{"id":146,"date":"2008-05-14T14:49:57","date_gmt":"2008-05-14T16:49:57","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=146"},"modified":"2008-05-14T14:49:57","modified_gmt":"2008-05-14T16:49:57","slug":"cloverfield-matt-reeves-2008","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/14\/cloverfield-matt-reeves-2008\/","title":{"rendered":"Cloverfield (Matt Reeves, 2008)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.toxicshock.tv\/news\/wp-content\/uploads\/more_cloverfield_stills2.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"327\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O \u00fanico conhecimento sobre o que se segue ao desfecho de Cloverfield (que no Brasil recebeu um subt\u00edtulo que ser\u00e1 desprezado aqui) \u00e9 exibido nos primeiros segundos do filme: o governo dos EUA ainda existe; o Central Park n\u00e3o (melhor seria o contr\u00e1rio); e as imagens que ser\u00e3o vistas constam de uma fita encontrada aonde antes ficava o Central Park. O fato de que tais informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o oferecidas desde o princ\u00edpio \u00e9 essencial para determinar o real valor dessa obra singular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O garot\u00e3o Rob est\u00e1 de partida para o Jap\u00e3o, onde ser\u00e1 vice-presidente de uma empresa. Na noite da despedida, o irm\u00e3o dele, Jason, a namorada deste, Lily, e o melhor amigo de Rob, Hud, organizam uma festa surpresa. Hud fica encarregado de documentar o evento. Toda a est\u00f3ria \u00e9 mostrada a partir da c\u00e2mera que Hud carrega. Mas h\u00e1 um problema. \u201cMonstro\u201d, voc\u00ea grita!!  &#8211; \u201cMonstro!?\u201d, voc\u00ea grita. &#8211; N\u00e3o, ainda n\u00e3o. O problema \u00e9 que Rob esteve desde sempre apaixonado por Beth, e poucos dias antes eles finalmente ficaram juntos. A partida dele p\u00f5e um fim a essa breve e t\u00e3o sonhada est\u00f3ria de amor. Porque Cloverfield \u00e9, na verdade, sobre isso. Um cara, uma garota. E no meio aparece um monstro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Todo o primeiro ato \u00e9 lento, at\u00e9 mesmo chato. Se poderia \u2013 Pode-se at\u00e9 &#8211; dizer que o filme falha, mas isso estaria incorreto, pois o ritmo e o conte\u00fado das grava\u00e7\u00f5es que antecedem ao aparecimento da criatura servem exatamente para real\u00e7ar o passo fren\u00e9tico que vir\u00e1 a seguir. Incidentalmente, esse ato serve tamb\u00e9m para introduzir os personagens ao espectador, e nisso sim o filme peca. Os \u00fanicos que atingem alguma profundidade, ainda que m\u00ednima, s\u00e3o Rob e Beth. Ele serve de piv\u00f4 para todos os eventos. Ela, por outro lado, quase n\u00e3o participa dos acontecimentos da noite do ataque, mas se beneficia da introdu\u00e7\u00e3o de flashbacks, uma das id\u00e9ias mais inteligentes de Cloverfield. Os sentimentos que Rob e Beth nutrem um pelo outro v\u00e3o definir a noite, e a vida, deles pr\u00f3prios e dos que os cercam. No que diz respeito aos outros personagens, n\u00e3o se encontra mais do que uma representa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de irm\u00e3o, de melhor amigo, etc&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando finalmente o ataque come\u00e7a, a obra vai a outro n\u00edvel. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida e inesperada, e cabe ao espectador t\u00e3o somente acompanhar os personagens, t\u00e3o desprevenido, vulner\u00e1vel e ignorante de sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o quanto eles. O ponto alto de Cloverfield \u00e9 esse, rapidamente a plat\u00e9ia se coloca em estado de alerta, pois percebe que n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a, tudo pode acabar em trag\u00e9dia a qualquer momento \u2013 pelo menos para alguns deles, pois se sabe que o fim mesmo s\u00f3 vir\u00e1 no Central Park. A tens\u00e3o, em alguns momentos, torna-se quase palp\u00e1vel, e a seq\u00fc\u00eancia que se passa dentro do t\u00fanel do metr\u00f4 merece figurar entre as melhores do cinema recente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Chega ent\u00e3o o momento de fechar o c\u00edrculo. E encontra-se aqui a relev\u00e2ncia das informa\u00e7\u00f5es oferecidas no in\u00edcio da proje\u00e7\u00e3o. Quando o filme entra em seu trecho final, o espectador \u00e9 levado a imaginar o que acontecer\u00e1 a seguir. Pense na maneira mais \u00f3bvia de encerrar uma est\u00f3ria como a proposta por Cloverfield.  E, infelizmente, \u00e9 isso mesmo o que acontece. Ocorre ainda a tentativa de mascarar esse final, repetindo um expediente utilizado anteriormente na pr\u00f3pria obra, mas este, tanto por n\u00e3o oferecer o que o filme pedia quanto por ser mal executado, n\u00e3o atenua o pecado final.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Cloverfield possui, afinal, duas metades combinadas: uma est\u00f3ria de amor em situa\u00e7\u00f5es extremas e uma estonteante seq\u00fc\u00eancia de a\u00e7\u00e3o e suspense. Mas \u00e0 medida que o filme se aproxima do fim, a primeira metade \u00e9 sacrificada em benef\u00edcio da segunda. Qualquer pessoa que j\u00e1 tenha amado sabe que amar ou imaginar estar amando s\u00e3o equivalentes, e que quando isso acontece, nada carece de boas raz\u00f5es. Mas a obra falha em transmitir essa sensa\u00e7\u00e3o, e esse erro se aprofunda ao longo da proje\u00e7\u00e3o. Tivesse conseguido manter as duas metades conectadas at\u00e9 o fim, refletindo a rela\u00e7\u00e3o do casal sobre o evento apocal\u00edptico que assola Nova York, Cloverfield poderia ser uma obra-prima. Esteve a um passo disso, mas acabou trope\u00e7ando em sua pr\u00f3pria armadilha: perdeu-se de tanto correr na escurid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Marcelo Dillenburg<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00fanico conhecimento sobre o que se segue ao desfecho de Cloverfield (que no Brasil recebeu um subt\u00edtulo que ser\u00e1 desprezado aqui) \u00e9 exibido nos primeiros segundos do filme: o governo dos EUA ainda existe; o Central Park n\u00e3o (melhor &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/14\/cloverfield-matt-reeves-2008\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[540,1163,1350,1433],"class_list":["post-146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-cloverfield","tag-jessica-lucas","tag-lizzy-caplan","tag-matt-reeves"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}