{"id":119,"date":"2008-05-13T01:43:23","date_gmt":"2008-05-13T03:43:23","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=119"},"modified":"2008-05-13T01:43:23","modified_gmt":"2008-05-13T03:43:23","slug":"fuga-do-passado-jacques-tourneur-1947","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/13\/fuga-do-passado-jacques-tourneur-1947\/","title":{"rendered":"Fuga do Passado (Jacques Tourneur, 1947)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.filmreference.com\/images\/sjff_01_img0373.jpg\" alt=\"\" width=\"472\" height=\"285\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se eu precisasse apontar uma coisa de ruim nos filmes noir da primeira metade do movimento, mais precisamente a d\u00e9cada de 1940, sem d\u00favida alguma escolheria os flashbacks \u2013 recurso que de certa forma virou marca registrada do estilo, mas que se perdeu em suas constantes transgress\u00f5es tem\u00e1ticas e morais. \u00c9 s\u00f3 ver, por exemplo, Uma Vida Por Um Fio, do russo Anatole Litvak, pra perceber o quanto perde de fluidez e de tens\u00e3o um filme todo recortado por lembran\u00e7as e explica\u00e7\u00f5es evocadas pela quebra da narrativa \u2013 naquele caso, em especial, toda a claustrofobia da est\u00f3ria de uma mulher presa \u00e0 cama, devido a uma doen\u00e7a, que sabe que ser\u00e1 assassinada em determinada hora da noite, \u00e9 atirada descarga abaixo pelos constantes vai-e-vens (ali\u00e1s, se jogasse todos os flashbacks fora, o diretor poderia montar um curta genial &#8211; de 15 minutos, no m\u00e1ximo).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O curioso, por\u00e9m, \u00e9 que mais de trinta dos quarenta e cinco primeiros minutos de Fuga do Passado formam um extenso flashback, utilizado para registrar os comos e os porqu\u00eas dos rumos que a est\u00f3ria toma em seu pr\u00f3logo. Curioso porque, no longa de Jacques Tourneur, a insist\u00eancia em construir a estrutura atrav\u00e9s das mem\u00f3rias do protagonista, um Robert Mitchum completamente diferente do que se v\u00ea em O Mensageiro do Diabo ou Circulo do Medo ou faroestes como El Dorado \u2013 aqui at\u00e9 cena rom\u00e2ntica o homem mais assustador do cinema faz! -, d\u00e1 ao filme um charme ainda mais irresist\u00edvel, transformando uma das brincadeiras mais inventivas de que se tem not\u00edcia com os principais elementos do noir \u2013 a femme fatale mais femme fatale de todas est\u00e1 aqui, por exemplo \u2013 em um trabalho de primeira linha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desde o in\u00edcio na cidadezinha pacata at\u00e9 o final, na mesma cidadezinha, agora tomada pela paran\u00f3ia que envolve a enrola\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel do protagonista com um mal feitor da cidade grande, Fuga do Passado \u00e9 uma brincadeira de pega-pega sem qualquer resqu\u00edcio de divers\u00e3o. E \u00e9 impressionante a milimetricidade detalhistica do roteiro, sustentando idas e vindas e uma sobriedade impec\u00e1vel mesmo com as constantes apari\u00e7\u00f5es de personagens novos e que saem com a mesma rapidez, mortos ou n\u00e3o, al\u00e9m de sustentar muito bem a pend\u00eancia do protagonista para ambos os lados femininos, o bom e o mau, e construir alguns momentos bem genu\u00ednos de charme e requinte rom\u00e2nticos, coisa que pouco se v\u00ea em um filme policial \u2013 ainda que este tenha certos toques dram\u00e1ticos al\u00e9m dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o mais interessante \u00e9 a ambig\u00fcidade que cada di\u00e1logo ou a\u00e7\u00e3o consegue transparecer dentro daquela m\u00e1xima do noir, de o mundo ser feito de piranhas inescrupulosas, de n\u00e3o se poder acreditar em ningu\u00e9m nem dormir sem a arma debaixo do travesseiro &#8211; o que em alguns casos \u00e9 levado \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias pela forma e pelo conte\u00fado, mas aqui tudo \u00e9 conduzido com muita tranq\u00fcilidade e mesmo assim chega ao extremismo pra quase todos os envolvidos. \u00c9 sacanagem atr\u00e1s de sacanagem, e at\u00e9 o \u00faltimo minuto n\u00e3o tem com ter certeza de quem est\u00e1 \u2013 ou estava &#8211; do lado de quem \u2013 tanto \u00e9 que o filme termina com algu\u00e9m tentando tirar esta mesma d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se eu precisasse apontar uma coisa de ruim nos filmes noir da primeira metade do movimento, mais precisamente a d\u00e9cada de 1940, sem d\u00favida alguma escolheria os flashbacks \u2013 recurso que de certa forma virou marca registrada do estilo, mas &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/13\/fuga-do-passado-jacques-tourneur-1947\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[851,913,1136,1591,1785],"class_list":["post-119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-femme-fatale","tag-fuga-do-passado","tag-jacques-tourneur","tag-noir","tag-out-of-the-pass"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}