{"id":1130,"date":"2008-08-16T10:59:18","date_gmt":"2008-08-16T12:59:18","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1130"},"modified":"2008-08-16T10:59:18","modified_gmt":"2008-08-16T12:59:18","slug":"a-liberdade-e-azul-krzysztof-kieslowski-1994","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/08\/16\/a-liberdade-e-azul-krzysztof-kieslowski-1994\/","title":{"rendered":"A Liberdade \u00e9 Azul (Krzysztof Kieslowski, 1994)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Galera, estr\u00e9ia do nosso amigo de longa data Thiago Duarte no <em>Multiplot!<\/em>, que n\u00e3o p\u00f4de estar com a gente no in\u00edcio mas antes tarde do que etc. E j\u00e1 come\u00e7a falando de Kieslowski, o maldito.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/math.ucsd.edu\/~dwildstr\/reviews\/movies\/images\/trois-couleurs-bleu-full.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"259\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>A Liberdade \u00e9 Azul (Krzysztof Kieslowski, 1994)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando a personagem da Juliette Binoche acorda na cama, \u00e9 como se come\u00e7\u00e1ssemos a fazer um tour pela express\u00e3o humana. O nosso guia obviamente \u00e9 a c\u00e2mera, e \u00e9 um guia bem indiscreto. Ele circula pelos poros a procura do maior encadeamento da dor, e n\u00f3s somos turistas segurando m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas \u00e0 procura do melhor \u00e2ngulo. \u201cAqui vemos uma sutil tremida de queixo. N\u00e3o vai durar muito, viu? Parou. N\u00e3o me perguntem por que, mas isso sempre acontece. Agora se me acompanharem at\u00e9 aqui&#8230; Observem esse olhar. Conseguem acreditar que existe um ser vivo esmagado por ele? Ah, e n\u00e3o se aproximem muito para n\u00e3o serem sugados para o oco infinito que ele carrega. E nada de alimentar os animais\u201d. Kieslowzski vai al\u00e9m de filmar a carne como simples carne, ele praticamente usa a c\u00e2mera como uma seringa enfiada na medula. Ao em vez de puxar qualquer l\u00edquido dela, ele traz qualquer coisa que n\u00e3o seja f\u00edsica. \u00c9 a melancolia ganhando contornos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao sair do quarto do hospital ela minimiza sua vida a um estado de conta-gotas. \u201cMenos um dia. Menos dois dias. Menos dois dias e 6 horas\u201d, e isso fica bem evidente em uma cena especial, quando ela est\u00e1 sentada em um banco na rua e olha uma senhora, muito velha, com o corpo inclinado, se arrastando pela rua, fazendo um esfor\u00e7o descomunal apenas para largar uma garrafa no lixo recicl\u00e1vel. Ela n\u00e3o a observa com pena, mas sim com inveja. Com uma nostalgia inversa, em saber que ainda resta esperan\u00e7a \u201ceu ainda vou envelhecer e morrer, pena que falta tanto\u201d. Ela praticamente renuncia todos os sentimentos e espera a hora chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 uma pessoa que sente uma dor constante, que n\u00e3o da tr\u00e9gua, que \u00e9 capaz de fazer uma esp\u00e9cie de \u201cpacto\u201d com a dor f\u00edsica se automutilando \u201ceu deixo voc\u00ea entrar em cena, desde que consiga monopolizar meu corpo. Nem que seja por m\u00edseros segundos, por favor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o tem como resumir o filme de outra forma, ele \u00e9 um tratado sobre a dor, sobre a perda, sobre a incapacidade de viver mesmo sobrevivendo. E uma atua\u00e7\u00e3o monstruosa da Juliette Binoche. Um dos filmes mais sufocantes que j\u00e1 assisti.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Thiago Duarte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Galera, estr\u00e9ia do nosso amigo de longa data Thiago Duarte no Multiplot!, que n\u00e3o p\u00f4de estar com a gente no in\u00edcio mas antes tarde do que etc. E j\u00e1 come\u00e7a falando de Kieslowski, o maldito. 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