{"id":1267,"date":"2008-09-09T20:13:41","date_gmt":"2008-09-09T22:13:41","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1267"},"modified":"2008-09-09T20:13:41","modified_gmt":"2008-09-09T22:13:41","slug":"eram-os-deuses-astros-de-hollywood","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/09\/09\/eram-os-deuses-astros-de-hollywood\/","title":{"rendered":"Eram os Deuses Astros de Hollywood? (Especial James Dean)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Qual o tamanho de um mito? Como mensurar a altura e a import\u00e2ncia de uma lenda, muitas vezes um sonho, um ideal de perfei\u00e7\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1vel, um deus sem religi\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Eram quase 18 horas de uma sexta-feira numa estrada qualquer da Calif\u00f3rnia quando James Dean queimou sua vida inteira de uma vez no fogo forte de um Porsche Spider na mesma velocidade com que passaria pelo cinema. Dean morreu antes da estr\u00e9ia de dois de seus tr\u00eas \u00fanicos trabalhos relevantes na 7\u00aa arte: Juventude Transviada e Assim Caminha a Humanidade (Vidas Amargas foi o \u00fanico visto pelo p\u00fablico com Dean ainda vivo). Talvez n\u00e3o se soubesse na \u00e9poca, mas em 30 de setembro de 1955, James Byron Dean fundava com a pr\u00f3pria vida uma cultura de mitifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 e sempre ser\u00e1 estudada por fil\u00f3sofos e soci\u00f3logos do mundo todo: como, afinal, a pr\u00f3pria morte parece ser o caminho para a imortalidade?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O processo de mitifica\u00e7\u00e3o, apesar de velho conhecido atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, teve seu marco zero na era moderna com a morte de Dean. Isso porque o mundo, o contexto e a pr\u00f3pria cultura que se criava termina modificando o processo. Antes de qualquer coisa \u00e9 importante deixar claro: Dean \u00e9 o maior de todos. E isso pouco tem a ver com seu talento ou compet\u00eancias que pressuponham compara\u00e7\u00f5es, dentro das telas, com outros atores. O fato de James Dean ter sido a cara tanto de uma gera\u00e7\u00e3o quanto de uma revolu\u00e7\u00e3o cultural a n\u00edvel planet\u00e1rio o tornam simplesmente inalcan\u00e7\u00e1vel. O modo como veio a se plastificar no tempo, o contexto hist\u00f3rico, as circunst\u00e2ncias de sua morte e o arranjo de coincid\u00eancias quase po\u00e9tico no balan\u00e7o milimetricamente perfeito para interrup\u00e7\u00e3o de sua carreira (ap\u00f3s um grande sucesso e imediatamente anterior a outros dois, um deles com um filme e um personagem naturalmente ic\u00f4nicos) transformam Dean talvez no \u00fanico mito verdadeiramente s\u00f3lido deste especial, renegando seus colegas a meros e eternos candidatos. Isto com a POSS\u00cdVEL exce\u00e7\u00e3o de um deles: Heath Ledger.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No cinema, muitos vieram depois de James Dean, e inclusive ser\u00e3o abordados neste especial. Nomes como Marilyn Monroe, John Belushi e River Phoenix sentiram o peso de advir sempre sob a sombra do \u00eddolo de Dean, e n\u00e3o obtiveram uma combina\u00e7\u00e3o de elementos que possibilitasse ao menos uma concorr\u00eancia com o mito de Rebel Without a Cause. Talvez o que mais tenha chegado perto seja River Phoenix, ao qual faltou tanto o imediatismo e intensidade da carreira (o fator mais dif\u00edcil e at\u00e9 hoje irrepetido) quanto um grande rosto, uma persona-s\u00edmbolo no cinema (apesar de o Michael de Garotos de Programa, de Gus Van Sant, ter tido esta pretens\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Heath Ledger combina uma parcela de imediatismo (apesar de freq\u00fcente no cinema desde 10 Coisas Que eu Odeio em Voc\u00ea \u2013 99 -, terminou aparecendo de fato apenas em 2005) com os grandes pap\u00e9is de Ennis Del Mar (Brokeback Mountain) e, \u00e9 claro, o Coringa (The Dark Knight), levado \u00e0s telas 6 meses ap\u00f3s sua morte, fator que apenas o aproxima de James Dean,\u00a0al\u00e9m da possibilidade de receber, assim como o pr\u00f3prio Dean,\u00a0uma rar\u00edssima indica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma ao Oscar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mais interessante nesta mec\u00e2nica de idolatria e mitifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que James Dean \u2013 com o perd\u00e3o do modo de falar \u2013 morreu no momento certo: em plena revolu\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica promovida pela transmiss\u00e3o de imagens atrav\u00e9s da televis\u00e3o, aparelho que intensificava e j\u00e1 trabalhava uma democratiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. E talvez seja este contexto que explique \u2013 al\u00e9m de outras coisas como o envelhecimento infinitamente mais acentuado de seus filmes se comparados aos de Dean \u2013 o aparente \u2018esquecimento\u2019 do astro do cinema mudo Rodolfo Valentino, morto em 1926 aos 31 anos ap\u00f3s complica\u00e7\u00f5es e uma cirurgia de \u00falcera. Correm lendas de que mulheres se suicidaram ao saberem da morte do primeiro grande \u00eddolo de Hollywood (de certa forma homenageado por Gene Kelly em Cantando na Chuva), e que mais de 100 mil pessoas compareceram ao seu funeral em Nova Iorque.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">River Phoenix morreu em 93, um ano antes do estopim do vertiginoso crescimento do ciberespa\u00e7o. Heath Ledger \u00e9 o primeiro grande teste quanto \u00e0 sobreviv\u00eancia de uma imagem em plena revolu\u00e7\u00e3o digital, democratiza\u00e7\u00e3o absoluta da escrita e da informa\u00e7\u00e3o, maior ferramenta globalizadora que existe. A efemeridade das informa\u00e7\u00f5es unida umbilicalmente \u00e0 cultura da descartabilidade de tudo dep\u00f5e contra o ator australiano ao mesmo tempo que a dispers\u00e3o imediata e em larga escala de sua morte assim como de um culto em torno de sua imagem, rezado por milh\u00f5es de faz que dentro da grande rede possuem, cada um, uma voz ativa, trabalham tanto pela manuten\u00e7\u00e3o quanto potencializa\u00e7\u00e3o do seu mito que, rec\u00e9m criado, ser\u00e1 provado dentro dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Algu\u00e9m que nunca chegou perto de ver um filme de James Dean j\u00e1 ouviu falar do ator, sabe que foi um astro que morreu jovem e deve conhecer \u2013 sem necessariamente associar \u2013 sua pose inconfund\u00edvel na capa de Juventude Transviada. O mesmo acontecer\u00e1 com o Coringa de Heath Ledger? Avaliar um fen\u00f4meno de fora, analisar um processo com in\u00edcio, meio e fim, \u00e9 f\u00e1cil. Fazer previs\u00f5es sobre o futuro de Heath Ledger enquanto mito \u00e9 tarefa das mais complicadas. Por isso, abrindo este especial, deixo no ar esta quest\u00e3o. Teria Heath Ledger a for\u00e7a para se al\u00e7ar \u00e0 categoria de mito, estando talvez ao lado de James Dean, daqui a mais meio s\u00e9culo?<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/img217.imageshack.us\/img217\/5084\/boton1iu2hv3.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual o tamanho de um mito? Como mensurar a altura e a import\u00e2ncia de uma lenda, muitas vezes um sonho, um ideal de perfei\u00e7\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1vel, um deus sem religi\u00e3o? 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