{"id":143,"date":"2008-05-14T15:57:40","date_gmt":"2008-05-14T17:57:40","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=143"},"modified":"2008-05-14T15:57:40","modified_gmt":"2008-05-14T17:57:40","slug":"sexta-feira-13-parte-vi-%e2%80%93-jason-vive-tom-mcloughlin-1986","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/14\/sexta-feira-13-parte-vi-%e2%80%93-jason-vive-tom-mcloughlin-1986\/","title":{"rendered":"Sexta-feira 13 Parte VI \u2013 Jason Vive (Tom McLoughlin, 1986)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.x-entertainment.com\/halloween\/2004\/october25\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"293\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os <em>slashes movies<\/em>, ou \u201ccinema a\u00e7ougue\u201d, numa tradu\u00e7\u00e3o livre, \u00e9 um subg\u00eanero de terror\/horror que surgiu na It\u00e1lia na d\u00e9cada de 60. Diretamente inspirado no suspense Psicose (Psycho, Dir.: Alfred Hitchcock, 1960), esse subg\u00eanero acabou consagrando grandes nomes daquele pa\u00eds que at\u00e9 hoje s\u00e3o lembrados (Dario Argento, Mario Bava, entre outros). N\u00e3o demorou muito para que os americanos se apoderassem dele. Na d\u00e9cada de 70, dois t\u00edtulos chamaram bastante aten\u00e7\u00e3o: O Massacre da Serra El\u00e9trica (Texas Chainsaw Massacre, Dir.: Tobe Hopper, 1974) e Halloween \u2013 A Noite do Terror (Halloween, Dir.: John Carpenter, 1978). O primeiro era um <em>slasher movie<\/em> \u201cpuro\u201d. Assassino mascarado (Letherface), muito sangue, muito <em>gore<\/em>, viol\u00eancia expl\u00edcita e jovens mo\u00e7as correndo e gritando. J\u00e1 o segundo, \u00e9 um filme mais art\u00edstico e saiu das m\u00e3os criativas do diretor <em>cult<\/em> John Carpenter. Mesmo trazendo os mesmos elementos dos <em>slashers<\/em>, Carpenter n\u00e3o trouxe tanto sangue e viol\u00eancia, privilegiando mais o suspense. Michael Myers n\u00e3o era simplesmente um assassino mascarado, mas a representa\u00e7\u00e3o do \u201cbicho-pap\u00e3o\u201d, ou, melhor dizendo, a morte s\u00fabita que vinha da escurid\u00e3o. Com o sucesso desses filmes, n\u00e3o era de se estranhar que v\u00e1rios &#8220;clones&#8221; sa\u00edssem. Nessa primeira leva \u00e9 que surge Sexta-feira 13 (Friday the 13th, Dir.: Sean S. Cunnigham, 1980). Pequeno filme independente, sem muitas pretens\u00f5es, feito com o objetivo de dar um sucesso comercial para o diretor Sean S.Cunnigham, que j\u00e1 havia sido produtor de alguns filmes de horror na d\u00e9cada de 70. Ao contr\u00e1rio de outros clones da \u00e9poca que simplesmente tentavam copiar ou Massacre da Serra El\u00e9trica ou Halloween, para o seu filme, Sean, conhecedor dos slashers italianos, resolveu ir \u201cbeber na fonte\u201d se inspirando diretamente nesses filmes. E no \u201cmeio dessa multid\u00e3o\u201d, Sexta-feira 13 acabou chamando a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era art\u00edstico como Halloween, mas tamb\u00e9m n\u00e3o era t\u00e3o cru como Massacre, e independente da qualidade ou n\u00e3o do filme, fez sucesso. Isso foi s\u00f3 o pontap\u00e9 inicial para surgir umas das maiores franquias do cinema. Pelo menos em quantidade de filmes, e n\u00e3o necessariamente em qualidade&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As continua\u00e7\u00f5es de Sexta-feira 13 n\u00e3o demoraram a aparecer. No ano seguinte, surgiu Sexta-feira 13 Parte II (Friday the 13th Part 2, Dir.: Steve Miner, 1981), e aqui come\u00e7a o que podemos chamar de \u201csaga de Jason Voorhees\u201d. De uma crian\u00e7a inocente que morreu afogada num lago (o personagem teve uma participa\u00e7\u00e3o muito breve no 1\u00ba filme), Jason passaria a ser o adulto man\u00edaco que assassinava os jovens do acampamento pr\u00f3ximo a Crystal Lake. Com isso, Sean S. Cunningham, diretor do filme original, resolveu abandonar o barco, acreditando que a id\u00e9ia de transformar Jason em vil\u00e3o era uma grande bobagem (hoje em dia, ele admite que estava completamente errado). Resultado: Mesmo o roteiro da Parte II sabendo construir bem o personagem e sua mitologia, tentando diferenci\u00e1-lo de outros <em>serial killers <\/em>da \u00e9poca (Michael Myers e Letherface), o primeiro filme que trouxe Jason como vil\u00e3o n\u00e3o rendeu nas bilheterias, e o sucesso comercial s\u00f3 voltaria nas pr\u00f3ximas continua\u00e7\u00f5es, que desistiram de aprofundar o personagem, e investiram mais na matan\u00e7a desenfreada. A seguinte, Sexta-feira 13 Parte III (Friday the 13th Part III, Dir.: Steve Miner, 1982), fez sucesso basicamente pelos efeitos 3D, e pelo fato de Jason ter come\u00e7ado a usar sua famosa m\u00e1scara de h\u00f3quei (que viraria sua marca registrada). J\u00e1 a Parte IV, fez sucesso simplesmente por prometer ser o \u00faltimo filme da s\u00e9rie. Com o nome de Sexta-feira 13 \u2013 Cap\u00edtulo Final (Friday the 13th \u2013 The Final Chapter, Dir.: Joseph Zito, 1984), aqui o famoso assassino mascarado \u00e9 finalmente morto. Fim? N\u00e3o mesmo. Com dois sucessos comerciais seguidos nas mangas, os produtores n\u00e3o pensaram duas vezes em continuar com a s\u00e9rie. Com isso, veio Sexta-feira 13 Parte V \u2013 Um Novo Come\u00e7o (Friday the 13th \u2013 A New Beginning, Dir.: Danny Steinmann, 1985), que pretendia dar um rein\u00edcio, trazendo um outro assassino misterioso. Mas pelo resultado p\u00edfio do filme (tanto em qualidade como em bilheteria), os produtores deram com a cara na parede e a s\u00e9rie teve que ser repensada para o pr\u00f3ximo filme&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tudo isso foi um resumo do que tinha acontecido at\u00e9 aqui. Mas chegamos ao in\u00edcio da segunda metade da d\u00e9cada de 80, ano de 1986, \u00e9poca em que um outro subg\u00eanero do terror j\u00e1 chamava bastante aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Era o chamado <em>Terrir<\/em>: Filmes de terror, com toques de humor. V\u00e1rios outros subg\u00eaneros de terror ganharam sua vers\u00e3o terrir na d\u00e9cada de 80. Citando alguns exemplos, temos Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, Dir.: John Landis, 1981) &#8211; Filmes de Lobisomem; A Hora do Espanto (Fright Night, Dir.: Tom Holland, 1985) &#8211; Filmes de Vampiro; A Casa do Espanto (House, Dir.: Steve Miner, 1986) &#8211; Filmes de Casa Mal Assombrada; A Volta dos Mortos Vivos (The Return of the Living Dead, Dir.: Dan O\u2019Bannon, 1985) &#8211; Filmes de zumbis. E logo os <em>slashers movies <\/em>que acabavam de ser firmados no mercado americano, tamb\u00e9m ganharam sua vers\u00e3o terrir. O curioso \u00e9 que o slasher movie terrir seria justamente a Parte VI de Sexta-feira 13, que foi o filme que solidificou esse subg\u00eanero nesse mercado. Isso acabou sendo uma jogada certeira dos produtores, que aqui resolveram abandonar o tom um pouco mais sisudo dos anteriores, fazendo um filme que ao mesmo tempo em que se respeitam \u00e0s regras estabelecidas pelos <em>slashes<\/em>, tamb\u00e9m n\u00e3o teria medo de rir desse subg\u00eanero, nem da s\u00e9rie, e muito menos dos seus f\u00e3s&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sim. Os f\u00e3s sofreram uma severa cr\u00edtica nessa 6\u00aa Parte. Para traduzir isso, tem uma frase dita por um dos personagens. Num determinado momento, Martin, o coveiro do cemit\u00e9rio \u201cPaz Eterna\u201d, ao ver o caix\u00e3o de Jason descoberto, lan\u00e7a a ir\u00f4nica pergunta: \u201c<em>Quem teve a id\u00e9ia de desenterrar Jason? Esse pessoal tem um modo muito estranho de se entreter<\/em>.\u201d Nessa pequena fala se critica explicitamente os f\u00e3s, j\u00e1 que os produtores se viram obrigados a desenterrar Jason para continuar a s\u00e9rie. Eles tiveram que traz\u00ea-lo de volta, mesmo depois de t\u00ea-lo matado \u201cdefinitivamente\u201d na Parte IV, justamente pela insist\u00eancia dos f\u00e3s, que decepcionados com a Parte V, ansiavam para que ele retornasse. E n\u00e3o s\u00f3 nessa fala se critica os f\u00e3s, mas pelo pr\u00f3prio fato de terem feito um filme bem diferente dos demais. N\u00e3o somente pelo humor inserido na trama veio essa diferen\u00e7a, mas citando um exemplo direto: Aqui se abandona um pouco o ar de \u201cbicho-pap\u00e3o\u201d que Jason tinha nos filmes anteriores (caracter\u00edstica que ele \u201cherdou\u201d de Michael Myers). Jason, antes, sempre se escondia na moita, na escurid\u00e3o, e dava a cara basicamente na hora de matar algu\u00e9m, ou no final quando perseguia as mocinhas. O vil\u00e3o pouco aparecia nos seus filmes. J\u00e1 aqui n\u00e3o. A todo o momento, o vemos na tela, seja matando algu\u00e9m, ou s\u00f3 andando pela floresta, ou simplesmente escondido observando as pessoas. Com isso, se v\u00ea que se por um lado os produtores atenderam ao pedido dos f\u00e3s para se trazer de volta o vil\u00e3o mascarado, por outro lado resolveram fazer um filme bem diferente do esperado por esses f\u00e3s. Isso n\u00e3o deixa de ter sido um tapa na cara de todos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sexta-feira 13 Parte VI \u2013 Jason Vive come\u00e7a com Tommy Jarvis e um amigo indo at\u00e9 o cemit\u00e9rio onde Jason est\u00e1 enterrado. Tommy \u00e9 um cap\u00edtulo \u00e0 parte. Ele foi o garoto que matou o vil\u00e3o no Cap\u00edtulo Final, e voltou no famigerado Um Novo Come\u00e7o, crescido, quando foi para uma esp\u00e9cie de manic\u00f4mio, j\u00e1 que vivia atormentado pela lembran\u00e7a da matan\u00e7a de Jason. E aqui ele j\u00e1 come\u00e7a decidido acabar com tudo de vez. Mas tudo j\u00e1 n\u00e3o tinha acabado? Para Tommy, n\u00e3o. Ainda atormentado por essas lembran\u00e7as, ele vai com um amigo tentar cremar o corpo Jason no cemit\u00e9rio. S\u00f3 que tudo sai errado, e em vez de acabar com o vil\u00e3o, acontece justamente o contr\u00e1rio: Jason ressuscita do seu t\u00famulo. Essa \u00e9 uma boa jogada que o roteiro faz. O mesmo Tommy que antes tinha acabado com tudo, aqui \u00e9 o respons\u00e1vel por reiniciar a hist\u00f3ria.\u00a0 E a t\u00edtulo de curiosidade, se Jason n\u00e3o tivesse voltado, o assassino aqui teria sido Tommy Jarvis. Isso era o que estava planejado. O fim da Parte V com Tommy usando a m\u00e1scara de h\u00f3quei, demonstra bem isso. Mas todo esse projeto foi abandonado, para que Jason voltasse. Assim, Tommy Jarvis virou definitivamente o her\u00f3i\/mocinho oficial da s\u00e9rie&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vale a pena abrir uma brecha para comentar essa cena inicial, com Tommy e um amigo indo at\u00e9 o cemit\u00e9rio. Ela \u00e9 \u00f3tima, e com certeza umas das melhores de toda a s\u00e9rie. Muito bem produzida, com um personagem perturbado (Tommy), um corpo decomposto (Jason), uma morte (o amigo de Tommy), <em>gore<\/em>, viol\u00eancia, trov\u00f5es, chuva, n\u00e9voa e tudo que um filme do g\u00eanero tem direito. Para quem n\u00e3o for ver o filme todo, recomendo que veja pelo menos essa cena inicial antes dos cr\u00e9ditos de abertura. \u00c9 uma grande cena, e nela j\u00e1 vemos duas refer\u00eancias, das diversas que o filme faz. A primeira \u00e9 Frankestein. Jason volta \u00e0 vida do mesmo jeito que o monstro criado por Mary Sheilley: Tal qual Frankestein que ganha vida depois que raios o atingem, Jason volta de sua \u201chiberna\u00e7\u00e3o\u201d, quando num ataque de raiva, Tommy crava uma lan\u00e7a de ferro no peito do assassino morto, e logo depois um raio atinge essa lan\u00e7a. A segunda refer\u00eancia, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 James Bond (???)! Logo depois da fuga de Tommy do cemit\u00e9rio, Jason coloca sua m\u00e1scara de h\u00f3quei e faz o mesmo gesto que o famoso agente brit\u00e2nico. Refer\u00eancia meio estranha na primeira olhada, mas isso nada mais \u00e9 do que um aviso dos produtores que assumem que assim como acontece com 007, o assassino Jason Voorhees tamb\u00e9m sempre voltaria para novos filmes. Ou seja, se a Parte IV dava um final a tudo, aqui j\u00e1 fica expl\u00edcito que a s\u00e9rie n\u00e3o teria fim mesmo. Por isso estou usando esse tr\u00eas pontos no fim de cada par\u00e1grafo. Eles s\u00e3o mais que necess\u00e1rios para falar de qualquer filme de uma s\u00e9rie onde n\u00e3o se sabe quando vai acabar e se realmente vai acabar algum dia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entrando ainda mais no campo das refer\u00eancias que o filme faz, posso citar quando o delegado Michael Garris fala que vai ligar para a \u201cdelegacia em <em>Carpenter<\/em>\u201d, refer\u00eancia expl\u00edcita a John Carpenter, diretor de Halloween \u2013 A Noite do Terror; ou quando vemos que existe aqui uma \u201c<em>Cunnigham Road<\/em>\u201d, ou Estrada Cunnigham, refer\u00eancia ao nome de Sean S Cunnigham diretor do primeiro Sexta-feira 13. Temos aqui ent\u00e3o uma Cidade Carpenter e uma Estrada Cunningham, montando um paralelo entre os dois filmes\/s\u00e9ries. E ainda tem a da garota que tem pesadelos e se chama Nancy, numa refer\u00eancia a adolescente Nancy Thompson, personagem principal do filme A Hora do Pesadelo (A Nightmare On Elm Street, Dir.: Wes Craven, 1984), outro cl\u00e1ssico do g\u00eanero, lan\u00e7ado na mesma \u00e9poca. E n\u00e3o posso deixar de citar outro momento quando o Tommy informando a Megan Garris, filha do delegado, que est\u00e1 perto de uma loja chamada <em>Karloff\u2019s General<\/em>. Refer\u00eancia a Boris Karloff, ator que imortalizou o Frankestein no cinema. Franskestein, de novo sendo citado aqui&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E insistindo ainda mais no campo das refer\u00eancias, vale dizer que para aqueles que, como eu, adoram o filme original, essa Parte VI presta v\u00e1rias homenagens a ele quando insere diversos elementos dele na trama. Al\u00e9m da \u201cEstrada Cunnigham\u201d, j\u00e1 citada, de novo temos um acampamento infantil. Todas as demais continua\u00e7\u00f5es tinham abandonado isso, mas aqui isso volta. S\u00f3 que ao contr\u00e1rio do que ocorreu na Parte I, aqui as crian\u00e7as realmente aparecem, j\u00e1 que tudo acontece no mesmo dia que elas chegam ao acampamento <em>Forrest Green <\/em>(o novo nome do acampamento antes chamado de <em>Crystal Lake<\/em>). Tamb\u00e9m \u00e9 reproduzida aqui a famosa cena da apari\u00e7\u00e3o de Jason na Parte I, quando Tommy pega uma canoa e vai para o meio do lago. Sem falar da mesma placa vista no 1\u00aa filme, \u201c<em>Camp Crystal Lake<\/em>\u201d, que aparece abandonada no fundo do lago. Mas o principal, seria citar o dia em que tudo acontece. Essa Parte VI realmente acontece numa sexta-feira 13. Desde a Parte II n\u00e3o se tem id\u00e9ia de que dia acontecem as hist\u00f3rias de cada filme, mas aqui decidiram voltar com a famosa data do t\u00edtulo. S\u00e3o detalhes que podem passar despercebidos para os demais, mas para quem \u00e9 f\u00e3, faz toda a diferen\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Voltando a hist\u00f3ria do filme (sim, Sexta-feira 13 Parte VI tem hist\u00f3ria!) ao contr\u00e1rio dos filmes anteriores onde se via basicamente uma matan\u00e7a desenfreada de adolescentes desavisados, aqui a hist\u00f3ria se divide em duas partes. Al\u00e9m da matan\u00e7a, tamb\u00e9m temos Tommy Jarvis tentando provar para todos, principalmente o delegado da cidade, que Jason est\u00e1 vivo. Mas ningu\u00e9m acredita ou leva muito a s\u00e9rio o que ele diz. Nisso \u00e9 refor\u00e7ada uma coisa vista desde os primeiros filmes da s\u00e9rie: A descren\u00e7a das autoridades locais e da popula\u00e7\u00e3o em geral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia de Jason. De forma mais expl\u00edcita, podemos ver que as matan\u00e7as cometidas por Jason s\u00e3o em grande parte culpa das autoridades locais (leia-se pol\u00edcia) que insiste em n\u00e3o acreditar que o vil\u00e3o esteja vivo, deixando-o completamente livre para fazer o que quiser. Lembrando dessa situa\u00e7\u00e3o nos outros filmes da s\u00e9rie: Na Parte II, a pol\u00edcia tamb\u00e9m n\u00e3o acreditava que ele estivesse vivo, e trata a exist\u00eancia dele como uma lenda; nas Partes III e IV, ela simplesmente n\u00e3o d\u00e1 as caras; e na Parte V a pol\u00edcia \u00e9 totalmente incompetente j\u00e1 que mesmo investigando, n\u00e3o consegue evitar as mortes na cidade. Aqui n\u00e3o \u00e9 diferente e em vez de conferir se o que Tommy afirma, procede, o delegado prefere trat\u00e1-lo como um lun\u00e1tico que precisa de tratamento. E a situa\u00e7\u00e3o piora quando os corpos come\u00e7am a aparecer, e o delegado culpa Tommy pela chacina. Todos os serial killers gostariam de morar num lugar assim&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 na parte em que envolve Jason e sua chacina, posso afirmar que num <em>slasher movie<\/em>, pelo bem ou pelo mal, as cenas mortes dos personagens s\u00e3o essenciais. Filmes desse g\u00eanero n\u00e3o sobrevivem sem elas (se lembram do Martin, o coveiro falando <em>Esse pessoal tem um jeito estranho de se entreter<\/em>? Pois \u00e9 disso que ele estava falando tamb\u00e9m) e a s\u00e9rie Sexta-feira 13 sempre primou nesse campo, mesmo sofrendo de censura em praticamente todos os filmes da s\u00e9rie feitos por um est\u00fadio de grande porte. Aqui n\u00e3o foi diferente. A Parte VI \u00e9 violenta, mas bem menos do que seria inicialmente, j\u00e1 que o est\u00fadio n\u00e3o permitiu que muita coisa fosse para edi\u00e7\u00e3o final. Al\u00e9m, \u00e9 claro, do fato do filme adotar um tom mais leve, ent\u00e3o se algumas mortes s\u00e3o violentas, algumas outras acabaram tendo uma cara de desenho animado. O melhor exemplo \u00e9 morte do delegado Michael Garris, que \u00e9 dobrado ao meio, e tamb\u00e9m a morte de Nick, namorada de um dos monitores do acampamento, que tem o rosto pressionado contra uma fina parede de metal, e a forma do rosto dela aparece do outro lado da parede. Coisas de <em>Looney Tones <\/em>e afins, mas que n\u00e3o deixam de ser cru\u00e9is&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O resultado de tudo isso: Alguns f\u00e3s da s\u00e9rie viram a cara para essa Parte VI por causa do humor (ou seria porque o filme tira sarro deles? V\u00e1 saber&#8230;) e preferem as Partes I, II, III ou qualquer outra que se leva mais a s\u00e9rio. Mas para muitos outros \u00e9 o melhor filme da saga. Colocando na primeira pessoa: Digo que esse \u00e9 a melhor continua\u00e7\u00e3o de Sexta-feira 13 (ainda fico com o original). Mesmo achando que a s\u00e9rie deva mesmo se levar um pouco a s\u00e9rio (independente dos absurdos nas tramas de seus filmes), mas os terrir da d\u00e9cada de 80 se destacavam j\u00e1 que mesmo usando de humor nas suas tramas nunca deixam de ser na ess\u00eancia filmes de terror, e Sexta-feira 13 Parte VI cai nessa classifica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m, de ele ser um filme do Jason mesmo (o nome dele no t\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 por acaso), com todas suas caracter\u00edsticas, tanto positivas como negativas. O vil\u00e3o acabou se tornou um dos grandes nomes do g\u00eanero terror\/horror. Talvez tenha vencido pela persist\u00eancia j\u00e1 que v\u00e1rias continua\u00e7\u00f5es surgiram, sempre tendo ele como vil\u00e3o principal (com exce\u00e7\u00e3o da horrenda Parte V). E esse Sexta-feira 13 Parte VI \u2013 Jason Vive \u00e9, junto com Sexta-feira 13 Parte II e Freddy vs Jason, o filme que melhor sabe explorar o personagem e a mitologia em volta dele. E vamos terminar com os tr\u00eas pontos! Afinal, outros filmes da s\u00e9rie foram lan\u00e7ados depois desse e ainda est\u00e3o sendo lan\u00e7ados&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Jailton Rocha<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Os slashes movies, ou \u201ccinema a\u00e7ougue\u201d, numa tradu\u00e7\u00e3o livre, \u00e9 um subg\u00eanero de terror\/horror que surgiu na It\u00e1lia na d\u00e9cada de 60. 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