{"id":757,"date":"2008-07-23T00:30:29","date_gmt":"2008-07-23T02:30:29","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?page_id=757"},"modified":"2008-07-23T00:30:29","modified_gmt":"2008-07-23T02:30:29","slug":"2%c2%ba-alecsander-portilio","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2%c2%ba-alecsander-portilio\/","title":{"rendered":"2\u00ba &#8211; Alecsander Portilio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Avalia\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Luis Henrique Boaventura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sofre de uma densidade\u00a0te\u00f3rica que, diferente dos outros textos, n\u00e3o chega a atrapalhar drasticamente, apenas situa a vis\u00e3o do Alecsander dentro de uma linha l\u00f3gica entremeada de uma bagagem que vai al\u00e9m da experi\u00eancia de assistir 2001, simplesmente. N\u00e3o que eu condene a intertextualidade, apenas n\u00e3o vou com a cara do uso abusivo de nomes, livros, teorias, estudos, quando as refer\u00eancias deixam de ser refer\u00eancias para se tornarem objeto principal do texto, entregando a opini\u00e3o a um plano de fundo, o que acaba ocorrendo em determinados momentos limitados \u00e0 men\u00e7\u00e3o de fatos e poss\u00edveis linhas de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas curti o texto. Apesar de meio longa, gostei da introdu\u00e7\u00e3o relatando a experi\u00eancia e a rela\u00e7\u00e3o do Alecsander com 2001, num tom mais pessoal que s\u00f3 viria a ser retomado no \u00faltimo par\u00e1grafo, infelizmente. E t\u00e1 bem escrito e tal, o Alecs j\u00e1 tem um \u2018estilo\u2019 mais saliente, um jeito mais pr\u00f3prio e seguro de si pra escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">6\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Dalpizzolo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Bastante ligado ao extra-filme, ou melhor, ao extra-extra filme, \u00e0 heran\u00e7a. Mas bem escrito e com algumas coisas que seguram as pontas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">5\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Costa:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O texto come\u00e7a lindo, implorando por 10 (e recebendo at\u00e9 ent\u00e3o), mas da\u00ed resolve contar como Kubrick e Clarke conceberam o filme&#8230; Da\u00ed pra frente \u00e9 ladeira abaixo. O texto melhora mais pro final, mas ficou uma sensa\u00e7\u00e3o de gozo interrompido pelo autor n\u00e3o ter explorado mais a experi\u00eancia de ver o filme&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">6\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Vin\u00edcius Veloso Garcia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Gostei desse come\u00e7o do seu texto, foi sincero, verdadeiro, passou isso a quem l\u00ea, mas a hora que achei q ia ficar bom, vc me veio com um monte informa\u00e7\u00f5es retiradas de outro lugar&#8230; ahhhh, isso n\u00e3o \u00e9 uma monografia, \u00e9 uma resenha, p\u00f4, tem que ser criativo, n\u00e3o se prender somente as informa\u00e7\u00f5es do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas s\u00f3 pela coragem de falar das coxas desnudas da polaca loira Xuxa, hahaha&#8230;\u00a0 vou dar um desconto, pq pelo menos me fez rir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">3\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Cassius Abreu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Alecs, seu texto tem bastante paix\u00e3o e eu gosto disso \u2013 algo que (quase) todos os outros tentaram evocar, por\u00e9m sempre sem mostrar bem. Apesar de exagerado ao extremo e misturar \u201cLaranja Mec\u00e2nica\u201d furtivamente no final do seu texto, o pen\u00faltimo par\u00e1grafo vale algumas gorduras ao longo dos demais. Pena que h\u00e1 pequenos derrap\u00f5es, como a refer\u00eancia a \u201cAI\u201d como &#8216;presepada&#8217; (ou deixa a obra intocada ou explane-a, o que seria desnecess\u00e1rio, afinal, falamos de \u201c2001\u201d) e a sua pr\u00f3pria contradi\u00e7\u00e3o em buscar explica\u00e7\u00f5es e entendimentos para obra quando afirma que o que vale mesmo \u00e9 o sensorial \u2013 por sinal, a sua ora\u00e7\u00e3o que determina esta opini\u00e3o foi um dos exageros descabidos, por mais que v\u00e1 de encontro com o que muitos de n\u00f3s viemos dizendo ao longo at\u00e9 de nossa exist\u00eancia cinematogr\u00e1fica, haha. S\u00f3 n\u00e3o ganhou tantos pontos porque a leitura n\u00e3o flui muito bem, por causa das historinhas \u2013 que ainda que n\u00e3o digam exatamente o beab\u00e1 do filme em si, serve como extra de DVD e queremos sua opini\u00e3o \u2013 mas s\u00f3 por colocar opini\u00f5es em um par\u00e1grafo e contar uma historinha (que, p\u00f4, eu at\u00e9 gostei, mesmo que for\u00e7ada) sobre toda a aura em volta do filme, j\u00e1 considero o texto como melhor \u2013 ou ser\u00e1 que \u00e9 porque foi o que julguei por \u00faltimo e j\u00e1 estava dormindo?, haha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">6\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Total: <span style=\"color:#ff0000;\">26 pontos<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Texto:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2001: Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o (1968) (4\/4)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o lembro exatamente da primeira vez em que escutei o nome do filme 2001: Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o, mas certamente eu ainda usava cal\u00e7as curtas (usava?) e estava mais preocupado em assistir Jaspion e A Caverna do Drag\u00e3o do que fazer qualquer outra coisa. Eventualmente, tamb\u00e9m nesta \u00e9poca, dividia o tempo entre um ou outro passeio junto com minha av\u00f3 paterna que me criou at\u00e9 os 7 ou 8 anos, j\u00e1 que meus pais trabalhavam quatrocentas horas por dia. Na TV, lembro da primeira Guerra do Golfo, das novelas da Globo e, inevitavelmente, do programa da Xuxa. Essa polaca-cor-de-camar\u00e3o que saiu de um filme proibido de Walter Hugo Khouri para me abusar sexualmente a cabe\u00e7a com suas coxas desnudas e sua nave estelar tosca de papel crepom. Se era dif\u00edcil conhecer o filme, imagine o diretor: nem pelo sagrado Daileon eu saberia quem era esse judeu.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, como a gente cresce e os interesses mudam, lembro que a primeira vez em que 2001 sorriu para mim eu tinha 18 anos e estava na casa da av\u00f3 da minha primeira namorada. Esse sorriso vale tamb\u00e9m para o ano, j\u00e1 que essa era a exibi\u00e7\u00e3o do filme na virada do mil\u00eanio, no dia 31 de dezembro de 2000. Tudo o que eu sabia at\u00e9 ent\u00e3o se resumia aos macacos: \u201co filme dos macacos\u201d. J\u00e1 tinha topado com ele outras vezes, em apresenta\u00e7\u00f5es semelhantes, mas nesta idade eu nutria um forte sentimento por experi\u00eancias n\u00e3o muito longas e que rendessem um prazer acachapante inigual\u00e1vel a qualquer outra coisa, se \u00e9 que me entendem. Algum tempo depois, pouco antes da faculdade e definitivamente seq\u00fcestrado pelo cinema resolvi dar as caras para o filme e o assisti, finalmente. N\u00e3o entendi quase nada do que tinha assistido, mas sabia que era grandioso demais para minha cabe\u00e7a adolescente. A \u00fanica coisa que eu disse foi: \u201cQue porra \u00e9 essa?\u201d. E foi isso. Durante os \u00faltimos anos assisti o filme incansavelmente na esperan\u00e7a de entender uma pequena porcentagem a mais de cada vez. Com a ajuda de alguns livros, \u00e9 poss\u00edvel hoje, al\u00e9m de entend\u00ea-lo, tecer algumas ramifica\u00e7\u00f5es que extrapolam a obra e revelam algumas inspira\u00e7\u00f5es de Kubrick, bem como servem para atestar que fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o \u00e9 feita s\u00f3 de monstros e efeitos especiais. O mais importante desses livros \u00e9 de Amir Labaki, com o mesmo nome do filme, editado pela Publifolha em 2000, do qual tiro grande parte das informa\u00e7\u00f5es deste texto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No ent\u00e3o remoto ano de 1948, Stanley Kubrick j\u00e1 tinha uma certa carreira de fot\u00f3grafo na revista Look e casava com sua primeira esposa. Enquanto isso, Arthur C. Clarke, um especialista em radares da Segunda Guerra, criador do conceito de sat\u00e9lite geoestacion\u00e1rio e \u00e1vido f\u00e3 de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica inscrevia uma de suas hist\u00f3rias curtas, A Sentinela, em um concurso liter\u00e1rio realizado pela BBC de Londres, onde foi derrotado. Quase vinte anos depois, Clarke j\u00e1 era um escritor consagrado da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, celebrado principalmente pelo conto O Fim da Inf\u00e2ncia, de 1953. Nesta \u00e9poca Kubrick j\u00e1 havia lan\u00e7ado Spartacus, Lolita e acabara de finalizar Dr. Fant\u00e1stico. Embora se saiba que o diretor nutria curiosidade pelos filmes passados no espa\u00e7o desde 1957, foi s\u00f3 em 1964 que Kubrick seu agente Roger Caras discutiram algu\u00e9m para colaborar com o roteiro de um projeto propriamente dito. Caras logo aconselhou procurar o melhor, e em 20 de maio do mesmo ano Arthur C. Clarke assinou contrato com Stanley Kubrick a cerca dos direitos de sete contos e hist\u00f3rias curtas, incluindo A Sentinela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Convencido por Clarke de que A Sentinela fornecia um material narrativo mais rico, Kubrick concordou em utiliz\u00e1-la como a fonte primordial para o que seria o inicio do projeto de 2001. A est\u00f3ria de nove p\u00e1ginas relatava a primeira vez em que o homem encontrava com uma prova de vida inteligente no universo, antes que a exist\u00eancia de vida na Terra existisse. Esse seria o ponto central de 2001: Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o, t\u00edtulo sugerido por Kubrick um ano depois do inicio do projeto. H\u00e1 ainda a adi\u00e7\u00e3o de uma outra novela de Clarke, Encounters in the Dawn, que corresponde ao primeiro ato de 2001, A Aurora do Homem. Os dois concordaram tamb\u00e9m em uma parceria para desenvolver ao mesmo tempo um romance e depois um roteiro que daria vida ao filme. Depois de v\u00e1rias reuni\u00f5es, o roteiro ficou pronto em dezembro de 1965 e pouco depois come\u00e7aram as filmagens nos est\u00fadios da MGM em Shepperton, perto de Londres. Um m\u00eas depois Clarke terminou o romance e Kubrick tomaria 1966 e 1967 com filmagens e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. O filme ficaria pronto para as telas somente um m\u00eas antes do lan\u00e7amento em 1968. No entanto, filme e livro revelariam experi\u00eancias bem diferentes uma da outra.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De cara, a maior diferen\u00e7a relatada at\u00e9 mesmo por Kubrick e Clarke entre o romance e o filme \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o. Enquanto o livro de Clarke explica demasiadamente todos os acontecimentos, como conv\u00e9m \u00e0 literatura, Kubrick optou por imbuir 2001 de uma aura de arte, grandiosidade e uma not\u00f3ria \u201cfalta\u201d de texto. Das mais de duas horas e meia de filme, existem pouco mais de 40 minutos de di\u00e1logos. \u00c9 como se tiv\u00e9ssemos, exemplarmente distintos a hist\u00f3ria do livro, a do roteiro e a que est\u00e1 na tela. E, \u00e9 claro, que conhecendo hoje o estilo e a obsess\u00e3o de Kubrick pela experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica, devem ter existido pelo menos uma m\u00e3o cheia de vers\u00f5es para o filme antes de seu diretor o declarar pronto para proje\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o especial para executivos do est\u00fadio, Kubrick cortou v\u00e1rias cenas ao longo do filme que \u201co explicavam demais\u201d. Depois das primeiras sess\u00f5es de lan\u00e7amento cortou mais 17 minutos, e mesmo assim, ele n\u00e3o perdeu significado, em contrapartida, talvez tenha ganhado em quesito obra-prima. Devo louvar essa decis\u00e3o, pois filmes \u201cexplicados\u201d acabam com a experi\u00eancia sensorial da obra cinematogr\u00e1fica e o torna um produto barato da teoria hipod\u00e9rmica (nossa! De onde veio isso?).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A recep\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi das melhores e a cr\u00edtica especializada dividiu opini\u00f5es \u00e0 cerca do que via na tela. Existiram as mais diversas rea\u00e7\u00f5es como gente deixando as salas e at\u00e9 mesmo algumas risadas dependendo das atitudes dos macacos na tela. Logo, Kubrick viu seu filme taxado de vazio, pretensioso, grotesco e amador. Sobretudo a cr\u00edtica defendia que o diretor deveria ter usado \u201cmais palavras\u201d. Dias depois, no New York Times, em entrevista a William Kloman, Kubrick n\u00e3o fez refer\u00eancia a nenhuma cr\u00edtica espec\u00edfica, apenas disse, com muita eleg\u00e2ncia: \u201cIsso, claro, \u00e9 parte da psicologia de resenhadores presos \u00e0 palavra. H\u00e1 certas \u00e1reas da realidade, ou da irrealidade, \u00e2nsia interior, chame isso como quiser, que s\u00e3o inacess\u00edveis a palavras\u201d. \u00c9 claro que, paralelamente, o filme tamb\u00e9m despertava \u00f3timas cr\u00edticas positivas. Mas, a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do cineasta tinha sido alcan\u00e7ada. Ele queria fazer \u201cuma experi\u00eancia intensamente subjetiva que alcan\u00e7asse o espectador em n\u00edveis muito \u00edntimos de consci\u00eancia, como a m\u00fasica faz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Existem as refer\u00eancias cl\u00e1ssicas de Kubrick no filme. Uma delas est\u00e1 em a Odiss\u00e9ia, referida j\u00e1 no t\u00edtulo e ao longo da jornada hom\u00e9rica do her\u00f3i Bowman \u00e0 \u201cJ\u00fapiter e Al\u00e9m do Infinito\u201d; outra est\u00e1 na mitologia de que todo o her\u00f3i constitui a elipse da volta para casa, enraizada na obra do antrop\u00f3logo Joseph Campbell em O Her\u00f3is das Mil Faces, a volta de Bowman, no entanto, \u00e9 acompanhada de uma transforma\u00e7\u00e3o radical. \u00c9 nesta transforma\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a mais forte refer\u00eancia de Kubrick, que come\u00e7a exatamente na m\u00fasica, quando ele evoca a filosofia de Nietzsche a partir da sinfonia Assim Falou Zaratustra, leitura de Richard Strauss para a obra liter\u00e1ria hom\u00f4nima. A transforma\u00e7\u00e3o do homem ao longo do filme acompanha a teoria evolutiva humana de Nietzsche. Essa tal obra, fundamental para compreender a filosofia nietzscheana do super-homem, \u00e9, assim como 2001, dividida em tr\u00eas atos: o do homem-macaco, a do homem como conhecemos hoje e a do super-homem. Vemos no filme respectivamente A Aurora do Homem, a epop\u00e9ia de naves especiais dan\u00e7ando ao som de Dan\u00fabio Azul, e o aparecimento da estrela embrion\u00e1ria. Dessa forma, Nietzsche explica: \u201c E o grande meio-dia ser\u00e1 quando o homem se achar na metade de sua trajet\u00f3ria entre o animal e o super-homem e festejar o seu caminho para a noite como a sua mais alta esperan\u00e7a. [&#8230;] o que h\u00e1 de grande, no homem, \u00e9 ser ponte, e n\u00e3o meta: o que pode amar-se, no homem, \u00e9 ser uma transi\u00e7\u00e3o e um ocaso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Kubrick deixa mist\u00e9rios no ar como se soubesse de algo que todos os outros n\u00e3o sabiam sobre a jornada da vida humana. Intelig\u00eancia artificial, a evolu\u00e7\u00e3o do homem, a rela\u00e7\u00e3o do homem com a m\u00e1quina, o dom\u00ednio da m\u00e1quina, a soberania do homem sobre a m\u00e1quina, a exist\u00eancia de vida extraterrestre, o encontro do homem com o extraterrestre, a interfer\u00eancia de entidades extraterrestres dotados de intelig\u00eancia artificial (m\u00e1quinas) na evolu\u00e7\u00e3o do homem. Essa \u00faltima parece se adequar mais ao filme. 2001 \u00e9 um filme de elipses e elas se fecham sempre no aparecimento do mon\u00f3lito, existindo tamb\u00e9m uma grande elipse entre a aurora do homem e o aparecimento da estrela embrion\u00e1ria. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dentro do filme que aparecem as elipses, elas est\u00e3o tamb\u00e9m, na vida real, Pois, exatamente em 2001 veio \u00e0s telas pelas m\u00e3os do Spielberg A. I. \u2013 Intelig\u00eancia Artificial, antigo projeto de Kubrick sobre um rob\u00f4-crian\u00e7a que lida com a rejei\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 m\u00e1quina. Tirando a presepada de Spielberg na maior parte do filme, seria a evolu\u00e7\u00e3o do homem um caminho \u00e0 mistura entre org\u00e2nico e mec\u00e2nico? Ou seria a nossa morte uma passagem para um estado consci\u00eancia superior chamado por Nietzsche de \u201csuper-homem\u201d? Respostas para tantas perguntas s\u00f3 quem sabe \u00e9 Kubrick, afinal ele j\u00e1 passou para \u201cal\u00e9m do infinito\u201d e infelizmente n\u00e3o teve tempo de nos presentear com sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de Intelig\u00eancia Artificial, que seria seu pr\u00f3ximo projeto depois de De Olhos Bem Fechados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Existem muitas outras influ\u00eancias e outros assuntos na obra de Kubrick e tamb\u00e9m em 2001, mas fico por aqui. Por fim, em uma rid\u00edcula, previs\u00edvel e estapaf\u00fardia elipse, 40 anos depois de o mundo ter visto a mais extraordin\u00e1ria obra cinematogr\u00e1fica de todos os tempos, escrevo essas palavras exasperadas, meio copiadas, meio concebidas, para dizer que me sinto grato por ter tido a chance de participar do que Kubrick chamou de \u201cuma experi\u00eancia intensamente subjetiva que alcan\u00e7asse o espectador em n\u00edveis muito \u00edntimos de consci\u00eancia, como a m\u00fasica faz\u201d. Desta forma me sinto muito mais pr\u00f3ximo do diretor do que poderia estar. Mas, afinal, n\u00e3o \u00e9 essa a import\u00e2ncia da arte? Como dizia o cartaz para atrair os hippies regados \u00e0 LSD: \u201c a viagem m\u00e1xima\u201d. Agora, toda a vez que pego minha c\u00f3pia de 2001 me preparo para uma ultimate trip. Mais do que todos os outros diretores, Kubrick fez de cada um de seus filmes uma dose cavalar de ultraviol\u00eancia em cada sess\u00e3o, nosso pr\u00f3prio tratamento ludovico. A quest\u00e3o \u00e9: voc\u00ea j\u00e1 tomou seu moloko com vellocet hoje? Eu j\u00e1.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00f5es: Luis Henrique Boaventura Sofre de uma densidade\u00a0te\u00f3rica que, diferente dos outros textos, n\u00e3o chega a atrapalhar drasticamente, apenas situa a vis\u00e3o do Alecsander dentro de uma linha l\u00f3gica entremeada de uma bagagem que vai al\u00e9m da experi\u00eancia de assistir &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2%c2%ba-alecsander-portilio\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-757","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/757\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}