{"id":110,"date":"2008-05-12T22:09:06","date_gmt":"2008-05-13T00:09:06","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=110"},"modified":"2008-05-12T22:09:06","modified_gmt":"2008-05-13T00:09:06","slug":"chinatown-roman-polanski-1974","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/chinatown-roman-polanski-1974\/","title":{"rendered":"Chinatown (Roman Polanski, 1974)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/img27.imageshack.us\/img27\/9922\/chibatown.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Falar de Chinatown apenas como uma mera homenagem ao film noir, e pior, assist\u00ed-lo desta forma, significa limitar profundamente o potencial de uma das mais extraordin\u00e1rias experi\u00eancias cinematogr\u00e1ficas \u00e0s quais um espectador no limiar quase inocente de sua passividade pode ser submetido. E se todo noir \u00e9 meio como um par\u00e1grafo a mais no extenso tratado da dubiedade humana, o filme do polaco \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo da coisa toda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O roteiro de Robert Towne \u00e9 uma complexa e incrivelmente densa aula de como, afinal, se escreve pra cinema. O tempo todo brincando com o espectador, o tempo todo engendrando detalhes e promovendo um n\u00famero de reviravoltas que quase n\u00e3o cabe em 130 minutos. E h\u00e1 uma s\u00e9rie de ecos internos, um di\u00e1logo do filme consigo mesmo que por sinal \u00e9 um simulacro da pr\u00f3pria atividade de J.J. Gittes, cujo fundamento ao qual quase sempre o detetive \u00e9 fadado \u00e9 percorrer toda a amplitude de um caso para reencontrar a solu\u00e7\u00e3o, sob outra perspectiva, no in\u00edcio do c\u00edrculo. O modo como a buzina do carro de Evelyn \u00e9 usada da primeira vez para causar um efeito t\u00e3o forte no final do filme \u00e9 coisa pra ser documentada e catalogada como artif\u00edcio de linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Chinatown ainda oferece uma galeria de personagens fant\u00e1sticos. A cena do primeiro encontro de Gittes e Evelyn \u00e9 antol\u00f3gica e praticamente resume o tom que permeia a rela\u00e7\u00e3o dos dois por quase todo filme, com Evelyn escondendo-se sob uma parede de gelo enquanto Gittes tenta sem sucesso disfar\u00e7ar sua vulgaridade natural (coloque-se a \u00eanfase em qualquer das duas palavras) com um terno riscado, um cigarro e um vocabul\u00e1rio muito fr\u00e1gil e cuidadoso. Lou Escobar \u00e9 o referencial determinante para o ar de fracasso que persegue Gittes de antes, durante, a depois do tempo presente do filme. E por uma simples diferen\u00e7a de adapta\u00e7\u00e3o, tanto numa Chinatown quanto (da\u00ed um pessimismo constante por toda a obra) em qualquer outro lugar onde deve-se (ao que parece, sempre) \u201cfazer o menos poss\u00edvel\u201d. E de Noah Cross resta John Huston (um dos diretores angulares na constru\u00e7\u00e3o do film noir) com um desempenho inacredit\u00e1vel na caracteriza\u00e7\u00e3o definitiva do velho rico e asqueroso, reduzindo a nada a dist\u00e2ncia entre o s\u00e1dico e o divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Talvez o que mais aproxime Chinatown do noir (ou melhor, o que o torna um representante genu\u00edno do \u2018g\u00eanero\u2019, e foda-se se n\u00e3o \u00e9 em PeB), acima dos arqu\u00e9tipos como detetives, crimes intrincados, femme fatales&#8230; \u00e9 um sopro intenso de amargura como mat\u00e9ria-base. Os acontecimentos sempre terminam corroendo e derrubando seus personagens (e No Sil\u00eancio da Noite \u00e9 o filme essencial neste sentido). Inclusive \u00e9 dif\u00edcil acreditar que Robert Towne imaginasse um final diferente, e que Roman Polanski teve que conquistar aquela que \u00e9 a cena-chave do filme \u00e0 for\u00e7a. E \u00e9 o final mais tr\u00e1gico poss\u00edvel, onde todos os maiores medos dos protagonistas foram preenchidos com uma \u00eanfase de crueldade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Chinatown \u00e9 daqueles filmes que merecem mesmo um estudo minucioso. Muito do que construiu o cinema neste mais de um s\u00e9culo est\u00e1 ou expl\u00edcito ou latente nesta que \u00e9 uma das maiores obras-primas do cinema americano. Um noir \u00e9pico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar de Chinatown apenas como uma mera homenagem ao film noir, e pior, assist\u00ed-lo desta forma, significa limitar profundamente o potencial de uma das mais extraordin\u00e1rias experi\u00eancias cinematogr\u00e1ficas \u00e0s quais um espectador no limiar quase inocente de sua passividade pode &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/chinatown-roman-polanski-1974\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[480,1132,1591,2018],"class_list":["post-110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-chinatown","tag-jack-nicholson","tag-noir","tag-roman-polanski"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}