{"id":127,"date":"2008-05-13T04:17:58","date_gmt":"2008-05-13T06:17:58","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=127"},"modified":"2008-05-13T04:17:58","modified_gmt":"2008-05-13T06:17:58","slug":"new-rose-hotel-abel-ferrara-1998","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/13\/new-rose-hotel-abel-ferrara-1998\/","title":{"rendered":"Enigma do Poder (Abel Ferrara, 1998)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.filmmakermagazine.com\/winter1999\/images\/new_rose.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"154\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ferrara trancou New Rose Hotel em um universo desparametrizado, moderno-futurista e de energia corporativa, mas seguindo uma esp\u00e9cie de cinema t\u00e3o improv\u00e1vel quanto pessoal, sempre conduzida por obsess\u00f5es e fortalecida em torno da tenuidade da imagem, t\u00e3o fr\u00e1gil e inconcreta quanto \u00e0 encena\u00e7\u00e3o dilatada por entre as rela\u00e7\u00f5es pessoais deste jogo de engana\u00e7\u00e3o sem meios e sem fins. E \u00e9 impressionante como o fato de se passar quase todo \u2013 ou todo mesmo \u2013 entre quatro paredes transforma cada mil\u00e9simo de segundo filmado em uma imagem de significado ofuscado, n\u00e3o apenas pela pr\u00f3pria natureza duvidosa das a\u00e7\u00f5es que constituem as nuances de interesses e de grada\u00e7\u00e3o de poder das tr\u00eas personagens principais em suas inter-rela\u00e7\u00f5es \u2013 Christopher Walken, genial como sempre, junto do misterioso Willem Dafoe, o centro de New Rose Hotel \u2013 ou seria New Rose Hotel o centro de Willem Defoe? \u2013 e Asia Argento, a sensualidade em pessoa e a prova de que o forte de Dario nem era o cinema, era a procria\u00e7\u00e3o \u2013 como tamb\u00e9m pelo fato de reproduzir conscientemente a submers\u00e3o do filme em um universo incomum, por\u00e9m jamais deduzido \u2013 a n\u00e3o ser atrav\u00e9s de pequenas nuances, que normalmente fundamentam o discurso de d\u00favida por sobre a imagem que Abel sutilmente constr\u00f3i atrav\u00e9s da capta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es com os mais diversos meios visuais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o controle sobre este universo n\u00e3o poderia ser mais seguro, mesmo com toda a incompreens\u00e3o que brota de um conjunto de medidas t\u00e3o simples \u2013 a a\u00e7\u00e3o praticamente inexiste em New Rose Hotel; o que interessa mesmo s\u00e3o a imagem e a superf\u00edcie em car\u00eancia de profundidade. E, embora escolha certas prioridades, cada novo tema proposto em di\u00e1logo concede aos rumos uma incerteza ainda maior, mesmo que nada seja t\u00e3o desconcertante quanto \u00e0 maneira como Ferrara finalmente explicita seus interesses com a desfragmenta\u00e7\u00e3o lenta e misteriosa daquela pequena realidade. Ali\u00e1s, poucas coisas s\u00e3o t\u00e3o imprevis\u00edveis quanto descobrir que New Rose Hotel atinge o \u00e1pice no momento em que finalmente parecia desenhar um princ\u00edpio material para a a\u00e7\u00e3o, mesmo que tudo aquilo que havia sido constru\u00eddo antes tivesse uma resolu\u00e7\u00e3o \u2013 que mais parecia um rein\u00edcio, nova motiva\u00e7\u00e3o \u2013 em funcionamento. Alguns podem considerar auto-indulg\u00eancia, como bem comprova a falta de simpatia do p\u00fablico para com o filme \u2013 nota 4 no IMDB, pouca exibi\u00e7\u00e3o no cinema na \u00e9poca [nem passou no Brasil], etc., mas parece muito mais um equ\u00edvoco de interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 e o filme \u00e9 o maior culpado mesmo, j\u00e1 que a todo o tempo brinca com a leitura das imagens e nem se importa de pedir desculpas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E \u00e9 a partir do momento em que Dafoe adentra aquela simb\u00f3lica janela dum quarto de um m\u00edsero hotel chamado New Rose, procurando o \u00faltimo ref\u00fagio e \u00e0 espera de ser descoberto por seus perseguidores, quando finalmente chega ao ponto-limite, que Ferrara mostra que seu filme, no \u00e1pice, no cl\u00edmax, vai andar pra tr\u00e1s. Sinceramente, \u00e9 coisa que eu nunca havia visto antes, e n\u00e3o se pode negar que h\u00e1 um grande tormento em perceber que a linearidade da est\u00f3ria alcan\u00e7a um tom de ciclicidade completamente irrevers\u00edvel, que elimina qualquer resqu\u00edcio de continuidade. Ferrara se livra do presente e do futuro e concentra os \u00faltimos 30 minutos no mais puro estado preterital, n\u00e3o meramente do personagem, como tamb\u00e9m do espectador, que passa a reviver junto dele tanto os momentos filmados quanto aqueles que foram sobrepostos pelas elipses temporais dos principais encontros anteriores \u2013 mas que, em suma, eram sabidos, embora ocultados -, menos numa busca de julgar os porqu\u00eas, mais como forma de esclarecer que o pr\u00f3prio filme jamais fez uso da imagem completamente cristalina, seja ela f\u00edsica [e os constantes slowmotions alien\u00edgenas, al\u00e9m das pr\u00f3prias filmagens dieg\u00e9ticas, sob c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia e etc, d\u00e3o o tom certeiro] ou especificamente substancial, o que, ali\u00e1s, deixa o mist\u00e9rio em torno da prostituta ainda mais acentuado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se algum filme feito nos \u00faltimos 20 anos for t\u00e3o bom quanto New Rose Hotel, por favor, me avisem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ferrara trancou New Rose Hotel em um universo desparametrizado, moderno-futurista e de energia corporativa, mas seguindo uma esp\u00e9cie de cinema t\u00e3o improv\u00e1vel quanto pessoal, sempre conduzida por obsess\u00f5es e fortalecida em torno da tenuidade da imagem, t\u00e3o fr\u00e1gil e inconcreta &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/13\/new-rose-hotel-abel-ferrara-1998\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[121,866,1573,1725],"class_list":["post-127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-abel-ferrara","tag-ficcao","tag-new-rose-hotel","tag-obsessao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}