{"id":1224,"date":"2008-09-01T17:24:27","date_gmt":"2008-09-01T19:24:27","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1224"},"modified":"2008-09-01T17:24:27","modified_gmt":"2008-09-01T19:24:27","slug":"persona-ingmar-bergman-1966-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/09\/01\/persona-ingmar-bergman-1966-2\/","title":{"rendered":"Persona (Ingmar Bergman, 1966)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:0;\" src=\"http:\/\/vjmorton.files.wordpress.com\/2007\/09\/persona-2shot.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" width=\"466\" height=\"353\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nenhum ser humano \u00e9 livre da culpa que sente por determinada coisa que tenha feito ou pensando em fazer em sua vida. O remorso \u00e9 talvez o sentimento mais corrosivo que se pode carregar. Quando o temos, o levamos para o resto da vida, e a nossa \u00fanica defesa \u00e9 encarcera-lo em algum lugar inating\u00edvel do nosso intimo. O trancamos ali e esperamos pra ver o que acontece. Dificilmente ele v\u00e1 sumir, pode vez ou outra colocar suas m\u00e3os por debaixo da porta balan\u00e7ando o dedo insinuantemente nos lembrando de que ele ainda vive por ali. Mas aprendemos a conviver com ele, de um ser estranho vira uma parte indigesta da personalidade, mas parte da pessoa, est\u00e1 sobre o controle, desde que as portas n\u00e3o sejam completamente escancaradas novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o se sabe porque, mas Elisabeth, uma respeitada atriz, resolve de uma hora para outra parar de falar. Ela n\u00e3o ficou muda ou louca, apenas parou, como se engrenagens parassem de rodar, ou quando um ator esquece o texto de uma pe\u00e7a e se esfor\u00e7a para puxar da mem\u00f3ria, Elisabeth esquece do porque de continuar com qualquer coisa. Ela fica oca, n\u00e3o no sentido de alguma aliena\u00e7\u00e3o emocional, mas na incapacidade de achar sentido para qualquer uma de suas emo\u00e7\u00f5es. Ela vira uma espectadora passiva dos seus sentimentos e dos outros, n\u00e3o sente, apenas analisa. Alma, uma enfermeira, \u00e9 encarregada de cuidar de Elisabeth em uma casa isolada na praia. Quando uma irm\u00e3 pergunta para Alma o que ela achou de Elisabeth a primeira vista, Alma diz que ainda n\u00e3o tinha uma impress\u00e3o muito clara, mas que parecia ter um semblante suave, como o de uma crian\u00e7a, mas com um olhar maligno. Elisabeth \u00e9 um dos seres mais diab\u00f3licos criados pelo cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Isoladas do mundo, Elisabeth e Alma criam um vinculo emocional intenso. Alma falava e Elisabeth ouvia. Se completavam no pior sentido que essa palavra pode carregar. Elisabeth seduzia com uma express\u00e3o acolhedora, seu suposto desvinculamento com a realidade, e Alma falava de tudo, mais do que podia. Alma falava sem parar, como uma caixa de m\u00fasica que n\u00e3o para de tocar enquanto algu\u00e9m continuar girando a manivela, e Elisabeth \u00e9 quem faz isso. Elisabeth seduz Alma a espiar pela fechadura, depois abrir apenas um peda\u00e7o da porta e olhar pelas frestas, ou quem sabe colocar s\u00f3 um p\u00e9 para dentro, at\u00e9 finalmente escancarar e deixar com que tudo saia de dentro. As palavras de Alma entram em confronto com o sil\u00eancio de Elisabeth. O sil\u00eancio de Elisabeth faz com que as palavras de Alma saiam de forma extremamente impactante. \u00c9 como se ela falasse algo e o sil\u00eancio que exalava de Elisabeth refletisse essas palavras, fazendo com que elas ganhem forma, com que a culpa ganhasse contornos, ricocheteando na sala at\u00e9 atingir novamente quem as disparou. Elisabeth \u00e9 um espelho que faz voc\u00ea lembrar do seu pior lado, e faz esquecer de qualquer outro, \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o da culpa, algo demon\u00edaco. N\u00e3o demonstra nada, apenas ri.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Thiago Duarte<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/16\/persona-ingmar-bergman-1966\/\">Persona<\/a> (Ingmar Bergman, 1966) &#8211; Luis Henrique Boaventura &#8211; 4\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhum ser humano \u00e9 livre da culpa que sente por determinada coisa que tenha feito ou pensando em fazer em sua vida. O remorso \u00e9 talvez o sentimento mais corrosivo que se pode carregar. 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