{"id":1063,"date":"2008-08-09T19:49:09","date_gmt":"2008-08-09T21:49:09","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=1063"},"modified":"2008-08-09T19:49:09","modified_gmt":"2008-08-09T21:49:09","slug":"na-natureza-selvagem-sean-penn-2007","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/08\/09\/na-natureza-selvagem-sean-penn-2007\/","title":{"rendered":"Na Natureza Selvagem (Sean Penn, 2007)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/08\/into-the-wild.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1064\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/08\/into-the-wild.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"240\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">H\u00e1 dias venho ensaiando uma forma de falar deste filme de Sean Penn, mas sem absolutamente nenhum sucesso. E isso se deve a uma situa\u00e7\u00e3o bastante peculiar: no momento em que comecei a assistir o filme tinha uma impress\u00e3o que se desfez nas semanas seguintes \u00e0 sess\u00e3o. Raramente tal evento acontece, o que h\u00e1 \u00e9 um aprofundamento em minha mente que acaba gerando uma an\u00e1lise mais fundamentada dos mesmos fatores que me levaram a tal impress\u00e3o inicial&#8230; mas uma reformula\u00e7\u00e3o, que diabos era isso?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tenho que dizer que <em>Into the Wild<\/em> me exauriu completamente durante os dias subsequentes \u00e0 experi\u00eancia. N\u00e3o me lembro de quando um filme obteve similar efeito sobre mim. Em dado momento, estava t\u00e3o confuso que n\u00e3o sabia se havia gostado, se havia sido uma experi\u00eancia agrad\u00e1vel ou tediosa, destrutiva ou construtiva,\u00a0 jocosa ou fatigante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Eu n\u00e3o havia lido muito sobre ele. Sabia apenas que se tratava de um jovem, que aparentemente tinha uma m\u00e1 conviv\u00eancia com os pais. Ap\u00f3s graduar-se, sai de casa em busca de uma vida junto \u00e0 natureza rumo ao Alasca e conhece v\u00e1rios personagens no caminho que mudam seus conceitos e lhe proporcionam aprendizado. N\u00e3o poderia eu estar diante de uma sinopse mais previs\u00edvel&#8230;podia construir atrav\u00e9s da premissa toda a trajet\u00f3ria do garoto em termos gerais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao final do filme estava absolutamente extasiado com os rumos da est\u00f3ria e com a sinopse, pra mim,\u00a0 completamente inadequada. Fui pensar porque tive essa impress\u00e3o (nossa mente trabalha mais r\u00e1pido do que nosso possibilidade de processamento dos porqu\u00eas) e permaneci durante semanas tra\u00e7ando hip\u00f3teses e pensando porque raios aquela obra me deixara t\u00e3o perturbado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como f\u00e3 do processo criativo de personagens, bem como do comportamento humano, acabei chegando na seguinte perspectiva: h\u00e1 algo de diferente em Chris McCandless, algo que destr\u00f3i minha l\u00f3gica desse processo de g\u00eanese, algo muito dif\u00edcil de explicar, mas que o torna um contraponto por exemplo \u00e0 personagem Nikki Grace do &#8220;turbulento&#8221; Imp\u00e9rio dos Sonhos, cuja l\u00f3gica compreende a desordem psicol\u00f3gica da protagonista. Mesmo sendo demasiadamente complexa, h\u00e1 ali uma conex\u00e3o entre os principais elementos que a comp\u00f5em, uma rede intrincada de pequenos fragmentos que se interligam de forma estranha, mas coesa.\u00a0 E sobre os que voc\u00ea n\u00e3o conhece a conex\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o se importa tanto, se conforma em n\u00e3o conhecer seus significados ocultos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sobre Chris n\u00e3o. H\u00e1 incoer\u00eancias comportamentais graves e inquietantes, motiva\u00e7\u00f5es obscuras e comportamentos n\u00e3o tradicionalmente expostos em obras de arte. Ele realmente navega contra a mar\u00e9, contra tudo que j\u00e1 vi e se torna um personagem muito especial. Algu\u00e9m que parece n\u00e3o ser criado porque guarda a ess\u00eancia de uma individualidade peculiar que n\u00e3o parece ter sido processada ou compreendida por ningu\u00e9m. Chris \u00e9 simplesmente humano demais e isso estava me matando, destro\u00e7ando meu mundinho de espectador!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Parte desse eco em minha mente foi desfeito quando sobre que era uma est\u00f3ria real, mesmo sabendo que sua vida foi redimensionada em um instrumento concreto (seja o livro, seja o filme). Entendi que parte dele foi deixada ali como uma estrutura complexa demais para ser reanalisada: &#8220;melhor reproduzir apenas seus efeitos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Jovem obstinado a cumprir seu objetivo (que se traduz concretamente em &#8220;chegar ao Alasca, n\u00e3o importa como&#8221;, simplifica\u00e7\u00e3o absurda e insuficiente de todos os in\u00fameros fatores que proporcionam a ele essa mudan\u00e7a radical de vida), Chris v\u00ea em seu caminho pessoas tratando coisas comuns de forma comum e mesmo as diferenciadas como os hippies, tratando as adversidades com um caminho baseado em regras (diferentes da perspectiva social dominante, claro), mas ainda assim regras. E a\u00ed o que mais me surpreende \u00e9 a forma totalmente at\u00edpica dele tratar tais situa\u00e7\u00f5es e principalmente a conviv\u00eancia com outros seres humanos. A minimiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es interpessoais (quase cruel, em minha opini\u00e3o a todos que atravessam sua cruzada), trocada por uma marca perp\u00e9tua (embora extremamente breve) da passagem de Supertramp em suas vidas conjugada com algumas atitudes supostamente incoerentes com suas cren\u00e7as o elevam a um n\u00edvel ilimitado de complexidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Reduzi-lo, como j\u00e1 vi por vezes, a &#8220;apenas um jovem inconsequente ou idiota&#8221; \u00e9 rejeitar um universo que funciona de forma distinta que o comum e destruir uma experi\u00eancia no m\u00ednimo muito, mas muito interessante. A id\u00e9ia de tentar compreend\u00ea-lo por completo, por\u00e9m, produz igual destrui\u00e7\u00e3o, tornando tudo ainda mais desafiador e empolgante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Bel\u00edssima trilha sonora de Eddie Vader (vocalista do Pearl Jam ou ex, n\u00e3o sei bem), fotografia espetacular e tratamento de sensibilidade \u00edmpar de Emile Hirsch e Penn em rela\u00e7\u00e3o ao homem real que Chris representa Creio que, ap\u00f3s todo o processo reflexivo que o filme me proporcionou (e que n\u00e3o consigo reproduzir em um texto nem 10%) posso dizer que Na Natureza Selvagem \u00e9 emocionante e recomendad\u00edssimo aos leitores do Multiplot!<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>S\u00edlvio Tavares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias venho ensaiando uma forma de falar deste filme de Sean Penn, mas sem absolutamente nenhum sucesso. 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