{"id":1350,"date":"2008-09-19T19:10:24","date_gmt":"2008-09-19T21:10:24","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1350"},"modified":"2008-09-19T19:10:24","modified_gmt":"2008-09-19T21:10:24","slug":"river-phoenix-especial-james-dean","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/09\/19\/river-phoenix-especial-james-dean\/","title":{"rendered":"River Phoenix (Especial James Dean)"},"content":{"rendered":"<div class=\"mceTemp\" style=\"text-align:center;\">\n<dl class=\"wp-caption \">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/img128.imageshack.us\/img128\/3135\/riverphoenixzj9.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">1970 &#8211; 1993<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>\u201c&#8230; vi um filme tantas vezes pra desvendar os olhos teus\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 algo meio inexplic\u00e1vel o fasc\u00ednio que River Jude Phoenix exercia atrav\u00e9s, simplesmente, de um olhar, lan\u00e7ado como um feiti\u00e7o sobre o p\u00fablico. Fasc\u00ednio este que lhe rendeu, al\u00e9m, claro, de fama, dinheiro e uns gritinhos hist\u00e9ricos, uma carreira em ascens\u00e3o, rea\u00e7\u00f5es quase que encantadas tanto de pessoas comuns, rapidamente convertidas em f\u00e3s, quanto de grandes personalidades (j\u00e1, j\u00e1 conto a hist\u00f3ria de Milton Nascimento, a quem pertencem as palavras entre aspas) e, como que por obra de algo ou algu\u00e9m, uma morte tr\u00e1gica e precoce, passaporte direto para a eternidade, a inven\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1bula. E sua hist\u00f3ria parecia mesmo n\u00e3o poder terminar de outra forma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">River era \u201cconsciente\u201d, engajado em movimentos de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, vegetariano e membro do PETA (\u00f3rg\u00e3o voltado aos direitos dos animais), influ\u00eancias da cria\u00e7\u00e3o de pais hippies. Tinha tr\u00eas irm\u00e3s, Rain, Summer e Liberty, e um irm\u00e3o, Leaf Phoenix (que depois mudaria o nome para Joaquin). Depois de quase dez anos perambulando pela Am\u00e9rica Latina com o culto crist\u00e3o Filhos de Deus (h\u00e1 inclusive boatos de pedofilia, conforme uma declara\u00e7\u00e3o de 91 posteriormente desmentida de que, segundo River, ele teria perdido a virgindade aos 4 anos durante um dos cultos), os Phoenix (nome aderido exatamente ap\u00f3s a sa\u00edda do movimento) retornam aos Estados Unidos, em 1977, dispostos a recome\u00e7ar, e o teatro \u00e9 o caminho que Arlyn e John Lee escolhem para seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Apesar de uma participa\u00e7\u00e3o no obscuro Explorers, em 1985 (oficialmente seu primeiro papel no cinema), River alcan\u00e7a a fama logo em 86 com o cl\u00e1ssico vespertino Conta Comigo. No mesmo ano trabalharia ao lado de Harrison Ford em A Costa do Mosquito (que ali\u00e1s era sua atua\u00e7\u00e3o favorita), mas s\u00f3 seria realmente notado, provando ser algo al\u00e9m de um dos in\u00fameros atores mirins oitentistas que cairiam no ostracismo, em 1988, com O Peso de um Passado, de Sidney Lumet, filme que lhe renderia uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar (perdido para Kevin Kline por Um Peixe Chamado Wanda). Ainda assim, Phoenix permanecia sem desafios na carreira, hist\u00f3ria que mudaria em 1991. Garotos de Programa (My Own Private Idaho, Gus Van Sant) foi o grande respons\u00e1vel por realmente al\u00e7ar Phoenix \u00e0quele plantel de atores cujo talento \u00e9 incontest\u00e1vel, no papel de um prostituto narcol\u00e9ptico e bissexual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Muito de Garotos de Programa (que, j\u00e1 antecipando, eu n\u00e3o gosto) parece retratar um River Phoenix naquele n\u00edvel turvo e on\u00edrico da estrada no deserto. Sem come\u00e7o e sem fim, e com um constante anseio de voltar, voltar, voltar n\u00e3o se sabe pra onde, voltar para um carinho materno que existe apenas nos sonhos mais incertos, onde mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o se confundem. E River segue adormecido no caminho de um asfalto rumo ao infinito ao pegar essa carona do final de Idaho exatamente na porta da Viper Room, numa madrugada de Helloween, da Calif\u00f3rnia pra eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">River morreu de uma overdose de speedball (um coquetel de hero\u00edna e coca\u00edna), e embora o \u00f3bito tenha sido declarado oficialmente cerca de 50 minutos depois do in\u00edcio das convuls\u00f5es, acredita-se que ele tenha morrido mesmo na cal\u00e7ada da Viper Room (boate de Johnny Depp), nos bra\u00e7os da namorada Samantha Mathis, enquanto seu irm\u00e3o mais novo Joaquin Phoenix (que \u00e9 um puta ator ali\u00e1s) ligava para o 911. Johnny Depp fechou a boate todos os dias 31 de outubro enquanto foi dono, de 93 a 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E como n\u00e3o podia deixar de acontecer, foi sendo constru\u00edda toda uma mitologia em torno de River e de sua morte. Desde as circunst\u00e2ncias, do fato de ser um dos atores mais promissores de sua gera\u00e7\u00e3o, da elei\u00e7\u00e3o da Viper Room como seu eterno santu\u00e1rio e das inevit\u00e1veis lendas contadas a seu respeito. H\u00e1 quem diga por exemplo que de certa forma Phoenix j\u00e1 previa a pr\u00f3pria morte (e de todo modo a overdose \u00e9 uma forma de suic\u00eddio indireto), al\u00e9m de haverem certas coincid\u00eancias prof\u00e9ticas em seus filmes. O ator estava escalado para participar de Entrevista Com o Vampiro (primeiro no papel de Lestat \u2013 que ficou com Tom Cruise \u2013 e depois como o entrevistador, que terminou com Christian Slater). Pouco tempo antes de morrer, ele declarou a SET: \u201cN\u00e3o me vejo fazendo parte de Entrevista Com o Vampiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tinha Hollywood a seus p\u00e9s. Era bonito, talentoso e possu\u00eda uma imagem p\u00fablica imaculada pelo seu lado engajado e ativista (e de qualquer forma a overdose n\u00e3o deixa de ser tamb\u00e9m uma ironia). Sua morte foi citada em 16\u00ba entre os eventos mais chocantes da hist\u00f3ria da m\u00eddia pela E! Television. Al\u00e9m de Entrevista Com o Vampiro, estava escalado para Eclipse de uma Paix\u00e3o (papel que ficou com Leonardo di Caprio) e, por muito pouco, n\u00e3o se aproxima ainda mais de James Dean e Heath Ledger com um filme estreando posteriormente a sua morte. Ocorre que Dark Blood, 90% filmado, teve de ser simplesmente cancelado pela falta de algumas cenas fundamentais com Phoenix. E, seja pra engrossar o mito ou n\u00e3o, dizem muito que ele estava transcendental no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">River Phoenix morreu muito, mas muito cedo, e ao contr\u00e1rio de Dean e de Ledger, n\u00e3o teve a chance de pegar um personagem que o emoldurasse para sempre nos murais da hist\u00f3ria. River nunca ser\u00e1 um rosto definitivo como Jim Stark ou Ennis Del Mar, ou o Coringa. Ele, estranhamente, ser\u00e1 apenas River Phoenix, sem parecer no entanto precisar ser qualquer coisa al\u00e9m disso, porque de algum modo seus olhos sempre foram os mesmos, em todos os filmes, dando a entender que ele fez e refez a si mesmo durante seus 7 anos de carreira. E \u00e9 esse mesmo misto de segredo e tristeza nos seus olhos que lan\u00e7ava um efeito inexplic\u00e1vel sobre as pessoas. Como aconteceu com Milton Nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Carta a um Jovem Ator<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Essa \u00e9 uma daquelas hist\u00f3rias que de certa forma reconforta os pessimistas e funde a cabe\u00e7a dos c\u00e9ticos. Da minha parte, sou absolutamente c\u00e9tico quanto \u00e0s possibilidades de uma coincid\u00eancia dessas acontecer, da\u00ed que n\u00e3o me restam muitas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Consta na biografia oficial do cantor, \u201cTravessia: a Vida de Milton Nascimento\u201d, de 2006, escrita por Maria Dolores. Em 1988, depois de finalizar uma turn\u00ea pelos Estados Unidos, Milton Nascimento resolveu tirar uma folga em Nova Iorque e ficou hospedado num hotel chamado Mayflower, perto de um ap onde estavam Xuxa e Simone. Milton ia visit\u00e1-las constantemente para ouvir m\u00fasica e ver filmes e tal. Numa dessas vezes, viram ser anunciado para mais tarde um filme chamado Conta Comigo, de Rob Reiner, e resolveram assistir, mas acabaram esquecendo. Quando Milton voltou pro seu quarto de hotel, o filme j\u00e1 havia come\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando Milton viu River Phoenix na tela, sentiu algo, uma liga\u00e7\u00e3o, uma sensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o conseguia explicar. Milton cita muito os olhos, sempre os olhos de Phoenix como catalisadores de um sentimento original, qualquer coisa arrebatadora \u00e0 qual ningu\u00e9m ainda havia dado um nome. Ficou atento aos cr\u00e9ditos e depois de ver \u201cRiver Phoenix\u201d se acender na tela, sentiu n\u00e3o ter d\u00favida de que aquele era o nome do garoto que o encantara. Milton procurou a programa\u00e7\u00e3o da TV, localizou os hor\u00e1rios em que Conta Comigo seria reprisado, e passou a ver e rever o filme todas as vezes que podia. Acabou escrevendo uma m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 de volta ao Brasil, Milton queria que a m\u00fasica para Phoenix abrisse o lado A do seu disco \u201cMiltons\u201d (1989), e resolveu batiz\u00e1-la com o nome do ator. No entanto, precisava da autoriza\u00e7\u00e3o de River. Seu agente conseguiu o telefone da m\u00e3e do ator, Arlyn \u201cHeart\u201d Phoenix (que era quem cuidava da sua carreira), e Milton ligou contando o que havia ocorrido. Arlyn, que nunca ouvira falar dele, achou que era mais um f\u00e3 doido e desligou. Quando River soube o que havia acontecido, correu ligar de volta para Milton, dizendo que, recentemente, quando estava hospedado no hotel Mayflower em Nova Iorque, resolveu entrar numa loja de discos na mesma rua e, sem saber por que, comprou um disco de Milton Nascimento, cantor brasileiro de quem ele nunca havia ouvido falar. Quando ouviu o disco, se apaixonou perdidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">River Phoenix veio ao Brasil, a convite de Milton, e ficou hospedado na sua casa. Os dois permaneceram grandes amigos at\u00e9 a morte do ator.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>Conta Comigo (Rob Reiner, 1986)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/img403.imageshack.us\/img403\/8136\/gcax6.jpg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"306\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o existe tema mais dif\u00edcil de ser trabalhado que a nostalgia. Isso porque ela n\u00e3o permite apelos, n\u00e3o aceita sofistica\u00e7\u00e3o, rejeita hermetismos, despreza artif\u00edcios e ferramentas com as quais um autor pode moldar e adornar sua hist\u00f3ria. Um filme sobre nostalgia d\u00e1 certo \u00e0 base de algo que, exatamente pela simplicidade, acaba se tornando extremamente complexo: identifica\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, no caso, ter vivido os anos 50, porque a liga\u00e7\u00e3o do espectador com seu filme ocorre num n\u00edvel inexplorado e desconhecido: o sensorial. Vai, portanto, da habilidade do diretor em unir elementos e conduzir sua hist\u00f3ria para que este determinado efeito t\u00e3o raro e incompreens\u00edvel de repente passe por voc\u00ea, durante os cr\u00e9ditos, ao som de Ben E. King, como o cheiro de algo estranhamente remoto e familiar que surja por uns instantes e desapare\u00e7a rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 claro que n\u00e3o existe nada t\u00e3o subjetivo quanto se identificar com um filme, ainda mais pelas vias da saudade (compostas sempre de lembran\u00e7as e sensa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o suas e de mais ningu\u00e9m), mas Conta Comigo \u00e9 todo forjado pela l\u00e2mina de um espelho. H\u00e1 uma variedade de personalidades entre os moleques palat\u00e1vel ao cora\u00e7\u00e3o de cada um, embora pessoalmente eu n\u00e3o me veja dependendo de um deles, porque os quatro formam a unidade de uma \u00fanica institui\u00e7\u00e3o: a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 pela evoca\u00e7\u00e3o quase tribut\u00e1ria da inf\u00e2ncia que Conta Comigo pega seus espectadores pela m\u00e3o e os leva a uma viagem de volta. Voltar, voltar, voltar&#8230; sempre esse caminho de tentativa e de falha pela impossibilidade frustrante de recuperar um pouco daquela atmosfera encantada da inf\u00e2ncia, algo que, por poucos instantes, pode acontecer em Conta Comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na \u00f3bvia impossibilidade de se fazer um filme com os sonhos e a mem\u00f3ria de cada um como mat\u00e9ria-prima, Rob Reiner (ou Stephen King, j\u00e1 que o conto original \u00e9 dele) enxerta-nos uma hist\u00f3ria (com elementos que pertencem ao senso comum), nos faz viv\u00ea-la com aqueles quatro garotos para, ent\u00e3o, nos golpear duramente no final. Narrar secamente a passagem nociva do tempo, a perda das coisas, a dissolu\u00e7\u00e3o das amizades, e ent\u00e3o nos fazer ter saudade de algo que ocorreu h\u00e1 poucos minutos, mas que colocado num est\u00e1gio desconhecido de sentimento, torna-se indefinido e atemporal, como se n\u00e3o apenas tivesse acontecido, mas tamb\u00e9m j\u00e1 era trazido conosco de um tempo do qual n\u00e3o sobram recorda\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou visuais. N\u00e3o possuem som, n\u00e3o possuem rosto, n\u00e3o possuem cheiro, apenas existem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conta Comigo \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que se pode chegar de uma viagem de volta no tempo. \u00c9 a recria\u00e7\u00e3o daquelas tardes compridas, com minutos que duravam horas e com horas que duravam dias. \u00c9 o reencontro com um tempo em que qualquer ida mais longe de casa era uma aventura daquelas que nunca mais viver\u00edamos, um tempo onde frutas das \u00e1rvores e doces caseiros possu\u00edam um sabor que jamais voltaria a ser igualado. Quando a amizade era a coisa mais importante do mundo e, principalmente, quando se tinha uma impress\u00e3o t\u00e3o doce quanto tola e inocente de que aquelas mesmas tardes n\u00e3o acabariam nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o tempo \u00e9 a morte de todas as coisas. A inf\u00e2ncia precisa acabar, os amigos precisam ir embora e a vida precisa ficar madura e cinza. Ver River Phoenix literalmente desaparecendo no final de Conta Comigo \u00e9 se dar conta de que talvez exista um acordo mudo na vida. De que talvez coisas boas demais simplesmente n\u00e3o\u00a0possam ficar com a gente, de que talvez a inf\u00e2ncia e River Phoenix sejam habitantes naturais muito mais da mem\u00f3ria e da imagina\u00e7\u00e3o que do mundo real, e que o tempo sempre passa e sempre leva algo consigo, seja no fim de um caminho de terra, seja na porta da Viper Room.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8220;The endless River runs&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/img217.imageshack.us\/img217\/5084\/boton1iu2hv3.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1970 &#8211; 1993 \u201c&#8230; vi um filme tantas vezes pra desvendar os olhos teus\u201d \u00c9 algo meio inexplic\u00e1vel o fasc\u00ednio que River Jude Phoenix exercia atrav\u00e9s, simplesmente, de um olhar, lan\u00e7ado como um feiti\u00e7o sobre o p\u00fablico. 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