{"id":134,"date":"2008-05-13T18:12:19","date_gmt":"2008-05-13T20:12:19","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=134"},"modified":"2008-05-13T18:12:19","modified_gmt":"2008-05-13T20:12:19","slug":"o-jogador-jean-pierre-melville-1956","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/13\/o-jogador-jean-pierre-melville-1956\/","title":{"rendered":"O Jogador (Jean Pierre Melville, 1956)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/images.greencine.com\/images\/article\/fnw9.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"271\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Onze anos antes de realizar um dos grandes filmes do cinema franc\u00eas, Jean-Pierre Melville j\u00e1 experimentava a inusitada exposi\u00e7\u00e3o sentimental das pe\u00e7as que compunham o submundo do crime franc\u00eas \u2013 ingrediente principal de sua filmografia. O resultado deste promissor projeto n\u00e3o consegue nem mesmo chegar pr\u00f3ximo \u00e0s expectativas refletidas pela est\u00f3ria interessante e, principalmente, pela assinatura do mestre de O Samurai &#8211; n\u00e3o bastasse tudo isso para apimentar a sess\u00e3o (e aumentar a decep\u00e7\u00e3o), valeria dizer ainda que O Jogador tamb\u00e9m \u00e9 considerado um dos mais fundamentais precursores da nouvelle vague francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas \u00e9 ineg\u00e1vel a presen\u00e7a constante de algumas das caracter\u00edsticas mais importantes daquilo que viria a ser a nouvelle vague, a partir de 1959 \u2013 sendo que o filme \u00e9 de 1955. A primeira meia-hora (e estou sendo generoso na contagem), por exemplo, n\u00e3o desenvolve absolutamente nada em termos de trama (n\u00e3o que isso seja pr\u00f3prio ou fundamental aos filmes de Truffaut, Godard e Cia, claro), servindo apenas para apresentar os principais personagens, em especial o protagonista, Bob, e costurar os la\u00e7os sentimentais e afetivos entre eles e suas respectivas mo\u00e7oilas graciosas \u2013 fato que, embora seja imprescind\u00edvel para o desenvolvimento da id\u00e9ia de Melville, torna esta primeira parte cansativa e arrastada demais, sem foco.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tudo poderia ser perdoado caso o filme conseguisse ser algo mais forte na segunda parte, quando o circo realmente pega fogo. Novamente, isso n\u00e3o acontece, e os caminhos mais interessantes a serem percorridos acabam se fechando automaticamente para o desenrolar da est\u00f3ria de crime fracassado de Melville. Embora construa de forma interessante toda a articula\u00e7\u00e3o do plano e alguns pequenos aspectos que envolvem a premedita\u00e7\u00e3o do fracasso, como por exemplo as complica\u00e7\u00f5es com a namorada de um dos integrantes do bando, que tem um caso com um policial, o diretor perde v\u00e1rias oportunidades de reverter a banalidade (por ser uma trama ordin\u00e1ria mesmo, o que n\u00e3o necessariamente \u00e9 um problema) em prol do produto final, concluindo tudo de maneira interessante, por\u00e9m simplista demais (e tentando posar de bacana).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No fim, acaba n\u00e3o sendo um mau filme em virtude de algumas grandes qualidades, a maior parte delas t\u00e9cnicas, como a fotografia e a dire\u00e7\u00e3o de arte exuberantes e a facilidade com que elas s\u00e3o utilizadas a favor de toda a ambienta\u00e7\u00e3o da obra, al\u00e9m de algumas seq\u00fc\u00eancias verdadeiramente boas e do refor\u00e7o na humaniza\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as que comp\u00f5em o quadro de personagens principais. Mas o gosto que deixa \u00e9 de que poderia ter sido algo muito, muito melhor, se n\u00e3o fosse t\u00e3o mal cozido assim \u2013 uns 30 minutos a mais da id\u00e9ia no forno e o resultado poderia ter sido realmente empolgante. Mas Melville tem cr\u00e9dito mesmo assim, e faz uns rabiscos da genialidade que apresentaria mais de uma d\u00e9cada depois.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onze anos antes de realizar um dos grandes filmes do cinema franc\u00eas, Jean-Pierre Melville j\u00e1 experimentava a inusitada exposi\u00e7\u00e3o sentimental das pe\u00e7as que compunham o submundo do crime franc\u00eas \u2013 ingrediente principal de sua filmografia. 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