{"id":113,"date":"2008-05-12T22:31:43","date_gmt":"2008-05-13T00:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=113"},"modified":"2008-05-12T22:31:43","modified_gmt":"2008-05-13T00:31:43","slug":"paixoes-que-alucinam-samuel-fuller-1963","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/paixoes-que-alucinam-samuel-fuller-1963\/","title":{"rendered":"Paix\u00f5es que Alucinam (Samuel Fuller, 1963)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:black 2px solid;\" src=\"http:\/\/img111.imageshack.us\/img111\/8500\/user18811160712016oo0.jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"270\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentre tantos filmes concebidos como linhas de fogo contra a Am\u00e9rica e seus pilares feitos de ossos, Paix\u00f5es que Alucinam talvez seja o mais maci\u00e7o. Resumindo um s\u00e9culo de hist\u00f3ria e fazendo das paredes do hosp\u00edcio as fronteiras do seu pa\u00eds, Fuller atravessa Guerra Civil, racismo e constru\u00e7\u00e3o da bomba at\u00f4mica a partir da busca do sucesso a qualquer pre\u00e7o como elemento b\u00e1sico da argamassa do american way, nivelando, portanto, tr\u00eas m\u00f3dulos de viol\u00eancia (apesar de a bomba at\u00f4mica ter sido o mais eficiente instrumento de paz do s\u00e9culo XX, mas a\u00ed l\u00ea-se todo maquin\u00e1rio\u00a0 e voca\u00e7\u00e3o para a guerra dos caras) com a obsess\u00e3o pela vit\u00f3ria e a realiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 encontrada sob caminhos (auto)destrutivos. A idealiza\u00e7\u00e3o do sonho americano, para Fuller, \u00e9 toda segmentada de viol\u00eancia, e esta, a base s\u00f3lida para constru\u00e7\u00e3o de qualquer imp\u00e9rio, seja o pessoal-profissional, seja o americano. Porque j\u00e1 dizia o Selton Mello naquele Tarantino\u2019s Mind \u201camericano tem que ser alguma coisa na vida, nem que seja funcion\u00e1rio do m\u00eas no McDonald\u2019s ou l\u00edder dos lobinhos escoteiros\u201d, da\u00ed que John Barret e seu foco quase sexual sobre o pr\u00eamio Pulitzer \u00e9 um atestado (preconceituoso ou n\u00e3o, foda-se) da enfermidade (para Fuller) cr\u00f4nica dos ianques.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o deixa de haver, portanto, um sopro de apologia \u00e0 mediocridade na \u00f3ptica do cara. De qualquer forma, e leituras metaf\u00f3rico-masturbat\u00f3rias \u00e0 parte, Paix\u00f5es que Alucinam \u00e9 sensacional. Peter Breck fant\u00e1stico e Constance Towers a coisa mais linda do mundo naquele palco. Fuller n\u00e3o deixa de permear tudo com um humor e uma ironia incompat\u00edveis (e por isso mesmo acertad\u00edssimas) com os problemas expostos, ficando claro o quanto ele caga pra o que teoricamente deveria ser tratado com tanta seriedade. N\u00e3o \u00e9 exagero, ali\u00e1s, classificar Paix\u00f5es que Alucinam como uma com\u00e9dia de humor negro, numa esquizofrenia de g\u00eaneros contrabandeando-se constantemente de um drama pesado de deteriora\u00e7\u00e3o para uma com\u00e9dia com toques latentes de Este Mundo \u00e9 um Hosp\u00edcio. E ouvir um negro correndo atr\u00e1s de outro aos gritos de \u201cpeguem-no antes que se case com minha filha!\u201d n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o longe de um \u201cCHAAARGE!\u201d como parece. Assim como a regress\u00e3o de um cientista genial para uma crian\u00e7a de 6 anos, que dialoga, atrav\u00e9s do v\u00ednculo da bomba at\u00f4mica, com a regress\u00e3o da humanidade da maturidade \u00e0 sua inf\u00e2ncia (o que teria efetivamente ocorrido caso o risco iminente de destrui\u00e7\u00e3o nuclear da \u00e9poca \u2013 1963 \u2013 tivesse se consumado, confirmando ainda a profecia de Einstein naquela resposta sobre as armas numa hipot\u00e9tica 3\u00aa guerra mundial), tem sua for\u00e7a na ironia natural do acontecimento, ainda que as gargalhadas se mantenham num n\u00edvel mais grave, silencioso, num pano de fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E os \u00faltimos dez minutos s\u00e3o org\u00e1smicos, com um surto surrealista e um plano final chocante (ainda que meio previs\u00edvel \u2013 entre outras coisas tamb\u00e9m &#8211; , o que n\u00e3o faz diferen\u00e7a alguma, j\u00e1 que n\u00e3o poderia mesmo ser de outro modo).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre tantos filmes concebidos como linhas de fogo contra a Am\u00e9rica e seus pilares feitos de ossos, Paix\u00f5es que Alucinam talvez seja o mais maci\u00e7o. 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