O Pássaro das Plumas de Cristal (Dario Argento, 1970)

Um refinado ensaio para a obra-prima Profondo Rosso. O filme de estréia de Dario Argento está bem mais próximo de Blow Up que Prelúdio (não que isto seja exatamente bom ou ruim), tornando ainda mais notória a insegurança de O Pássaro das Plumas de Cristal em relação ao filme de 75. Se em Prelúdio Para Matar, Argento já usava tranqüilamente a câmera subjetiva, recriava atmosferas insuportáveis através de longos trechos de espreita e trilha sonora estourando, e não temia sacrificar completamente a coerência do roteiro em função de uma única bela seqüência, fazendo-se imperativo na sua obra, O Pássaro das Plumas de Cristal traz menos virtuosismo, um Argento (se comparado ao de 75) ainda tímido, apoiando-se com a metade do seu peso sobre a trama (há inclusive uma explanação final à la Psicose).

Mas O Pássaro é mais que apenas um exercício e uma releitura de Blow Up sob luz amarela. Apesar de não tão plásticas e sufocantes como posteriormente, as seqüências de assassinatos e tentativas já são sensacionais. A última, especialmente, quando Dalmas entra numa sala completamente escura sob a claridade limitada de um único ponto, e de repente, as lâmpadas são acesas. E a revelação final é realmente surpreendente (e é tão difícil que a identidade de um assassino seja mesmo uma surpresa), só não estando, sozinha, superior a de Prelúdio Para Matar porque quase nada de intensidade é dada a questão do “acho que vi algo importante…”, o que em Profondo é genial.

Enfim, filmaço mesmo. Uma estréia excelente quando Argento ainda precisava de umas poucas páginas do “Como se Faz Cinema…” debaixo do braço, e que jogaria no fogo antes de 75.

3/4

Luis Henrique Boaventura

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One Response to O Pássaro das Plumas de Cristal (Dario Argento, 1970)

  1. Jerome

    Dario Agento ainda crú. Porém já demonstrando seu talento.