{"id":104,"date":"2008-05-12T21:31:22","date_gmt":"2008-05-12T23:31:22","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=104"},"modified":"2008-05-12T21:31:22","modified_gmt":"2008-05-12T23:31:22","slug":"paranoid-park-gus-van-sant-2007","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/paranoid-park-gus-van-sant-2007\/","title":{"rendered":"Paranoid Park (Gus Van Sant, 2007)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dailycal.org\/photos\/20080313\/100881-paranoid-park-02.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"339\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Jamais suportei o modo como a adolesc\u00eancia \u00e9 tratada no cinema. Quase sempre chega-se com um p\u00e9 na porta, uma c\u00e2mera na m\u00e3o, encontra-se um fundo falso multicolorido e pronto, o espectador d\u00e1 de cara na parede, interrompido, permanecendo apenas na ante-sala desta fase t\u00e3o complexa e t\u00e3o mal traduzida em imagens. Resta no filme uma luz forte, p\u00e1lida e saturada de preconceitos. Exatamente por isso, Paranoid Park \u00e9 todo reden\u00e7\u00e3o. Mais minha para com o tema do que do pr\u00f3prio personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que o torna transcendental, ao menos neste aspecto, \u00e9 um senso muito b\u00e1sico que na verdade acaba mapeando o \u00eaxito do filme todo, como uma decis\u00e3o acertada numa bifurca\u00e7\u00e3o logo no in\u00edcio. O respeito com que Van Sant trata Alex coloca seu filme num ponto de equil\u00edbrio que acaba transportando toda a pel\u00edcula para dentro do personagem, projetando o filme atrav\u00e9s das lentes dos seus olhos. A partir da\u00ed, Gus Van Sant desaparece, como se nunca tivesse existido, e ficamos sozinhos no filme. O que ocorre \u00e9 o espectador preso na caixa craniana de Alex, vendo a movimenta\u00e7\u00e3o em microgravidade dos skates e ouvindo o mundo do lado de fora atrav\u00e9s de ouvidos mutantes, de um corpo mutante, de um human\u00f3ide no terreno a v\u00e1cuo entre a inf\u00e2ncia e a maturidade, um lugar atrav\u00e9s do espelho onde as coisas mudam de forma tomando valores que n\u00e3o podem ser compreendidos do lado de fora deste novo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Acima de tudo, Paranoid Park \u00e9 sobre a solid\u00e3o, o isolamento aparentemente inquebrant\u00e1vel no qual Alex est\u00e1 jogado. Vagando linearmente num corredor vazio como se vagasse por um purgat\u00f3rio, fechado em si, incapaz de uma comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se reflita nas folhas de um caderno e volte contra ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">H\u00e1 tr\u00eas cenas, pra mim, absurdas no filme. Aparentemente simples, quase tediosas se vistas de tr\u00e1s de um balde de pipocas, mas escondendo sob si a for\u00e7a de um megaton, cem vezes mais chocantes que aquela outra, a bem expl\u00edcita (que tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3tima mas n\u00e3o consegue compara\u00e7\u00e3o). Primeiramente, a tal cena do chuveiro, rid\u00edcula se descrita visualmente, mas ilustrando o momento preciso em que Alex sente o mundo inteiro caindo sobre o seu corpo. Segundo, a que revela seu pai, algu\u00e9m que com cinco segundos na tela demonstra ter passado e sobrevivido pelo dito monstro da adolesc\u00eancia, mas ainda fr\u00e1gil e confuso, ainda mais cheio de problemas. Por \u00faltimo, a cena de sexo, momento-mor do isolamento de Alex diante do seu meio, passando de costas por aquele que em tese seria um dos maiores acontecimentos da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E h\u00e1 uma simplicidade tocante em como tudo acontece. \u00c9 quando uma prov\u00e1vel gigantesca pretens\u00e3o (e sem elas n\u00e3o se realiza nada) acaba totalmente eclipsada por sua pr\u00f3pria efici\u00eancia. A \u00fanica coisa que me incomodou (al\u00e9m desta minha avers\u00e3o preconceituosa incrustada em rela\u00e7\u00e3o ao tema da adolesc\u00eancia, que de todo modo, come\u00e7a a ser dilu\u00edda para talvez inexistir numa revisitada) foi mesmo a escolha de manter os pais de Alex distantes do foco, um recurso \u00f3bvio demais que al\u00e9m de destoar das demais op\u00e7\u00f5es de Van Sant, j\u00e1 aparece sobrando diante do refinamento com que a mesma sensa\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia que o separa do mundo (e n\u00e3o apenas de sua fam\u00edlia) \u00e9 transmitida.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De qualquer forma, Paranoid Park merece tudo o que vem se dizendo dele. N\u00e3o sei se \u00e9 um dos filmes da d\u00e9cada, se \u00e9 antol\u00f3gico, mas preenche um espa\u00e7o que, pra mim, carecia de um tratamento \u00e0 altura. E aten\u00e7\u00e3o ao Van Sant, porque o cara t\u00e1 ficando grande.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jamais suportei o modo como a adolesc\u00eancia \u00e9 tratada no cinema. Quase sempre chega-se com um p\u00e9 na porta, uma c\u00e2mera na m\u00e3o, encontra-se um fundo falso multicolorido e pronto, o espectador d\u00e1 de cara na parede, interrompido, permanecendo apenas &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/paranoid-park-gus-van-sant-2007\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[983,1800,2425],"class_list":["post-104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-gus-van-sant","tag-paranoid-park","tag-van-sant"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}