{"id":145,"date":"2008-05-14T14:40:07","date_gmt":"2008-05-14T16:40:07","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=145"},"modified":"2008-05-14T14:40:07","modified_gmt":"2008-05-14T16:40:07","slug":"eu-sou-a-lenda-francis-lawrence-2007","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/14\/eu-sou-a-lenda-francis-lawrence-2007\/","title":{"rendered":"Eu Sou a Lenda (Francis Lawrence, 2007)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tiagofarrajota.com\/imagens\/iamlegendmovie.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"269\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Will Smith vem a\u00ed! Com uma carreira relativamente curta como ator (seu primeiro trabalho foi em 1990, num especial de TV), Smith apareceu, verdadeiramente, com o seriado The Fresh Prince of Bel Air (intitulado Um Maluco no Peda\u00e7o, aqui no Brasil e em freq\u00fcente exibi\u00e7\u00e3o pelo SBT) e seguiu carreira com atua\u00e7\u00f5es que sempre pendiam para as gracinhas que se acostumara a fazer no j\u00e1 citado seriado e para o rap, \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d inc\u00f4moda que Smith tentou emplacar a todo custo mas que, por azar dele e sorte nossa, nunca, de fato, deu certo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No cinema, Smith colaborou duas vezes com Michael Bay nos infames Bad Boys I e II, por\u00e9m, atingiu maior sucesso em Independence Day, de Roland Emmerich e, mostrando que tinha gostado da id\u00e9ia dos alien\u00edgenas, participou das duas vers\u00f5es de MIB \u2013 Homens de Preto, ao lado de Tommy Lee Jones. Al\u00e9m desses projetos, ainda vale citar Ali, de Michael Mann e Eu, Rob\u00f4 de Alex Proyas. Foi mais ou menos a partir da\u00ed que tanto a cr\u00edtica quanto o p\u00fablico deram-se conta de uma coisa: Smith, como comediante e ator de filmes de a\u00e7\u00e3o era engra\u00e7adinho, mas, como ator dram\u00e1tico, era competente! N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, portanto, que os \u00faltimos tr\u00eas trabalhos de Smith (Hitch \u2013 Conselheiro Amoroso, \u00c0 Procura da Felicidade e este Eu Sou A Lenda) sejam t\u00e3o calcados no aspecto dram\u00e1tico do protagonista.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pois bem, chegamos \u00e0 Eu Sou A Lenda. Francis Lawrence (diretor de videoclips e do apenas bom Constantine) \u00e9 coeso em sua dire\u00e7\u00e3o e consegue proporcionar alguns bons momentos. Por\u00e9m, o que derruba mesmo esse projeto (ali\u00e1s, que conste j\u00e1: Eu Sou A Lenda n\u00e3o passa de um filme mediano) s\u00e3o seus aspectos t\u00e9cnicos e a pressa com que \u00e9 conduzido. Mas falemos um pouco sobre a trama antes de a\u00e7oitarmos o filme por suas falhas: Will Smith \u00e9 Robert Neville , um tenente (ou tenente-coronel, n\u00e3o sei&#8230; as legendas do filme n\u00e3o conseguiam se decidir entre um ou outro) do ex\u00e9rcito americano, al\u00e9m de ser um cientista. Ap\u00f3s o planeta ser assolado por um v\u00edrus mortal e indestrut\u00edvel, Neville \u00e9, aparentemente, o \u00faltimo sobrevivente da ra\u00e7a humana, devido sua imunidade ao v\u00edrus. Sua \u00fanica companhia \u00e9 a cadela Sam, com quem Neville conversa, discute e repreende duramente por suas a\u00e7\u00f5es \u201cimpensadas\u201d. Entretanto, o personagem de Smith sabe que n\u00e3o est\u00e1 exatamente sozinho no planeta: em recantos escuros de pr\u00e9dios abandonados vive aquilo que sobrou da humanidade: aqueles que n\u00e3o foram mortos pelo v\u00edrus acabaram se transformando em criaturas irracionais e vorazes por carne.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesse contexto, Neville sobrevive \u00e0s custas daquilo que encontra de \u00fatil na cidade de Nova York (n\u00e3o posso deixar de comentar que a coisa mais \u00fatil que ele encontra \u00e9 um Shelby GT500 que usa para perseguir cervos pelas ruas desertas de NY) e, insistentemente, envia um sinal de r\u00e1dio, na esperan\u00e7a de encontrar outros sobreviventes como ele. \u00c0 noite, por\u00e9m, Neville inicia o ritual mais importante: trancar-se em casa. Como as tais criaturas possuem h\u00e1bitos noturnos (sendo, assim, sens\u00edveis aos raios UV), abandonam seu ref\u00fagio para ca\u00e7ar \u00e0 noite. Transformando sua casa em uma verdadeira fortaleza, Neville passa as noites assistindo \u00e0 filmes que ele \u201caluga\u201d na cidade e tentando descobrir uma vacina para o terr\u00edvel v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os primeiros atos do filme s\u00e3o seus pontos fortes: a apresenta\u00e7\u00e3o de Neville e seu modo de viver numa cidade deserta \u00e9 bastante eficaz e encontra seu ponto alto em duas cenas: a da ca\u00e7ada aos cervos e a que nos mostra, pela primeira vez, uma visita de Neville \u00e0 video-locadora que ele freq\u00fcenta. Percebe-se, portanto, que o soldado-cientista est\u00e1 se esfor\u00e7ando bravamente para n\u00e3o se deixar tomar pelo desespero de estar sozinho e a n\u00e3o sucumbir \u00e0 loucura que pode surgir dessa situa\u00e7\u00e3o. Percebendo a dimens\u00e3o que seu personagem possui, Smith comp\u00f5e Neville como um homem que se mant\u00e9m forte diante de uma realidade que o castiga duramente, seja pelo fato dele ser obrigado a viver sozinho, seja pela perda tr\u00e1gica de sua fam\u00edlia (que nos \u00e9 mostrada atrav\u00e9s de flashbacks, bem como as linhas gerais de tudo o que se passou nos dias anteriores \u00e0 quase-extin\u00e7\u00e3o da humanidade).<br \/>\nEntretanto, a partir do momento em que conhecemos as criaturas que Neville tanto teme, o filme descamba (o que \u00e9 uma pena, uma vez que conhecemos as criaturas em uma \u00f3tima e tensa cena), s\u00f3 ganhando um pouco de f\u00f4lego em uma cena em que Neville tem sua perna ferida e precisa rastejar. As criaturas, por sua vez, s\u00e3o desastrosas, n\u00e3o conseguindo causar, em momento algum, a m\u00ednina sensa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a. Feitas digitalmente, elas s\u00e3o pl\u00e1sticas demais e muito \u201climpas\u201d. N\u00e3o d\u00e1 pra deixar de imaginar o que seria esse filme, nesse quesito, se estivesse nas m\u00e3os de George A. Romero ou Lucio Fulci (caso este \u00faltimo ainda estivesse vivo).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Outro aspecto fraco do filme \u00e9 a personagem de Alice Braga que, apesar de mostrar uma atua\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria, acaba sendo prejudicada pelo fato de sua personagem ser simplesmente algu\u00e9m para Neville conversar e dar desfecho ao filme. Pendurada numa vaga esperan\u00e7a de existir um acampamento de sobreviventes (Exterm\u00ednio, algu\u00e9m?), Anna \u00e9 somente o estere\u00f3tipo de m\u00e3e-que-quer-salvar-seu-filho-da-terr\u00edvel-situa\u00e7\u00e3o-que-os-cerca (ah, perd\u00e3o! Ela \u00e9, tamb\u00e9m, a primeira garota paulistana da Hist\u00f3ria que nunca ouviu falar em Bob Marley).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Perdendo completamente a linha em seus \u00faltimos atos, Eu Sou A Lenda torna-se enfadonho e esquem\u00e1tico (e at\u00e9 mesmo vergonhoso, se lembrarmos das cenas em que a criatura macho-alfa aparece), n\u00e3o conseguindo manter a tens\u00e3o que a cena da primeira apari\u00e7\u00e3o das criaturas prometera. Por\u00e9m, torna-se v\u00e1lido gra\u00e7as \u00e0s cenas em que Smith est\u00e1 sozinho e mostrando sua compet\u00eancia para o drama. Uma pena que o roteiro acredite que o carisma de seu protagonista seja o bastante para segurar um filme inteiro nas costas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Murilo Lopes de Oliveira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Will Smith vem a\u00ed! 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