{"id":768,"date":"2008-07-23T01:05:24","date_gmt":"2008-07-23T03:05:24","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?page_id=768"},"modified":"2008-07-23T01:05:24","modified_gmt":"2008-07-23T03:05:24","slug":"5%c2%ba-tiago-ramacciotti","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/5%c2%ba-tiago-ramacciotti\/","title":{"rendered":"5\u00ba &#8211; Tiago Ramacciotti"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Avalia\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Luis Henrique Boaventura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Excessivamente did\u00e1tico. Poderia ter seguido uma l\u00f3gica de abordagem mais criativa (ou simplesmente mais il\u00f3gica) ao inv\u00e9s de simplesmente escrever sobre partes do filme cronologicamente, o que al\u00e9m de poupar um tempo e um espa\u00e7o precioso, poderia canalizar sua concentra\u00e7\u00e3o para o que realmente interessa. N\u00e3o, n\u00e3o estou falando do que interessa pra mim, mas pra voc\u00ea. O que te faz amar Laranja Mec\u00e2nica (creio que voc\u00ea ame, n\u00e3o ficou bem claro no texto). Mesmo assim, t\u00e1 bem escrito e tudo, bem estruturadinho, ainda que nos limites de uma reda\u00e7\u00e3o pra vestibular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">2\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Dalpizzolo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mais ou menos o que todo mundo dever\u00e1 dizer sobre teu texto, excessivamente narrativo e muito pouco criativo, al\u00e9m de entregar todo o jogo para fundamentar um discurso que n\u00e3o necessariamente precisava vir com ilustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">3\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conta o filme inteiro. Mastiga, sem trazer nada de novo. Se eu n\u00e3o tivesse visto o filme n\u00e3o precisaria depois de ler esse texto. Lament\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">1\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Vin\u00edcius Veloso Garcia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Que que \u00e9 isso, o rapaz me conta o filme todo!! Era pra fazer uma resenha, e n\u00e3o contar cena por cena, ficou parecendo aqueles caras q assistem um filme e tentam explicar aos outros, s\u00f3 ficou faltando o &#8220;E da\u00ed&#8230;&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Que raios \u00e9 &#8220;Stanley Kubrick lan\u00e7a seu Laranja Mec\u00e2nica&#8221;? Quer dizer que cada um pode lan\u00e7ar sua pr\u00f3pria Laranja Mec\u00e2nica?? A minha dica pra lan\u00e7ar uma boa Laranja Mec\u00e2nica \u00e9 ir at\u00e9 uma quitanda e comprar uma laranja de tamanho m\u00e9dio, mirar na cabe\u00e7a do 1\u00ba idiota que contar o filme todo em uma resenha e acertar no meio testa do ind\u00edviduo pra ver se pega no tranco!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">P\u00e9ssima resenha, n\u00e3o vale um DVD! Minha nota \u00e9: 1\/10 (a nota 1 \u00e9 porque voc\u00ea ao menos se deu ao trabalho de mandar a resenha)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">1\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Cassius Abreu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um texto politicamente correto, que pouco adentrou nas quest\u00f5es \u2013 faz as perguntas, mas deixa-as meio separadas e inconsistentes \u2013, al\u00e9m de haver descri\u00e7\u00f5es em excesso para quem viu o filme e baratas para quem n\u00e3o viu. H\u00e1 alguns problemas de falta de linha de racioc\u00ednio, n\u00e3o por l\u00f3gica, mas para ligar termos, como em toda a segunda frase do primeiro par\u00e1grafo \u2013 e o terceiro par\u00e1grafo come\u00e7a da narra\u00e7\u00e3o, passa pelo final, e fecha com uma curiosidade (muita abrang\u00eancia em pouco espa\u00e7o). Outro problema s\u00e3o v\u00e1rios par\u00eanteses que quebram demais o ritmo da leitura, que \u00e9 at\u00e9 bom, flui rapidamente e com rar\u00edssimos problemas gramaticais (mais de v\u00edrgula, mas nada aberrante para perder ponto conquistado em alguma id\u00e9ia).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Laranja Mec\u00e2nica \u00e9 cheio de camadas a serem exploradas ricamente: n\u00e3o precisam ser todas, muito pelo contr\u00e1rio, mas \u00e9 o t\u00edpico filme em que n\u00e3o d\u00e1 para sugerir algo e parar por a\u00ed. Seja mais ousado da pr\u00f3xima, parece que a mesma quest\u00e3o est\u00e1 se repetindo (viol\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 cada um de n\u00f3s?) em todos os momentos, mas o Kubrick d\u00e1 a resposta e voc\u00ea mesmo chegou a come\u00e7ar no par\u00e1grafo sobre a vingan\u00e7a, por\u00e9m voltou a perguntar. N\u00e3o \u00e9 para jogar na cara do leitor \u2013 pelo contr\u00e1rio \u2013, mas sim procurar ligar o porqu\u00ea da qualidade e atra\u00eancia do filme ao fato de propor tais debates de forma ousada e provocativa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">3\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Total: <span style=\"color:#ff0000;\">10 pontos<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Texto:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Laranja Mec\u00e2nica (Stanley Kubrick, 1971)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Apenas tr\u00eas anos ap\u00f3s o filme que \u00e9 considerado por muitos sua obra-prima (2001: Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o) Stanley Kubrick lan\u00e7a seu Laranja Mec\u00e2nica, e consegue atingir com esse o mesmo n\u00edvel de qualidade do filme anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No filme seguimos a hist\u00f3ria de Alex, um jovem delinq\u00fcente que lidera uma gangue, \u00e9 preso e reeducado pelo governo. Basicamente esse \u00e9 o enredo de todo o filme, o que pode parecer simples, mas devido \u00e0 qualidade do roteiro (do diretor baseado no livro hom\u00f4nimo de Anthony Burgess) e a natureza critica de toda a obra isso n\u00e3o \u00e9 verdade. O filme \u00e9 essencialmente um ensaio sobre a viol\u00eancia, disparando quest\u00f5es sobre isso a cada momento, e toda essa reflex\u00e3o s\u00f3 funciona por estar apoiada em tr\u00eas pilares: o roteiro (como j\u00e1 disse anteriormente), a atua\u00e7\u00e3o de Malcom McDowell e a dire\u00e7\u00e3o de Kubrick.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As op\u00e7\u00f5es do diretor ajudam a dar glamour ao primeiro ato do filme, quando Alex e seus Drugues (como ele chama seus companheiros de gangue) saem pela cidade espancando mendigos, brigando com rivais e invadindo casas. O uso de m\u00fasica cl\u00e1ssica na cena da briga no teatro ajuda a criar um clima de quase aprecia\u00e7\u00e3o art\u00edstica de tudo aquilo, dando ao confronto uma dimens\u00e3o bem maior. A cena da briga entre Alex e George Boy tamb\u00e9m \u00e9 um exemplo de viol\u00eancia apresentada de uma forma atraente, belamente filmada e empolgante. Esse estilo faz com que v\u00e1rios dos espectadores se divirtam e gostem dos atos dos Drugues, o que ser\u00e1 de extrema import\u00e2ncia para o que vem depois, quando os questionamentos come\u00e7am a surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">McDowell d\u00e1 uma atmosfera amea\u00e7adora e ao mesmo tempo simp\u00e1tica ao personagem, pois mesmo sabendo que ele \u00e9 capaz de diversas atrocidades o p\u00fablico tamb\u00e9m se diverte com os coment\u00e1rios feitos por ele na narra\u00e7\u00e3o. Isso se deve ao talento de Malcom em retratar Alex em toda sua complexidade, conferindo cr\u00e9dito at\u00e9 ao Alex fr\u00e1gil visto ap\u00f3s a pris\u00e3o (e percebam que mesmo assim, ainda podemos identificar o delinq\u00fcente do come\u00e7o do filme). Mas a maior contribui\u00e7\u00e3o do ator para a discuss\u00e3o do filme \u00e9 sem d\u00favida a adi\u00e7\u00e3o de Singing in the Rain (can\u00e7\u00e3o da cena do filme Dan\u00e7ando na Chuva em que Gene Kelly&#8230; dan\u00e7a na chuva) na cena do arrombamento da casa do escritor. Kubrick pediu para ele cantar e dan\u00e7ar enquanto espancava o casal (uma op\u00e7\u00e3o que demonstra o que falei no par\u00e1grafo anterior), e Malcom come\u00e7ou a cantar essa can\u00e7\u00e3o que \u00e9 s\u00edmbolo de alegria (devido ao seu contexto original) o que conferiu uma intensidade maior \u00e0 cena (pelo choque entre a associa\u00e7\u00e3o original da can\u00e7\u00e3o e o novo contexto). Simplesmente brilhante o resultado (curiosamente, o ator s\u00f3 cantou essa m\u00fasica porque era a \u00fanica que ele sabia a letra inteira).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Avan\u00e7ando na hist\u00f3ria Alex \u00e9 preso depois de assassinar uma mulher e mandado para a pris\u00e3o, s\u00f3 que ao saber de um jeito de sair da reclus\u00e3o em poucas semanas ele resolve se submeter a um tratamento que pretende curar criminosos de suas tend\u00eancias sociopatas. Antes mesmo da parte do tratamento somos apresentados a uma quest\u00e3o importante do filme. Durante a conversa com o padre da pris\u00e3o Alex escuta que um tratamento pra impor o bem na ess\u00eancia de algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 algo bom, pois o a mudan\u00e7a deve ser real e interior, n\u00e3o for\u00e7ada, e ao final da experi\u00eancia com Alex isso volta \u00e0 baila. Ser\u00e1 que aquela reeduca\u00e7\u00e3o for\u00e7ada foi realmente uma boa sa\u00edda? Ser\u00e1 que o certo n\u00e3o seria tentar uma reeduca\u00e7\u00e3o interna e volunt\u00e1ria como o padre disse a Alex? Essas perguntas caem muito bem na discuss\u00e3o sobre o sistema penal e o que \u00e9 feito para ajudar em uma mudan\u00e7a real nos detentos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O tratamento consiste em ver (ou videar,como Alex diz com suas g\u00edrias caracter\u00edsticas) cenas violentas, como estupros e espancamentos, enquanto a cobaia passa mal devido ao medicamento previamente recebido, gerando assim um reflexo condicionado para qualquer pensamento violento da cobaia. E durante o tratamento a segunda quest\u00e3o sobre a viol\u00eancia \u00e9 levantada pela enfermeira que injeta o medicamento quando ela afirma que pessoas normais se sentem mal ao verem atos como os cometidos por Alex na primeira parte do filme, s\u00f3 que Kubrick e Mcdowell fizeram com que nos divert\u00edssemos vendo aquelas cenas, logo, n\u00f3s somos anormais, o que faz pensarmos \u201cSer\u00e1 que realmente somos anormais? Ser\u00e1 que o gosto pela viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 inerente ao homem?\u201d. Uma discuss\u00e3o v\u00e1lida e muito profunda sobre a natureza humana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando o tratamento acaba com os resultados esperados ele apresenta tamb\u00e9m um efeito colateral, Alex n\u00e3o pode mais ouvir a nona sinfonia de Beethoven (sua predileta), pois ela era a trilha de um dos v\u00eddeos. Isso aponta para um detalhe interessante, alguns dos nossos prazeres considerados sadios pela sociedade est\u00e3o ligados ao \u201cmal\u201d dentro de n\u00f3s, logo, quando ele \u00e9 totalmente extra\u00eddo n\u00f3s perdemos esses prazeres saud\u00e1veis. Ent\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 saud\u00e1vel tamb\u00e9m um pouco desse dito \u201cmal\u201d em nossas personalidades?<br \/>\nAqui um pouco da hipocrisia e das a\u00e7\u00f5es politicamente corretas s\u00e3o contestadas, e como atualmente essas duas coisas est\u00e3o no \u00e1pice essa discuss\u00e3o \u00e9 bastante importante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na parte final o mendigo, os drugues e o escritor podem se vingar de Alex e nenhum deles perde a oportunidade de espancar, afogar, torturar, etc, um Alex mais indefeso do que eles eram quando foram agredidos. Esse fato refor\u00e7a duas das quest\u00f5es anteriores: Ser\u00e1 que o tratamento Ludovico vale a pena? E n\u00e3o seria a viol\u00eancia inerente \u00e0 natureza humana?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Encerrando o filme com uma critica ir\u00f4nica ao governo, que literalmente d\u00e1 comida na boca de Alex para t\u00ea-lo como aliado, e uma insinua\u00e7\u00e3o de que finalmente Alex se reconciliou com seus instintos humanos Kubrick fecha com chave de ouro seu ensaio sobre a rela\u00e7\u00e3o humanidade\/viol\u00eancia (que \u00e9 usada tamb\u00e9m em Nascido para Matar).\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00f5es: Luis Henrique Boaventura Excessivamente did\u00e1tico. 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