os tornozelos, sapatos baixos, su\u00e9ter e jeans.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O cinema lan\u00e7ou a moda do garoto rebelde, simbolizada por James Dean, no filme &#8220;Juventude Transviada&#8221; (1955), que usava blus\u00e3o de couro e jeans. Marlon Brando tamb\u00e9m sugeria um visual displicente no filme &#8220;Um Bonde Chamado Desejo&#8221; (1951), transformando a camiseta branca em um s\u00edmbolo da juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 na Inglaterra, alguns londrinos voltaram a usar o estilo eduardiano, mas com um componente mais agressivo, com longos jaquet\u00f5es de veludo, coloridos e vistosos, al\u00e9m de um topete enrolado. Eram os &#8220;teddy-boys&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao final dos anos 50, a confec\u00e7\u00e3o se apresentava como a grande oportunidade de democratiza\u00e7\u00e3o da moda, que come\u00e7ou a fazer parte da vida cotidiana. Nesse cen\u00e1rio, come\u00e7ava a se formar um mercado com um grande potencial, o da moda jovem, que se tornaria o grande fil\u00e3o dos anos 60. No Brasil, desfilavam os playboys de Copacabana em seus Cadilacs e cabelos penteados com o dedo ao estilo de Elvis. Sapatos brancos mocassim, cal\u00e7a rancheira e camisa Ban-Lan. A juventude rebelde andava de \u201cLambreta\u201d e mascavam chicletes. Os homens usavam \u201cRay Ban\u201d e as mulheres, len\u00e7o no pesco\u00e7o. Com a explos\u00e3o feminista, Marilyn Monroe era s\u00edmbolo sexual no Brasil e Marta Rocha, que perdeu o titulo de Miss Universo pelas duas polegadas a mais de quadril, passa a ser o \u00edcone de beleza brasileira. Na moda praia, as extensas roupas de banho femininas perderam espa\u00e7o para o ousado mai\u00f4, que mostrava as coxas e os ombros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os Anos Dourados (assim chamado pelo crescimento industrial e econ\u00f4mico p\u00f3s-guerra) tamb\u00e9m marcaram o Brasil pelo surgimento do Rock. \u201cA musica de quem quer matar o pai\u201d \u2013 como diziam os jovens \u2013 era repudiada pelos conservadores, que considerava o estilo de vida uma decad\u00eancia e uma loucura. As m\u00fasicas eram importadas dos Estados Unidos, assim como o jeito de se vestir dos \u201crebeldes sem causa\u201d. Percebendo o sucesso do Rock`n Roll, as gravadoras come\u00e7aram a procurar \u201chomens de fam\u00edlia\u201d e \u201cmeninas de bem\u201d para formar um grupo de rock. Formado pelos jovens China, Al\u00eanio Trindade, Tim Maia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos, a \u201cTurma do Matoso\u201d foi uma das primeiras bandas de rock brasileiro. Cely Campelo era \u2018\u00eddolo dos adolescentes que lutavam contra a repress\u00e3o sexual e pela liberdade de express\u00e3o. Seus rits foram: Est\u00fapido Cupido, Banho de Lua e Broto Legal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A Gera\u00e7\u00e3o Coca-Cola, bombardeada com o crescimento econ\u00f4mico e com incentivo governamental de importa\u00e7\u00e3o, viveu um consumismo extremado e uma rebeldia quase copiada. O \u201cAmerican Way of Life\u201d, ao mesmo tempo em que deu ao jovem brasileiro da classe m\u00e9dia uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e prazer, trouxe uma desigualdade social muito grande pelo monop\u00f3lio industrial `as fam\u00edlias de classes mais baixas.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>O Selvagem (Laslo Benedek, 1953)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/img131.imageshack.us\/img131\/2012\/marlonbrando1ac2.jpg\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"307\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As gangues de motocicletas, hoje encaradas com total normalidade, j\u00e1 foram causa de dores de cabe\u00e7a para as autoridades e at\u00e9 mesmo de medo para a popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nos EUA. Acostumado a uma vida pacata, baseada na boa e velha moral crist\u00e3, o povo via com maus olhos aqueles estranhos jovens que, montados em motos, viajavam por a\u00ed sem rumo, com o vento a estapear-lhes a face. Entretanto, para muitos jovens da rec\u00e9m-nascida d\u00e9cada de 50, ter toda essa liberdade deve ter sido um sonho. Andar de motocicleta, beber, brigar, cuspir em cima da lei&#8230; enfim, ser um REBELDE (com todas as letras mai\u00fasculas e, talvez, at\u00e9 separadas entre si por h\u00edfen) era o sinal de um novo estilo de vida. Um estilo pouqu\u00edssimo preocupado com o ideal de vida norte-americano (ou brasileiro, japon\u00eas, russo, uzbequistan\u00eas \u2013 ser\u00e1 que \u00e9 assim que escreve? \u2013 ou seja, at\u00e9 da putaquepariu) e aberto para uma nova era, que despertava com o estridente choro do tamb\u00e9m rec\u00e9m-nascido rock n\u2019 roll.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta sua quinta apari\u00e7\u00e3o na tela grande, Marlon Brando \u00e9 Johnny. Bem, na verdade, seu nome \u00e9 John Strabler, mas isso pouca importa, afinal de contas, ele \u00e9 legal demais para um nome como esse. And he\u2019s bad to the bones, baby! L\u00edder de uma gangue de motociclistas chamada Black Rebel Motorcycle Club, Johnny viaja por a\u00ed, como tantos outros motociclistas, em busca de divers\u00e3o, seja ela em forma de festas, garotas ou uma boa briga, mesmo. Ap\u00f3s criar um tumulto durante uma corrida de motos na pequena cidade de Carbonville, onde roubam o trof\u00e9u do vice-campe\u00e3o da corrida, Johnny e seus companheiros entram em outra pequena cidade e dirigem-se at\u00e9 o bar local. As pessoas da pacata localidade estranham o bando de jovens alucinados e barulhentos que acaba de chegar, mas tentam ser o mais hospitaleiros poss\u00edvel, afinal, os rapazes podem garantir muito lucro ao bar, com toda a cerveja que certamente ir\u00e3o beber. Entretanto, antes de entrarem no bar, provocam um acidente entre um deles e o carro de um velho senhor. Machucado no tornozelo, o motociclista \u00e9 levado ao m\u00e9dico, o que leva Johnny a decidir ficar na cidade, enquanto o companheiro se recupera.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, o que os demais motoqueiros v\u00e3o descobrindo aos poucos, \u00e9 que Johnny tem outro motivo para querer ficar. A bela atendente do caf\u00e9 (e filha do policial respons\u00e1vel pela cidade) chamou a aten\u00e7\u00e3o do l\u00edder do bando. Enquanto sente-se atra\u00eddo pela mo\u00e7a que n\u00e3o parece se interessar nem um pouco pela vida desregrada dele, Johnny ainda precisa lidar com o pai da garota, que tenta resolver tudo na conversa, mesmo sabendo que o bando de Johnny n\u00e3o pode ser boa coisa, com o seu bando e com um bando rival que aparece na cidade. Claramente desnorteado pelas novidades que o cercam, Johnny passa a questionar o tipo de vida que leva.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Apesar de toda a aura cult que esse filme recebeu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e9 importante salientar que em momento algum Laslo Benedek exalta a vida que Johnny e seus amigos levam. Mesmo que n\u00e3o os critique de forma aberta, o roteiro de John Paxton, por vezes, at\u00e9 trata os terr\u00edveis motoqueiros como quem trata de crian\u00e7as que ainda n\u00e3o perceberam que suas inf\u00e2ncias j\u00e1 se passaram. Johnny e os demais, portanto, s\u00e3o encarados como um produto de uma \u00e9poca inst\u00e1vel e de transi\u00e7\u00e3o. Se, na \u00e9poca, era dif\u00edcil classificar tais motoqueiros como um \u201cc\u00e2ncer da sociedade\u201d, eram ainda menores os motivos para classific\u00e1-los como \u201cbons\u201d. Por isso, ao inv\u00e9s de crucificar os jovens rebeldes da \u00e9poca, o filme prefere fazer uma cr\u00edtica \u00e1cida \u00e0 uma sociedade que n\u00e3o conseguia lidar com o problema de frente. E o personagem que melhor representa essa sociedade \u00e9 justamente o policial pai de Kathie. Claramente amedrontado pelo que os motoqueiros poderiam vir a fazer em sua cidade, ele nunca toma uma postura diante dos eventos que acontecem na cidade. E \u00e9 essa sua atitude irrespons\u00e1vel que acaba por permitir que os eventos culminem de forma tr\u00e1gica, como os letreiros iniciais do filme anunciam. Por outro lado, os demais moradores da cidade tamb\u00e9m n\u00e3o parecem compreender o tamanho da situa\u00e7\u00e3o e, desde o primeiro momento, clamam pela pris\u00e3o dos motoqueiros, como se estes fossem a encarna\u00e7\u00e3o do crime. Compreendendo a fraqueza dessa sociedade, o filme nos permite passear entre esses questionamentos e a confus\u00e3o que se passa dentro de Johnny.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Confrontado de forma incisiva por uma realidade que ele sempre negou, o rapaz se v\u00ea tentado a deixar de ser o que \u00e9 por uma vida mais tranq\u00fcila. \u00c9 muito interessante perceber como ele \u00e9 completamente evasivo quando Kathie tenta questionar a vida que ele leva. Mais interessante ainda \u00e9 perceber como doeu nele o impacto das palavras de Kathie, quando esta descreve um passeio de motocicleta. Basicamente, a mo\u00e7a diz que, ao andar de moto e sentir o vento em seu rosto, por um momento ela esqueceu o medo que sentia. E isso a fez perceber o porqu\u00ea de Johnny viajar de motocicleta sem rumo. Mesmo que ele jamais chegue a admitir isso, \u00e9, realmente, de se considerar se Johnny n\u00e3o estaria meramente fugindo, com medo, de uma vida que ele julga pesada demais para si. O grande momento do filme \u00e9 este: \u00e9 o momento em que Marlon Brando, com sua magn\u00edfica atua\u00e7\u00e3o, nos permite enxergar o que se passa dentro de Johnny. O porqu\u00ea dele ser quem \u00e9&#8230; e o porqu\u00ea dele n\u00e3o poder deixar de ser quem \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em aspectos t\u00e9cnicos, digo que Laslo Bedenek cria tomadas bel\u00edssimas em grande parte do filme, sobretudo aquelas onde contemplamos Johnny e os demais em suas viagens e a tomada inicial, onde tudo o que se v\u00ea s\u00e3o as rodas da motocicleta (e uma delas derrapando pertinho da c\u00e2mera). Isso, somado \u00e0 \u00f3tima trilha sonora criam um clima incr\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o e, claro, rebeldia.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/img217.imageshack.us\/img217\/5084\/boton1iu2hv3.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Murilo Lopes de Oliveira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao som do rock and roll, a nova m\u00fasica que surgia nos 50, a juventude norte-americana buscava sua pr\u00f3pria moda. Assim, apareceu a moda colegial, que teve origem no sportswear. 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