Elogio ao Amor (Éloge de l’Amour – Jean-Luc Godard, 2001)

O presente é preto e branco, desfragmentado, ilógico, frio, ininteligível, sem perspectivas. Já o passado é colorido, caloroso, e só porque já passou pode ser visto como tendo sentido, e tudo que poderia ter ocorrido de diferente pode ser apreendido em sua totalidade, só agora que não é mais possível. E como o presente é obscuro e por isso mesmo perigoso, a memória funciona como âncora – individualmente, coletivamente/historicamente, e cinematograficamente – nesse filme do Godard que só ganha sentido na meia hora final, justamente quanto saímos dum presente fugidio para ter acesso ao que veio antes, e é emblemático que esse flashback seja captado em vídeo e com cores quase impressionistas.

Junte umas alfinetadas certeiras num cinema enlatado de espetáculo (representado pelo Spielberg, ok, mas vamos dar um desconto) e a maior carga de calor humano que já vi num filme do diretor e sai uma coisa genial assim.

4/4

Robson Galluci

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2 Responses to Elogio ao Amor (Éloge de l’Amour – Jean-Luc Godard, 2001)

  1. Agora sim me animei com esse.

    Membro novo?

  2. Luis Henrique Boaventura

    O Robson? Que nada. Tá no mp desde o início, com o inconveniente de ser o cara mais preguiçoso do mundo.