{"id":755,"date":"2008-07-23T00:17:34","date_gmt":"2008-07-23T02:17:34","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?page_id=755"},"modified":"2008-07-23T00:17:34","modified_gmt":"2008-07-23T02:17:34","slug":"1%c2%ba-fabio-rockenbach","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/1%c2%ba-fabio-rockenbach\/","title":{"rendered":"1\u00ba &#8211; F\u00e1bio Rockenbach"},"content":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><strong>Luis Henrique Boaventura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Coisa estranha. Parece escrito como se fosse um dever de casa, b\u00e1sico, certinho, sem esfor\u00e7o, pra tirar a m\u00e9dia e pronto. Desculpe se n\u00e3o era isso, mas \u00e9 o que parece. Um balan\u00e7o geral de 2001, sem uma abordagem original (nem ao menos espec\u00edfica), sem estilo pr\u00f3prio, um texto escrito pra um jornal di\u00e1rio, sem assinatura. Talvez fa\u00e7a parte do v\u00edcio de jornalista, e da minha veemente nega\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de criatividade (parto do princ\u00edpio de que todos s\u00e3o criativos, basta a iniciativa) que aparece inerente ao modo \u2018cl\u00e1ssico\u2019 de levar a profiss\u00e3o, mas como t\u00f4 aqui pra dizer se gostei ou n\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#ff0000;\"><strong>3\/10<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Dalpizzolo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dos que escreveram sobre 2001, o mais bem condensado, abrindo espa\u00e7os para a pr\u00f3pria vis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#ff0000;\"><strong>6\/10<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um bom texto, por\u00e9m derivativo e com partes <em>muito<\/em> parecidas com outros textos do filme que j\u00e1 li na net&#8230; Conta partes do filme, mas sem descrev\u00ea-las, um &#8220;spoiler&#8221; mascarado. Assim d\u00e1 pra levar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">6\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Vin\u00edcius Veloso Garcia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas olha s\u00f3, o ex-meio-campista do Barcelona me surpreendeu agora!\u00a0hahaha &#8230;gostei do texto, muito bom, muito bem escrito, tem l\u00e1 sua complexidade, mas n\u00e3o acho que tenha como fazer uma resenha de 2001 com muita simplicidade, o filme em si \u00e9 complexo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"color:#ff0000;\">10\/10<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Cassius Abreu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ok, ficou at\u00e9 leg\u00edvel o texto, ele est\u00e1 bem estruturado (princ\u00edpio, meio e fim bem definidos), n\u00e3o tem tantos clich\u00eas ou derrama elogios \u00e0 toa&#8230; Mesmo assim, falta alma, falta ess\u00eancia, o tal romantismo que vive no \u00faltimo ato de \u201c2001\u201d, o pulsar do cora\u00e7\u00e3o quando o osso vira nave, o fato de ser imposs\u00edvel desviar o olho da reluzente viagem colorida de Kubrick no espa\u00e7o. O momento que mais gostei, do texto, foi o destaque \u00e0 frieza das personagens humanas (percebam que \u00e9 um raro filme de Kubrick em que o protagonista n\u00e3o se glorifica para sempre \u2013 HAL vale mais que Keir Duella), e tamb\u00e9m a introdu\u00e7\u00e3o com certa disposi\u00e7\u00e3o e despojamento para falar de Kubrick. De qualquer modo, mais um que pouco exprimiu sobre sua percep\u00e7\u00e3o individual que lhe confere \u00e0 obra, focando-se mais no hist\u00f3rico, que cansa em certos trechos, da obra, apesar de, felizmente, n\u00e3o contar tanto da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><span style=\"color:#ff0000;\"><strong>4\/10<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>TOTAL: <span style=\"color:#ff0000;\">29 pontos<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Texto:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2001 \u2013 Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Da alvorada ao infinito<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cMy god, it\u2019s full of stars\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Stanley Kubrick n\u00e3o podia ser rotulado como humilde. Nunca foi, ou n\u00e3o teria procurado Arthur Clarke, em uma tarde de 1964, com a pretens\u00e3o de levar \u00e0s telas um conto sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o universo e o homem. No choque entre duas mentes, talvez \u00e0 frente de seu tempo, o que sobrou foi uma obra que mesmo datada em seu t\u00edtulo tornou-se atemporal. Mais do que isso: \u201c2001 \u2013 Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o\u201dcoloca-se em uma categoria diferente. N\u00e3o se trata somente de um filme.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Complementa-se pela obra liter\u00e1ria e justifica-se pelas id\u00e9ias que provoca, e n\u00e3o pelo que explica. Para a consagrada cr\u00edtica Pauline Kael, \u201c&#8230;a linha da narrativa de Kubrick \u00e9, talvez, a mais redundantemente gloriosa de todos os tempos.\u201d N\u00e3o \u00e9 exagero, porque essa narrativa versa sobre o imponder\u00e1vel da ra\u00e7a humana frente ao universo que ele n\u00e3o conhece ( e nunca vai conhecer, na verdade ). \u00c9 preciso petul\u00e2ncia e confian\u00e7a para se dispor a falar com propriedade sobre o assunto. Kubrick falou, mostrou e justificou, porque era petulante e tinha coragem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os astronautas de Kubrick pisaram na Lua antes dos astronautas da NASA, mas n\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que um fato complementa outro. Toda a tecnologia utilizada para criar a mais realista reprodu\u00e7\u00e3o da vida no espa\u00e7o \u2013 antes que houvesse sequer exemplos pr\u00e1ticos \u2013 surgiu da colabora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria NASA na produ\u00e7\u00e3o. V\u00eaem da\u00ed a maior parte dos US$ 10 milh\u00f5es gastos na produ\u00e7\u00e3o. Eles rapidamente se converteram em US$ 190 milh\u00f5es, mas esses n\u00fameros n\u00e3o expressam a import\u00e2ncia dessa colabora\u00e7\u00e3o. A reprodu\u00e7\u00e3o de futuro de Kubrick \u00e9 t\u00e3o perfeita hoje &#8211; com CGIs e realidade virtual &#8211; como era em 1968. E se hoje a fic\u00e7\u00e3o \u00e9 um ve\u00edculo para dialogar sobre as possibilidades \u2013 e os temores \u2013 de nosso futuro, muito deve-se \u00e0 \u201c2001\u201d, porque antes de 1968, a fic\u00e7\u00e3o era um g\u00eanero discriminado, infantil e que versava sobre nossas possibilidades mais como um exerc\u00edcio de desejos e menos como uma an\u00e1lise s\u00e9rie das nossas possibilidades. Cada frame, cada \u00e2ngulo de c\u00e2mera, cada fala em um filme de Stanley Kubrick t\u00eam algum prop\u00f3sito. Nunca s\u00e3o acidentais. Quando decidiu compor sua sinfonia sobre o homem e o universo, claramente dividida em quatro atos ( A Aurora do Homem, O Ano 2001, Miss\u00e3o: J\u00fapiter e Al\u00e9m do Infinito ), Kubrick sabia que n\u00e3o poderia fornecer respostas completas, mas poderia deixar perguntas no ar. E esse era, justamente, o maior objetivo de ambos, diretor e escritor. Usando como base \u201cA Sentinela\u201d, escrito em 1951 por Clarke, eles conceberam um conto que pudesse abrigar as ra\u00edzes da evolu\u00e7\u00e3o do homem como ser superior, o momento em que alcan\u00e7a o que acharia ser o \u00e1pice e, finalmente, a forma como ele percebe sua insignific\u00e2ncia frente ao universo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O primeiro movimento da \u201csinfonia\u201d composta por Kubrick retrocede h\u00e1 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, e acompanha como o homem come\u00e7a a se diferenciar dos demais animais quando passa a usar o racioc\u00ednio l\u00f3gico e a fazer uso de ferramentas, o seu grande diferencial evolutivo. Observando (provocando&#8230;) tudo, um mon\u00f3lito negro cravado na terra pr\u00f3ximo a uma tribo de homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos. ( e a cena em que essa descoberta se concretiza coloca, em um contra-plong\u00e9e, o homem \u2013 macaco \u2013 em um plano superior, at\u00e9 encerrar a cena no mais c\u00e9lebre corte da hist\u00f3ria do cinema, evoluindo a ferramenta do prim\u00e1rio osso \u00e0 moderna nave espacial ).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A rigor, esse primeiro movimento \u00e9 complementado pelo \u00faltimo, enquanto os dois movimentos do meio da hist\u00f3ria encarregam-se de fornecer os elementos que justificam as afirmativas expressas no in\u00edcio e no final do filme. Em 2001, um misterioso mon\u00f3lito \u00e9 encontrado na Lua (uma sentinela cujo contato com o homem alerta uma intelig\u00eancia superior de que, ao alcan\u00e7ar o terreno lunar, o homem tornou-se apto a v\u00f4os mais altos). Meses mais tarde, uma expedi\u00e7\u00e3o enviada a J\u00fapiter para descobrir as origens desse mist\u00e9rio acaba em trag\u00e9dia quando o supercomputador HAL 9000 aparentemente enlouquece, sabotando a miss\u00e3o e tentando matar todos os astronautas, at\u00e9 ser desligado pelo \u00fanico remanescente da tripula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201c2001\u201d \u00e9 a obra de um artista t\u00e3o seguro de si que se permitiu o luxo de n\u00e3o abrir nenhuma brecha em sua linha narrativa com o intuito de conquistar o p\u00fablico. Kubrick n\u00e3o fez \u201c2001\u201d para o grande p\u00fablico, e aparentemente n\u00e3o estava preocupado com isso. Obra e filme, se nasceram juntas a partir de um mesmo processo criativo, explicitam o fato de pertencerem a pais diferentes. Clarke deu \u00e0 sua obra um sentido vision\u00e1rio, quase prof\u00e9tico. J\u00e1 Kubrick fez de \u201c2001\u201d um exerc\u00edcio visual muito particular. Meticuloso. Enigm\u00e1tico. Cr\u00edtico. E silencioso ( menos de 2\/3 do filme cont\u00e9m algum di\u00e1logo ).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sutilmente, Kubrick exp\u00f5e a insignific\u00e2ncia do homem atrav\u00e9s da sua rela\u00e7\u00e3o com o novo ambiente, o espa\u00e7o. Ao atravessar as fronteiras de seu pequeno planeta, o homem perde o controle das suas ferramentas ( a caneta que voa na gravidade zero ), regride at\u00e9 tornar-se quase um beb\u00ea, que precisa aprender a andar de novo ( lentamente, e com ajuda de botas especiais ) e precisa ajuda at\u00e9 para respirar ( a respira\u00e7\u00e3o pesada dentro do capacete, v\u00e1rias vezes amplificada em mais de um momento do filme refor\u00e7a essa depend\u00eancia e essa dificuldade ). O uso das cores tamb\u00e9m tem seu sutil significado: o vermelho representa o perigo, a amea\u00e7a \u2013 presente nos avisos das telas e no frio e insens\u00edvel olho eletr\u00f4nico de Hal \u2013 enquanto o azul do planeta representa a esperan\u00e7a, o futuro ( maximizado na cena final ). E t\u00e3o importante quanto o jogo visual, a trilha sonora de temas cl\u00e1ssicos complementa a narrativa, denotando evolu\u00e7\u00e3o e ritmo em uma valsa de Strauss ou a pompa e a circunst\u00e2ncia em uma pe\u00e7a sinf\u00f4nica do mesmo compositor ( Also Sprach Zarathustra ).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A tecnologia, um dos dois grandes alvos do \u201cdiscurso\u201d de Kubrick \u2013 o outro \u00e9 a j\u00e1 dita rela\u00e7\u00e3o entre o homem e o universo &#8211; \u00e9 ao mesmo tempo a grande conquista e a grande vil\u00e3. E a ironia suprema \u00e9 verificar que, de todos os personagens, \u00e9 a m\u00e1quina o \u00fanico ser a esbo\u00e7ar algum tipo de emo\u00e7\u00e3o, a fugir da l\u00f3gica fria dos n\u00fameros e o pensamento racional. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, no momento em que come\u00e7a a \u201cmorrer\u201d, HAL come\u00e7a a cantar \u201cDaisy\u201d como se fosse uma crian\u00e7a, contrapondo aos personagens humanos que n\u00e3o demonstram uma s\u00f3 emo\u00e7\u00e3o durante o filme, seja nas cenas de perigo ou de tens\u00e3o. O quase romantismo presente no \u00faltimo ato que vem logo depois, e sua vis\u00e3o po\u00e9tica dessa rela\u00e7\u00e3o entre homem e universo, at\u00e9 contrasta com a frieza racional do segundo e terceiro atos, mas \u00e9 perfeitamente justific\u00e1vel porque Kubrick e Clarke tamb\u00e9m querem dizer que, apesar de pequeno, o homem tem, sim, import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O ano que data o filme tornou-se passado, o homem n\u00e3o vive em esta\u00e7\u00f5es orbitais, n\u00e3o tem tecnologia para fazer v\u00f4os tripulados \u00e0 J\u00fapiter. Mesmo assim \u2013 e considerando que muito do que \u00e9 visto j\u00e1 tornou-se realidade &#8211; 2001 n\u00e3o envelheceu. O que sobrevive, mais do que t\u00edtulo ou previs\u00f5es, \u00e9 seu conceito, e ele n\u00e3o vai deixar de fazer sentido jamais, porque n\u00e3o prop\u00f5e a fornecer respostas. \u201c2001\u201d foi feito para gerar perguntas, e tem gerado novas a cada revis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PS: A est\u00f3ria j\u00e1 foi t\u00e3o divulgada que, praticamente, tornou-se uma verdade. Mas se n\u00e3o d\u00e1 para convencer o mundo, pelo menos entre n\u00f3s fica estabelecido: HAL n\u00e3o \u00e9 um anagrama para IBM, como o pr\u00f3prio Clarke revelou mais de uma vez. Se apenas uma vez for suficiente, fiquem com o coment\u00e1rio do pr\u00f3prio escritor presente nos extras excelentes da edi\u00e7\u00e3o especial lan\u00e7ada este ano no Brasil. Ou, se preferirem, fiquem com a afirma\u00e7\u00e3o que ele fez a David Stork em uma entrevista, pouco antes de morrer:<br \/>\n&#8211; Tentei, por anos, acabar com a lenda de que HAL viesse de IBM. HAL vem de \u201cHeuristic ALgorithmic\u201d e significa que ele pode trabalhar com um programa pronto ou pode olhar em volta e procurar uma solu\u00e7\u00e3o melhor. Desta forma, voc\u00ea vai ter o melhor de dois mundos. Foi assim que HAL foi criado.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00f5es: Luis Henrique Boaventura: Coisa estranha. Parece escrito como se fosse um dever de casa, b\u00e1sico, certinho, sem esfor\u00e7o, pra tirar a m\u00e9dia e pronto. Desculpe se n\u00e3o era isso, mas \u00e9 o que parece. 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