Felizes Juntos (Wong Kar-Wai, 1997)

Um filme narrado, onde supostamente a lógica deveria determinar seu andamento. A narração é em primeira pessoa, algumas vezes permite a liberdade de se modificar o ponto de vista, ouvir um outro narrador. Todos falam sobre eles mesmos. Que lógica pode se exigir de um filme onde os personagens amam e andam de acordo com o amor? Felizes Juntos não faz nenhum sentido, é todo “errado”. Uma profusão de imagens, estéticas diferentes, um preto e branco de uma memória que se mistura ao tempo real, a cor berrante de um momento atual, que esbanja paixão, em dias verdes e noites vermelhas. Um frio e um calor, acelera-se o tempo e depois a velocidade é retraída, nos já tradicionais slows de Wong Kar Wai. Se está aqui, em meio ao ódio, para depois se estar lá, em meio ao amor. Fica tudo relativo ao esquema propulsor das sensações, da textura da cor, da inundação de sons. E uma catarata, que reverte para dentro de si toda a pulsão de força. É o amor indo pra dentro, jorrando lágrimas brutais em corpos incapazes de derramá-las pro mundo. Resta então continuar.

4/4

Thiago Macêdo Correia

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2 Responses to Felizes Juntos (Wong Kar-Wai, 1997)

  1. Caio Lucas

    Minha expectativa é grande, em breve devo ver.

    Só não pode ser melhor que “Amor à Flor da Pele”, até porque isso é impossível.

    Belo post!

  2. Thiago Macêdo

    Eu revi Felizes e quero rever Amor…porque foi justamente este o meu questionamento, se poderia ser melhor. No final das contas, acho que é um quase empate. rs